Publicado em Crônica, Pessoal

Como se fosse a primeira vez

Segura dos acordes que eu deveria fazer, não era capaz de fingir que não fazia parte daquela euforia com essência de medo pelo gosto da apreciação da plateia. Lá, diante deles, cada nota seria amplificada, cada arcada ganharia um zoom e cada posição um flash, sendo certas ou não, nada passaria despercebido dos olhares curiosos. Eram setecentas cadeiras acolchoadas no único teatro do estado, as fileiras da frente estavam lotadas e a maioria por músicos que levaram o hobby de tocar a sério, entre tantas outras pessoas inéditas.

Quando a mídia propôs entrevista com os violinistas, me dei conta de que tudo aquilo era real, de que cada esforço tinha me levado a um lugar, e tive a sensação de que era  a primeira vez que eu iria me apresentar num palco para um público. Eu já conhecia o palco daquele teatro desde meus cinco anos quando interpretei a Branca de Neve e uns anos depois retornei para representar minha escola em algumas premiações, mas nunca foi para mostrar a coisa que mais amo fazer: música. Entramos no palco enfileirados, temia que um holofote fitasse em mim, me posicionei no canto, um pouco escondida, sem pretensão de aparecer em todas as fotos.

Estava tranquila, até me pedirem, para me posicionar no meio do palco, por conta da minha estatura, entre os violinistas mais altos, de frente para o público. Mesmo com a visão desfavorecida pela luz vinda do holofote, avistei meus amigos, de relance, na quarta ou terceira fileira e minha avó, na minha frente, filmando tudo, fazendo coisas engraçadas para eu rir. Dessa vez, eu não estava preocupada se eu iria ficar fotogênica na foto e inclusive esqueci do meu aparelho dentário ou e minhas bochechas que pareceriam enormes nas gravações, estava feliz por ver saber que haviam pessoas que foram ao teatro só para me assistir e sorri o tempo todo, mesmo sem querer.

Não teve contagem regressiva como nos ensaios, atentamo-nos às batidas da bateria e, dessa forma, contamos em silêncio o tempo que entraríamos na música Imagine do John Lennon, que ensaiamos por três meses, emitindo a voz principal. Estava tudo bem, até eu perceber que não havia muito espaço para dar uma arcada completa, estávamos todos juntos na frente, numa única. Calculei, de imediato, a distância que eu poderia esticar o braço para tocar. Fiz isso só depois de inconscientemente me perder na música, felizmente recuperei a distração com uma retomada de arco no mesmo instante.

Quando menos esperamos já estávamos no final da música com uma dramática nota “dó” com o segundo dedo na corda lá. Foi incrível. Ouvimos alguém da plateia gritar para tocarmos de novo, pensei que pudesse ser a mãe de algum violinista, me equivoquei. Terminamos a apresentação sem despedidas, talvez fôssemos os músicos mais tímidos do palco. Era a primeira vez para muitos.

No final, tive a certeza de que realizar sonhos é só uma questão de correr atrás. Lembrei das vezes que me irritei por errar o solo nos ensaios e de quando eu não tinha habilidade alguma para tocar em mais de duas cordas na mesma música e, mesmo assim, não desisti. Foram três meses de ensaio para um pouco mais de três minutos de música. E agora sim, se alguém me perguntar se eu sou uma “violinista”, posso responder que sim, sem medo de errar a resposta ou as notas porque não será mais a primeira vez.

Ah, sei que o Post é de Crônica, mas quero saber se vocês conseguem me encontrar na foto aqui embaixo! Hehehe

Esses são meus amigos violinistas na foto, alguns já tinham ido embora quando tiramos essa. Ah, a professora é a de casaquinho (? qual o nome disso?) preto. É maravilhoso sensibilizar as pessoas através da arte e o tema da Mostra de Música foi “Paz”. É disso que precisamos, não é? É disso que o mundo precisa! Discussões, intrigas, esse tipo de coisa, não leva a muitas vantagens não. Na maioria das vezes, a melhor coisa a fazer é dá o Play numa música legal para esquecer os problemas e imaginar nas incontáveis coisas boas que já aconteceram e acontecerão a qualquer momento. Afinal, “o mundo dá voltas” e a vida é cheia de surpresas, não é? Um abraço de urso e até o próximo post! 😉

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Autor:

E-mail: blairpttsn@gmail.com Defenda o que você acredita e tenha orgulho por quem você é!

Um comentário em “Como se fosse a primeira vez

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