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No Play: What Kind of Man

“E com um beijo você inspirou um feixe de devoção”

Um novo ano inicia, sorrimos pela nova perspectiva de mundo, taças de vinho levantadas saudando o novo começo, obrigados a jogar nossas mágoas em um caixão e enterrá-las a seis pés do chão. Florence Welch, vocalista da banda indie Florence + The Machine, por quem vivo uma paixão há anos, parecia estar deixando a correnteza levar seu corpo, envolvida pela essência e pela natureza (no álbum Lungs, como em Cosmic Love e Swimming), por um clima milagroso e comovente (notável nas músicas de Ceremonials, como Only if For a Night e Never Let Me Go).

Agora em seu novo álbum, How Big How Blue How Beautiful, ela aparentemente decide deixar que a correnteza silenciosa traga toda a inquietação possível, trabalhar as próprias questões de maneira mais singela na música, seja ela calma e acolhedora como os braços de um saudoso amigo, ou corrosiva e excitante como o toque da pele quente de um amante.

Com a prévia que tivemos no single What Kind of Man, percebe-se a mudança de abordagem da cantora e compositora nesse novo álbum, do simbólico e memorial para o cru  e limpo – perceptível na linda e profunda capa P&B -, permanecendo intenso, continuando a me fazer olhar para meus ossos, para a pele sobre eles, sua fragilidade e sua funcionalidade. What Kind of Man conta a história de alguém que se perdeu na própria vida, e que encontrou uma estrada pelas entranhas de um amor possessivo e brutalque vem lhe matando aos poucos e que o contaminou.

Para mim é uma música sobre tornar-se parte de algo maior, entregar-se apaixonadamente, abraçar seus próprios traços mortíferos, incendiar as saletas do amor. Ao ler a letra, por um momento me senti como em My Boy Builds Coffins. What Kind of Man é tênue durante o primeiro minuto, com um vocal camuflado por um acompanhamento nefasto de uma voz celestial, mas então grita com um instrumental sangrento, animado e feroz.

O videoclipe, lançado em 12 de fevereiro, é dirigido por Vincent Haycook (de “Lover to Lover”) e coreografado por Ryan Heffington (que recentemente coreografou o clipe do hit de Sia, “Chandelier”). Estive muito encantado com vídeos ao estilo de Rabbit Heart e Spectrum, mas What Kind of Man me pegou de surpresa.

Semelhante a um curta, o clipe segue para uma imagem quente, carnal e sensual, com direito a cenas de nudez e violência que conseguem ser impactantes e bem encaixadas, e me fizeram sentir em boa parte assistindo outra vez à película Martha Marcy May Marlene (a teoria de conspiração, a paranoia na purificação, os amores roubados). E é tudo tão conturbado e sensível, desde os diálogos até as cenas silenciosas de fotografia fria, que é quase impossível descrever o que se sente.

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