Publicado em Crônica

Uma pessoa qualquer

Escrevi ouvindo Closer do John Mark

Ela poderia ser qualquer pessoa. Quem sabe até uma pessoa qualquer. Ela tinha o corpo marcado por feridas que ainda não cicatrizaram, como se tivesse sido violentada. Eu pude ver algumas em seu ombro esquerdo, seu rosto, seus braços e pernas. Mas ela parecia estar bem. Consigo carregava uma sacola pesada. Ela reclamou do peso e eu nada fiz. Ela reclamou do sinal que parecia nunca fechar. Ela tinha pressa para atravessar.

Ela tentou dialogar de qualquer jeito comigo. Ela fazia perguntas afirmativas que não precisavam de respostas, como “está calor hoje, não é?!”. Sempre faz calor na minha cidade, por que hoje isso seria uma novidade? Sem nada dizer, apenas fiz que sim com a cabeça. Pensei em ajudá-la com a sacola. Mas eu também estava ocupada com uma mochila de rodinhas que precisava carregar cada vez que mudávamos de calçada.

Ela continuava a insistir com o diálogo, como se precisasse de um pouco de atenção. Eu não sabia muito bem o que dizer. Estava preocupada com seus machucados e poderia ser audacioso demais perguntar-lhe os motivos. Foi estranho. Eu queria ajudar de alguma forma, mas nada eu fiz. Eu me senti mal por isso, mas estava assustada demais para lidar com aquilo.

Logo eu acelerei meus passos para desviar do caminho dela. Eu pensei que assim, eu também desviaria da culpa de nada ter feito. No entanto, eu só me senti ainda mais culpada. É tão fácil escrever palavras bonitas no papel enquanto a vida real é uma desordem de verdades.

Talvez, eu estivesse vazia naquele dia e não fui capaz de ajudar nem a mim mesma. Talvez, eu também estivesse precisando de um abraço amigo. E portanto, eu lamento assumir que o preconceito ainda existe. Eu fui mais uma prova disso. E, garanto, ele é a droga que nos impede de sermos pessoas melhores e nos torna apenas uma pessoa qualquer. A notícia boa? É que tem cura: o amor ao próximo!

“Encontre-me quebrado, encontre-me sangrando

Eu preciso de alguém real

Então, você viria?

Se eu implorasse a você, você se aproximaria de mim agora?”

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Autor:

19 anos. Acadêmica de Relações Internacionais e apaixonada por histórias de amor.

Um comentário em “Uma pessoa qualquer

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