Publicado em Crônica

O Sentido de Tocar

Escrevi ouvindo Love Me Like You Do

10 de julho de 2015. Eu não poderia me esquecer dessa data. Eu lembro que contei os dias no calendário para a chegada daquele concerto. O meu primeiro com a Orquestra que faço parte. Em um dos ensaios para este dia, o maestro pausou a canção Hallelujah de advertiu “o nosso papel como músicos e não permitir que a tristeza nas pessoas, é por isso que devemos tocar com a alma!”. Acho que foi naquele dia que eu comecei a entender o qual era o sentido da vida de um músico.

Eu lembro que eu comecei a arrumar-me cedo, desde as duas da tarde. Eu queria tornar aquela noite  de sexta-feira inesquecível para mim mesma. Eu estava ansiosa. Poucos minutos antes de sair de casa, meus amigos confirmam presença. E eu juro que eu acho que nunca vou aceitar o fato de que eu sei tocar um violino. É como se isso fosse sempre uma ilusão, um sonho. Eu sempre chorava emocionada assistindo filmes sobre música – sobretudo os que tinham violinistas – e agora todo esse universo fazia parte da minha realidade. O meu universo.

Eu fui a primeira a chegar e aproveitei o tempo extra para ensaiar baixinho com pizzicato. Algum tempo depois, os outros músicos chegaram. Um pouco insegura, subi no palco junto. Era o encerramento do festival de música. Tocaríamos para músicos. Era uma acentuada responsabilidade. Mas eu não estava sozinha. Estava com eles, que tocavam muito bem.

No finalzinho da primeira música, meus amigos chegaram. Eles talvez não saibam que me arrancaram um enorme sorriso. E todas as inseguranças foram com a última nota da primeira música. Eu encontrei um motivo para tocar. Eu estava ali por eles. Por todos eles. Por aquele público, por aquela orquestra e por mim. Não faz sentido ser artista se não for para tocar o coração das pessoas. Eu ainda não era boa o suficiente em afinar as notas. Todavia, eu estava ali transbordando sentimentos por tantas coisas que aquelas canções e olhares lembravam-me.

No final, eu desci do palco e corri para abraçar todos eles, que por sua vez elogiaram, mesmo que não entendessem tanto sobre música. E, aliás, é isso o que mais aprecio na música: você não precisa entender para sentir. Nos despedimos logo em seguida. Ao final da noite, fomos a pizzaria. E foi assim que eu entendi porque todo mundo diz que os concertos acabam em pizza!

Alguns meses depois, uma amiga lembrou-me desse dia. Ela disse que foi especial para ela. Foi quando o seu namoro começou. Eu fiquei muito emocionada. Senti-me realizada como musicista. Aquilo deu um sentido em tudo. Não importava mais o tempo que eu “perco”, as dores que eu sinto, o dinheiro que eu gasto se tudo isso for para continuar tocando o meu violino. Eu sei que uma música não pode mudar o mundo, mas ela pode mudar um coração.

“Você é a cura, você é a dor

Você é a única coisa que quero tocar”

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Autor:

19 anos. Acadêmica de Relações Internacionais e apaixonada por histórias de amor.

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