Publicado em Crônica

Evasão

Andei pensando “o que eu estou construindo?”. Talvez eu pense exatamente como o filósofo existencialista alemão Nietzsche. Eu não sei bem o que eu quero, o que eu faço. Eu só sei muito bem aonde não quero chegar. Dessa vez, não estou falando só de estudos.

Ah, não sei explicar. Como detesto não conseguir expressar exatamente o que estou pensando e sinto. É que eu busquei evasão da minha solidão por alguns anos. Eu sinto que andei perdida, dançando conforme as batidas do compasso da vida. Olha, cai tonta aqui na real. Eu odeio sentir nostalgia. Porque eu tenho boas lembranças e não quero sentir vontade de vivê-las de novo. Simplesmente porque não posso.

Esse meu “sentir sozinha” é tão estranho. Eu tenho fé, então não é essa a questão. Mas, por exemplo, eu sinto que preciso esforçar-me o TEMPO TODO para agradar as pessoas.Às vezes, sinto que não posso ser eu mesma neste universo que escolhi viver. A medida que eu completo mais um ano, eu sinto-me mais distante das pessoas ao meu redor – com exceção da minha família. Isso é horrível. Eu fecho os olhos como se tudo não passasse de um pesadelo. Mas quando eu abro os olhos, eu não me livro.

Eu fico sentindo-me uma pessoa estranha, diferente, isolada que não consegue conviver natural(mente) com as pessoas do meu cotidiano. Eu fico sentindo-me a criança que precisava ir no psicólogo para tratar-se. Eu fui essa criança. A única diferença agora é que eu já não choro na frente das pessoas. Elas nunca fazem total ideia do que estou sentindo. Na maioria das vezes é angústia.

Minha vó e mãe falam pra eu acalmar, que esse será meu último ano de ensino médio. Eu espero. Eu não sei se é essa fase ou se sou eu mesma. Porém, vou confessar aqui: eu sinto saudades enormes das amizades verdadeiras que eu tive um dia. Sinto saudades de falar sobre as coisas que eu amava, sobre o que eu acreditava, sobre meus sonhos. Agora é como se eu tivesse medo. Nada disso parece interessante para as pessoas de agora. Eu juro que trocaria todos os doces da minha vida para voltar a viver essa felicidade. Eu juro.

Agora estou ouvindo as músicas do Ed Sheeran, porque nada no mundo traz-me tanta paz quanto. Então eu leio, eu toco, eu durmo. Qualquer coisa para esquecer da realidade. Mas é uma droga sentir esse tempo passar e eu não falar as coisas que sinto vontade. Eu vivo sempre com esse nó na garganta. Aprendi a lidar com meus complexos, depressão, insatisfações sempre fingindo que não existem e algumas vezes eles vêm a tona. Eu não sei direito o que fazer. Então escrevo.

Eu perdi a vontade de tantas coisas: de ir ao cinema, de aprender uma música nova, de conhecer pessoas, de cozinhar, de colorir. Aliás, eu sinto que desaprendi tudo isso. De repente, nada mais é fonte de inspiração. Eu vejo um mundo doente. Porém, eu mesmo tenho perdido a vontade de olhar no espelho porque eu sei que não estou nada bem. Estou cansada, estressada, queria ir embora. (Para onde?)

Eu acho que, dessa vez, eu desisto. Eu não vou conseguir chegar a conclusão alguma. Quanto mais escrevo, mais lastimo, mais pioro. Além disso, eu não gosto de chorar. Para evitar isso, encerro por aqui.

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Autor:

19 anos. Acadêmica de Relações Internacionais e apaixonada por histórias de amor.

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