Publicado em Crônica

NÃO SEJA VOCÊ MESMO!

Oi, pra você que já leu o título.

Pois bem, as propagandas tentam te convencer pra ser você mesmo. “Compre o produto x e seja você mesmo”. Não é exatamente assim que eles falam. Está mais para “Isso é a sua cara”. É quase a mesma coisa. Você compra por querer ser você. Na verdade, nem sempre. Às vezes, é porque você quer ser outra pessoa. Ou você só quer ressaltar uma característica que está intrínseca a você mesmo.

Não quero criticar o consumismo, dessa vez. Relaxa. Dessa vez, eu só quero criticar essa coisa de “SEJA VOCÊ MESMO”. Quer dizer, isso pode parecer muito relativo. Isso porque uma pessoa é divergente da outra. Claro, umas são semelhantes – mas esse não é o ponto. Aonde quero chegar? Você NÃO DEVE ser você mesmo.

“QUEM É VOCÊ PRA ME DIZER ISSO?”

Calma. Talvez isso nem sirva pra você. Eu realmente espero que não sirva! Agora, sim, respirar fundo; pensar nas palavras; escrever.

Se você é uma pessoa horrível, não precisa ser você mesmo. Há algum tempo, tenho me incomodado com as grosserias de indivíduos que tenho conhecido. Ser arrogante é O.K, pra mim. Eu sei lidar com isso. Eu sei lidar com pessoas mau humoradas (até porque sou uma delas, vez ou outra). Eu consigo ouvir um desaforo e não cativar discussão. Eu também sei a hora de sair de cena. Eu tolero muita coisa. Mas eu não tolero desrespeito.

Quando eu era criança, a escola era o pior lugar do mundo. Eu sempre fui uma pessoa sensível. Eu chorava por quase tudo. Algumas vezes, era só tolice. Noutras, eu realmente ficava triste, magoada ou mesmo com raiva. Se eu queria alguma coisa, por mais fútil que fosse, eu chorava. Se alguém me xingava, mesmo que não fosse alguém importante, eu chorava. Se eu fazia algo errado, como uma conta de matemática, adivinha? Sim, eu chorava.

Mas a questão é que o meu choro virou motivo de deboche. Eram como se as lágrimas fossem o stand up do momento. As crianças maquiavélicas da escola começaram a fazer com que eu chorasse, de propósito, porque queriam se divertir. Eu odiava aquilo. Eu sofria com isso todos os dias. Foi então que eu pensei que ser forte era ser séria, fechada, durona, dane-se todos vocês.

Depois que eu tomei essa postura, de fato chorei menos. Bem menos. Era muito difícil eu chorar na frente das pessoas. Criei aversão à sensibilidade. Nossa, sentimentos? Desprezava. Eu tranquei os meus como defesa. Eu me defendia de todos. Inclusive isso se tornou um problema porque eu queria me defender até de mim mesma.

Talvez eu tenha uma alma boa. Hoje, no comecinho da minha fase adulta, eu percebi que O.K chorar, O.K sentir, O.K demonstrar. Isso me torna mais humana. Isso fortalece meu espírito. Isso faz eu sentir que existe Deus. Porque se tudo fosse tão exato como a ciência, nós, seres humanos, não seríamos tão irracionais de vez em quando.

E aquela história “NÃO SEJA VOCÊ MESMO”? Já vou falar.

Nós somos feitos de qualidades e defeitos. Eu, por exemplo, tenho como defeito o egoísmo. Eu não gosto de dividir nem emprestar. Por outro lado, eu sou uma pessoa altruísta. Cabe a mim decidir o que vai prevalecer. Eu prefiro ser a pessoa que nega ajuda ou pretende ajudar de alguma forma?

Sabe, você não precisa ser uma pessoa que não gostaria de ter ao lado. Não precisa ser rude, escandaloso, mentiroso, ignorante. Nada disso! Porque com certeza você tem suas qualidades. É só uma questão de prática.

Eu cheguei a essa conclusão quando pensei em “mudar”. Eu tenho ciência de que sou uma pessoa muito sensível. E isso me prejudica intensamente. Eu sou o tipo de pessoa que carrega os problemas alheio na consciência, que se sente com o coração na mão quando não pode fazer nada, que almeja que as pessoas encontrem luz e sejam melhores. Dificilmente, alguém me entende.

A questão é que, algumas vezes, eu noto coisas que quase ninguém dá atenção. Andei pensando como existem pessoas frias. Elas acham que isso é uma dádiva. Também existem aquelas que falam sem pensar, qualquer bobagem. O problema é quando elas encontram alguém que teve um dia péssimo e falam o que não deveria, simplesmente por não se importar tanto com os sentimentos do outro. Elas não querem saber se farão daquele dia o pior de todos ou o último.

É só uma reflexão. Eu sei que não posso mudar o mundo, estou longe disso. Eu sei que aqui é só o meu bloguinho. Mas é uma das coisas que eu tenho de mais importante. Eu só queria que vocês lembrassem que a maioria das tragédias são súbitas. Têm momentos nos quais nem desconfiamos que pode acontecer uma e ela acontece. Só espero que nenhum de vocês sintam a culpa de ter sido uma pessoa horrível num momento errado.

Só pensem duas vezes quando não tiverem nada certo pra dizer. Só demonstrem mais quando querem o bem de alguém. O problema nem é dizer, mas como dizer. Sejam mais calmos. A vida já é difícil o suficiente pra vocês tentarem bater de frente. Então, não sejam vocês mesmos caso isso possa ferir outras pessoas.

É só isso. Um abraço apertado pra quem precisa e até o próximo post.

Esse texto não foi editado.

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Autor:

19 anos. Acadêmica de Relações Internacionais e apaixonada por histórias de amor.

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