Publicado em Crônica

O roteiro eu sei de cor

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Escrevi ouvindo Million Reasons – Lady Gaga (QUE HINO!)

Eu já deveria ter me aceitado. A questão não é tão fácil. Eu já deveria ter aprendido a conviver com a tristezas que acompanham a dor de ser quem eu sou. Eu guardo tantas coisas no coração que poderiam ser escritas e verdades seriam expostas a quem quisesse ler. A verdade é que eu ando pelas sombras, escondida das luzes que revelariam o que eu tenho medo de mostrar – os meus sentimentos.

Mas, ultimamente – não que seja novidade – as coisas ficaram fora do lugar. Tudo parece caótico, cenário onde entram os meus pensamentos confusos e curiosos que atormentam meu sono com um “e se?”. Eu sinto que estou me machucando. Eu vejo isso quando as lágrimas escorrem. Quando eu preciso encarar o espelho, percebo que há várias coisas erradas em mim e não comigo. Eu não sou errada, talvez eu esteja errada.

Eu ando me perguntando por que tudo na minha vida parece ter um final infeliz. Eu sempre começo algo como se fosse a primeira oportunidade e única e dou tudo de mim; o destino, por sua vez, avisa “dessa vez não, baby” e eu penso “de novo não!”. Algo, de dentro de mim, aconselha “tenta só mais uma vez” e eu vou lá arriscando minha insônia  e ansiedade de novo.

Pra ser sincera, os meus problemas não são do tipo que se resolveriam com aspirina ou uma conta bancária. Eles têm nome e sobrenome, eles me levam numa conversa maravilhosa e eu pago esses romantismos todos com a minha própria estabilidade emocional e era uma vez eu sorrindo por estar amando alguém. Era. Não é mais. E os problemas batem à minha porta de novo e eu não consigo ser uma anfitriã ruim e correspondo aos piores romances que eu poderia contar.

Eu já deveria ter aprendido que não conheço a dose certa do amor. Eu deveria ter me conformado que excessos fazem mal e carências me sufocam ainda mais. Eu já deveria ter limpado o estrago do choro, mas como que faz isso se existem fragmentos do meu coração bagunçando a minha razão? Esse é o impasse: a gente não vê o coração. E para quem me ver sorrir de mim mesma: é disfarce; porque eu estou cansada de contar a mesma história de sempre e ouvir interjeições de dó. Só mudam os personagens, o roteiro eu sei de cor.

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