Publicado em Crônica

Processo seletivo para relacionamento

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Escrevi ouvindo How To Save a Life – The Fray

Outro dia, jogando conversa fora no RU, chegamos na pauta “critérios de processo seletivo para relacionamento”. Eu simplesmente não consegui pensar em nada a tempo e preferi dizer “eu não tenho critérios”.

O que quis dizer, é que eu espero me apaixonar pelos valores e amar de olhos fechados. Sendo assim, sem importância de posicionamento político, nível de intelectualidade, aspectos físicos, gênero e até religião. Nada disso é tão relevante se equilibrado com o bom humor, o altruísmo, a abertura para falar sobre qualquer assunto (e tem que responder na hora sim, sem joguinhos!) e, principalmente, fazer eu me sentir a garota mais sortuda de todas – porque, geralmente, eu costumo me sentir mais triste quando estou me interessando por alguém, pelas incertezas da reciprocidade.

No entanto, é mais complexo do que parece. Algumas vezes, saí com pessoas e faltou alguma coisa que me fez não ir adiante. Não é como se eu soubesse explicar o quê. Não é como se elas fossem defeituosas. Eu sigo pensando que elas só não eram perfeitas pra mim. E o perfeito é relativo.

Eu cheguei numa fase na qual fujo dos rótulos, das receitas, das exatas. Porque, sabe, com o tempo eu fui percebendo que quanto mais eu me encontro, mais amadureço as ideias e menos cobro das outras pessoas ao meu redor; porque eu vou me sentindo completa – embora eu seja uma das pessoas mais carentes que eu conheço. Chegou a hora que eu prefiro não dizer quem eu sou e o que eu quero e deixar nas mãos do destino revelar a verdade que, muitas vezes, é misteriosa até pra mim.

Logo, eu fico sem critério algum de seleção pra candidatar a alguém o meu coração. Pra mim, não faz o menor sentido eliminar as pessoas dificultando ainda mais esse acesso. As portas estarão abertas pra quem se garantir encontrar a chave que eu provavelmente perdi em algum lugar porque eu vivo esquecendo das coisas.