Crônica

Ame ao próximo como a ti mesmo

 

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Pela manhã, eu estava lendo sobre relacionamentos líquidos e frase, cujo título proposto pela crônica, foi a parte que me chamou mais atenção. Em massa, nossa sociedade sente medo em amar o próximo como a si mesmo. Lembrando que tal frase pode assumir diferentes contextos e justificativas. Listemos:

Amar: amor é zona de perigo.

Quem ama não enxerga muito bem as armadilhas, como os pais que mimam os filhos. Amar afasta da racionalidade e do empirismo. Amar está em outra dimensão. Amar está acima das próprias vontades. Mas amar também pode ser escolha.

Vamos supor que você conhece alguém interessante num bar. Algumas risadas e você decide se pretende salvar o número dela ou não para progredir a relação depois. Talvez, a partir disso se abra o caminho para o amor: você a conhece melhor e quer entregar seu melhor também. Ela parece merecer porque já o tem. E lembre que foi você quem escolheu deixar amar como alternativa ainda que num gesto despreocupado como levar uma conversa adiante.

Ao próximo: é zona de conforto.

O próximo disfarça os defeitos numa conversa agradável e um sorriso bonito. O próximo, muitas vezes, te sussurra aquilo que você gosta de ouvir. Te envolve e te põe num pedestal que você faz de conta que é o seu lugar. Você esconde suas inseguranças porque parece mais certo confiar no que olhos do próximo vêem. Mas, daí, você está amando o que ele faz você sentir: prazer.

No entanto, se você for autossuficiente, amar o próximo é demais pra você: extrapola os limites da sua generosidade. Você ama porque nada do que ele diz te faz mudar de ideia sobre si mesmo. Mas você ama o esforço que ele faz pra você se sentir especial. Você ama como os defeitos dele não podem ser disfarçados numa conversa fiada. Você ama a sinceridade que te faz o conhecer melhor e você ama mesmo assim. Você deseja pra ele tudo de bom, inclusive você.

Como a ti mesmo: uma zona onde só você pode amar.

Você já se amou hoje? Quero ressaltar aqui que cada vez menos tenho conhecido pessoas que transbordam amor próprio e, em contra partida, nunca vi tanta gente como hoje vejo usando Tinder. Houve um tempo no qual eu baixei o aplicativo. Conheci pessoas de legais a fúteis. E eu percebi que eu não era obrigada a amar ninguém nem aceitar um amor de migalhas enquanto eu não amasse quem eu estava me tornando.

O amor próprio é o mais difícil porque conhecemos cada pedacinho do nosso corpo e às vezes odiamos cada defeitinho. Eu perdi muito tempo da minha vida – na verdade, a adolescência toda – criticando minhas estrias: coisa tão normal, comum e inofensiva. Como eu poderia permitir alguém conhecer algo que nem eu aceitava?

E depois, com a maturidade, eu vim descobrindo que o amor é aceitação. É quando eu olho no espelho e digo: está tudo bem. É quando eu adoeço e procuro logo um médico porque quero ficar melhor. É quando eu tiro um tempo só pra mim: pra fazer as unhas, cantar alto, fazer yoga, dançar ou mesmo dormir.


E quando se consegue juntar tudo isso e amar ao próximo como a ti mesmo: amar é menos complicado. Amar é escolha: você não cuida do coração de alguém porque parece conveniente, você cuida porque quer. E o próximo está por todos os lugares e se não deu certo com o primeiro: próximo. Como a si mesmo porque não adianta você aceitar e cuidar tanto de outro se não faz isso com si mesmo. Ninguém pode ter amar mais do que você mesmo. E isso é bonito demais quando começa a fazer sentido.

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