Crônica

Uma dança com a depressão

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Sobre encontrar um ponto de luz: provavelmente foi a busca mais persistente de 2017. Entretanto, hoje, sozinha mais uma vez em casa, de luzes apagadas, está sendo outra noite sombria e dolorosa. Eu sinto meu coração apertado ao conseguir olhar mais para mim, porque, nesse exato momento, eu consigo apontar todos os defeitos que eu odeio e danço com eles a um compasso que me acelera à depressão.

E eu me sinto afogando nas minhas lágrimas e é como se não houvesse ninguém para me impedir de continuar. De fato, não há. Eu estou sozinha e isso não é novidade. Isso se trata de autodestruição. Eu fico sozinha e me torno minha pior inimiga. Começam com cogitações aparentemente inocentes – na realidade, perversas – sobre mim e outras pessoas. Depois, vêm uma onda de lembranças ruins que me levam a desconfiar que o futuro pode ser menos atormentado.

A maior tortura de estar sozinha é me sentir sozinha e não saber como pedir socorro. Eu estou gritando por dentro. Eu estou gritando comigo mesma. Eu tenho exigido de mim ficar bem só mais essa vez. Então, me desespero porque vai ficando difícil respirar e vou perdendo a vontade de insistir…

Eu odeio como me sinto infeliz e deixo isso transparecer claramente quando não sei disfarçar o quanto tantas coisas me incomodam. Eu odeio como sinto vontade de suplicar por coisas que estão longe do meu alcance. Eu odeio quando essas coisas são pessoas. E eu passo a me odiar também por me fazer tão mal sem querer (ou às vezes por querer mesmo e não conseguir admitir que isso é verdade porque o amor próprio e saúde mental estão em alta. Leia-se: moda).

Talvez isso explique porque eu me sinto tão dependente de outras pessoas: elas são cativantes com seus bons corações. Queria saber fazer o bem que elas fazem a mim. Eu me sinto extremamente ingrata por tomar caminhos errados para demonstrar como eu me importo e as amo. E eu me sinto cansada por sempre cometer os mesmos erros. Parece que o roteiro nunca mudou. Mesmo quando são outras pessoas, eu continuo a mesma: o drama da minha vida. Sinto como se já fosse parte da minha natureza ser tão descuidada ainda que tudo o que eu gostaria de fazer seja cuidar.

E por isso eu danço mais um final de semana com a minha depressão, como se não houvesse mais nada de útil a fazer. A verdade é que tem. Amanhã tem um debate importante na aula de Política e eu ainda não li nada. E eu falhei miseravelmente em manter a postura de garota estudiosa e responsável por ter me distraído com meus conflitos internos – que me tiram o foco e me dispersam em todas as cogitações (e se…?) que me desanimam de tentar continuar firme para o dia seguinte. Portanto, deixo de viver o presente e a previsão para o fim da noite é nada além de mais uma canção.

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