Publicado em Crônica

Dose de anestesia

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Eu cansei de procurar por estoques de sentimentos. Os potes estão vazios. Os vidros estão quebrados. Se você pisar firme, por aqui, pode se machucar. E não foi porque eu quis assim. Eu te dei tudo o que você poderia exigir de mim. Eu te dei todas as chances de não me esquecer na dispensa.

É tão doloroso te dizer que todos aqueles sentimentos acabaram. Eu já não me sinto feliz quando você volta. Ao contrário. Eu queria não te encontrar mais, como se nunca tivéssemos nos conhecido. Não é como se tudo o que nos envolveu tenha sido tão ruim a ponto de eu preferir imaginar que nunca existiu. Mas, me parte o coração recordar de quão bom foi estar contigo, toda vez que te vejo.

Eu só gostaria que você se despedisse de mim sem olhar pra trás. Eu não quero que nossos olhares conversem como da primeira vez. Eu sinto muito, mas não como antes. Eu ainda te quero, mas não desse jeito desapegado. Eu ainda te amo, como se ainda sobrasse amor depois de tanta dor por ter amado mais do que eu deveria. Eu vou demorar por aqui limpando toda essa bagunça. É melhor que você nem volte mesmo, nem pra visita.

Todas as coisas parecem erradas sem você. Não por você em si. Você significa pra mim mais do que realmente era. Você era o meu maior sentimento. Por que não sentir nada não parece a coisa certa a fazer? Eu só precisava da dose certa de anestesia do teu carinho. Ela não me machucava enquanto era toda pra mim. De repente, você dividiu tanto essa dose que apenas um pouquinho não foi o suficiente para fazer efeito comigo.

Publicado em Crônica

Você se basta

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Escrevi ouvindo Drunk – Ed Sheeran

Quem me conheceu há um tempo, conheceu uma Blenda que doava tudo de si para que as relações dessem certo. Não sei se deveria me desculpar por ter me tornado tão diferente daquela antiga versão ingênua. Se eu sinto que merece, eu ainda corro atrás. Se eu percebo que me faz sorrir, então eu decido ficar. Não faz questão? Não perco o meu tempo: eu vou embora.

O que quero dizer é que aprendi a lição: eu me basto. 

Eu descobri em mim mesma uma companhia incrível. Você conhece a sensação de estar se tornando exatamente quem você gostaria de ser? A minha vida já foi bagunçada e confusa em páginas passadas. Andei praticando caligrafia e escrevendo uma página de cada vez e tem dado certo. As coisas estão saindo como planejadas e do meu jeito porque eu aprendi a escrever sozinha.

De maneira alguma eu abro mão de ter pessoas por perto. Pelo contrário. Eu valorizo demais um bom diálogo! Eu simplesmente não consigo mais ficar mais de cinco minutos no mesmo lugar sem falar com alguém. Eu sou apaixonada por conhecer pessoas novas e adotar algumas para a minha vida.

Entretanto, eu gosto realmente de oferecer o melhor que eu tenho e por ser completamente verdadeira que eu já não consigo colocar a minha amizade numa liquidação. Eu sei que sentimentos não é o tipo de coisa que se vende ou troca. Aliás, justamente os meus precisam ser conquistados. Quando estão transbordando, eu os ofereço de graça, no entanto, você precisa demonstrar que eles importam pra você ou eu os tomo de volta por serem a maior parte de mim.

Sabe, só talvez eu esteja me distanciando um pouco de ser tão cardisplicente. Mas a razão é que fazer investimentos errados geram prejuízos. Tem uma frase que gosto muito e é do Santa cruz: “aprendi a blindar meu coração, mas não estou livre de sentir”.

Se você costuma, por acaso, como eu costumava fazer, sofrer pelas pessoas erradas e isso te consumia resultando um saldo negativo em infelicidade, eu gostaria de ter a imperdível oportunidade de te apresentar a pessoa maravilhosa que existe em você. Você se basta. Você escreve o próprio roteiro. Você tem muito a descobrir sobre o mundo. Você sequer já conheceu todos os átomos que o compõe. Portanto, vira essa página ou passa a borracha se digna de uma reescrita for. Só não volte atrás. O futuro é o seu maior presente.

Comece hoje.

Publicado em Crônica

Sem ti

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Escrevi ouvindo Cold Coffee – Ed Sheeran

Os teus olhos me acalmam quando as preocupações não me deixam fechar os meus. E a tua voz mesmo quando calada tem os melhores conselhos. Andei pensando sobre como poderíamos ser mais um pro outro. Quero dizer, eu também gostaria de ser teu porto seguro. Eu queria que o meu abraço te cobrisse de fraternidade como eu sinto o seu fazer comigo.

Em outros momentos, eu penso que deve ser difícil lidar com isso, comigo. Eu sei que eu nunca tenho certeza de nada nem do que ando sentindo. As coisas mudam de posição o tempo todo. Ora estão certas, ora estão erradas. O meu relógio está sempre atrasado ou eu andei pensando demais outra vez?

Talvez a verdadeira razão por eu gostar tanto de estar com você é porque você me coloca em paz comigo mesma e eu deixo de pensar tanto. Eu guardo minha racionalidade para os assuntos sérios e com você eu só me permito sentir. Se você soubesse o quão confortável o meu coração poderia ser, você jamais escolheria outro lugar para descansar.

Publicado em Comportamento, Crônica

Século XXI – Mulheres “acessíveis”

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Andei questionando “o que seria uma mulher fácil?”.

Será mesmo que fazer sexo no primeiro encontro torna uma mulher fácil? Será que correr atrás quando o cara sequer te mandou mensagem no dia seguinte é ser “dada” demais? Será que convidar pra sair de novo é vacilo porque faz parecer mais acessível do que deveria?

Outro dia, estava conversando com uma amiga sobre isso: as mulheres do século XXI. Acessíveis demais ou bem resolvidas consigo mesmas? Eu não vejo o porquê se importar tanto com os preconceitos sociais se você se sente confortável para assumir seus desejos. Tudo bem que você pode ser criticada por isso ou desvalorizada até mesmo pelos caras com quem você saiu. A questão é que ser bem resolvida, objetiva e livre assusta de certa forma.

Mas o que venho te contar é que você não deveria se privar de viver sua filosofia de vida por interrogações anacrônicas. A mulher do século XXI pode ser o que ela quiser e, acima de tudo, é digna de respeito por isso. Se você não está fazendo mal a ninguém, não tem porquê se reprimir.

Ser acessível está perdendo seu significado pejorativo. Ser acessível é estar disposta a fazer aquilo o que você realmente quer. Agora, caso não queira, não precisa. E você não será nem mais nem menos mulher independente das suas escolhas. Entenda isso e apenas deixe ser.

Publicado em Crônica

Você me despiu

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Escrevi ouvindo The City – Ed Sheeran

Você me despiu sem dizer que me ama. Ainda assim, você sussurrou que aquilo era prova de amor. Poderiam ter sido apenas minhas roupas no chão, mas junto com elas foram outras coisas, foram parte de mim e não é do seu feitio se importar com isso.

Eu fui incapaz de compreender o que aquilo significou pra você porque o nada é grande demais para ser ser levado em consideração. O que você quis de mim era mais do que eu poderia te dar naquele momento e muito menos do que eu poderia te dar pra sempre: todo o meu amor. Eu pensava que poderia te enganar tentando parecer boa o suficiente para acordar do teu lado nos próximos dias, mas eu não era boa nem nisso quando se tratava de nós.

Talvez, algum dia, nos encontremos numa fila de banco e você faça esforço para lembrar do meu nome. E provavelmente eu vou querer te convidar para um café outra vez. Nós poderíamos rir bastante, como fizemos na primeira vez. E você até cogitaria me levar pra casa porque não seria nenhum incômodo pra você e eu então poderia te contar todos os segredos que eu guardei.

Eu poderia te dizer tanto e pouco suficiente pareceria. Então, possivelmente, a melhor opção seria não te dizer nada. Então, eu pagaria a conta e você poderia enfim perceber que uma garota como eu não se compra nas esquinas dos bares que você frequenta. Mas, você tem a mente tão vazia e fechada que certamente não vai investir seu tempo refletindo sobre os seus erros.

Logo, nada do que eu fizer poderia despir você de moral se você nem conhece o significado dessa palavra. Você é “profissional” demais pra isso. E, após toda essa reviravolta, eu finalmente chego à conclusão que eu odiei estar com alguém despido de valores como você. Você me despiu de uma inocência que não me cabia bem. Eu até poderia te agradecer se, de alguma maneira, eu ainda quisesse te fazer me notar novamente como a garota educada que parou tudo o que estava fazendo pra te dar uma informação desnecessária no meio do caminho.

Por fim, o maior erro foi o meu por criar a expectativa que você leria meu coração se você nem se deu ao trabalho de direcionar os olhos para ler uma placa de rua.

Publicado em Crônica

Como é a Blenda nas ruas?

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Esse será mais um texto para autoconhecimento. Faça o seu também e, se quiser, me envia que eu adoraria ler! ❤

Escrevi ouvindo For What It’s Worth – Buffalo Springfield

Como é a Blenda nas ruas? 

Dá “bom dia” quando se lembra. Geralmente, anda de cara fechada por não gostar muito de estranhos fazendo “gracinhas”. Mas não consegue passar mais de cinco minutos no mesmo lugar sem conhecer alguém porque detesta se sentir sozinha. Atravessa a rua correndo se vê algum amigo do outro lado porque nunca sabe quando poderá o abraçar novamente. Tem medo de atravessar fora da faixa de pedestre. Nunca usa o celular. Quando entra no ônibus, coloca os fones de ouvido. Adora andar de ônibus quando não está atrasada e tem lugar para sentar. Sempre imagina estar participando de cenas de clipes. Sonha quase o tempo todo. Quando fica muito calada é porque está fazendo planos pra daqui uns cinco anos. Costuma andar apressada por ficar chateada em chegar tarde. Para por qualquer pessoa que precise. É distraída, vive tropeçando ou coisas do tipo. Gosta de observar também todo o cenário e personagens ao redor. Desenha histórias de amor no imaginário. Entende que o sentido da vida não é necessariamente a direção porque no final todos deixaremos de existir quando partimos pro final. Permite que o vento bagunce o cabelo e sai sem muitas roupas ou maquiagem de vez em quando, porque o faz valer a pena estar por aqui é sentir.

Publicado em Crônica

Insônia

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Escrevi Kiss Me – Ed Sheeran

De uma noite pro dia, a minha insônia ganhou um novo nome. Não era como se eu não conseguisse dormir. Era como se eu esquecesse que para sonhar precisava fechar os olhos. Porque, ainda que eu estivesse tentando pensar em qualquer coisa, todas as coisas significavam um pouco você.

E não importa o quanto eu me cubra, a minha saudade se confunde com o frio o qual sinto quando lembro da nossa distância. É difícil me despedir de alguém que eu nem preciso estar tocando para sentir tão intrínseco a mim. Eu não quero me entregar ao mistério de descansar em algum sonho que não seja com você.

Eu queria ter alguma chance para te contar que não sou boa em confessar o que eu sinto. Se você algum dia, porventura, me perguntasse qual o sentimento que eu escolheria sentir pra sempre, a resposta nem caberia a mim dizer porque o meu coração deixa tão clara a felicidade quando está encontrando com o seu. A verdade é que o meu sentimento favorito é você e eu não sei explicar de outra forma.

E viro de um lado pro outro. Eu desisto. Eu abro a janela. Algo me diz que eu não vou conseguir passar mais uma noite sem pelo menos te ouvir dizer alguma coisa, qualquer coisa, porque todas as coisas valem a pena se existimos nelas.