Comportamento, Crônica

Ficar adulta é isso?

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Ainda há pouco, eu me queimei fazendo tapioquinha. E, sabe, depois de tantos anos, eu me machuquei sem chorar. Não tem ninguém em casa pra contar que está doendo e só água gelada pra anestesiar por alguns segundos o ardor. Ficar adulta é isso?

Será que ficar adulta é varrer a casa e lavar as roupas e louças porque ninguém mais fará isso? É comemorar quando consegue comer nos horários certos? Ficar adulta tem a ver com cuidar de si mesma porque não existe ninguém obrigado a ouvir minhas tolices e reclamações? Provavelmente…

E, depois de essa reflexão, eu quero escrever sobre se preparar para o vôo. Conforme a idade chega, as pessoas se afastam – ou nos afastamos? – vamos contando mais com nossa própria companhia – ou deveríamos. E um ponto importante a ressaltar: os anos passam e a vida encurta. O que falta para você voar?

Sério, o que você tem feito ultimamente para quando a porta da sua gaiolinha – vulgo, zona de conforto – abrir? Será que você vai saber voar ou provavelmente ficar esperando por alguém te engaiolar outra vez?

Lembro que eu escolhi cursar Relações Internacionais para bater asas pro mundo, por mim. E todo dia é um desafio estar mais perto de realizar. Quando se escolhe uma profissão que não te cobra os pés no chão, você é livre para refazer ninhos quando o clima não estiver favorável, é preciso se jogar pra aprender voar.

Pode ser que eu caia algumas vezes e tudo bem: eu vou superar. Pode ser que num dia dê tudo errado eu pense que era mais tranquilo viver engaiolada. Amanhã o ônibus pode não passar no horário e eu vou esperar por horas e eu decido se quero me estressar ou não. É provável que me critiquem por correr perigo por correr atrás dos meus sonhos ao invés de fazer o que a maioria já faz.

E tanto faz quantas vezes vão tentar cortar minhas asinhas. Eu sou passarinho e também tenho duas perninhas para correr atrás enquanto as asas não crescem e ficar adulta deve ser isso: se jogar pra voar mesmo conhecendo os riscos de não conseguir (de primeira ou segunda e até terceira vez, por que não?).

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Comportamento, Crônica

Promessas que a gente não cumpre

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Eu adoro aquelas coisas que a gente conta que nunca vai mudar e depois faz de conta que nunca contou. Esse processo de “quebrar a cara” que nos faz repensar nas nossas promessas é algo curioso. E preferimos disfarçar que nos contradizemos. Isso já aconteceu comigo diversas vezes e me fez conhecer outras versões minhas que se tornaram minhas favoritas.

Está ainda no comecinho do ano, provavelmente você criou sua lista de promessas do ano e, olha, a vida não precisa ser uma wishlist, não precisa ser regrada. Você não precisa se cobrar e limitar tanto. Por isso, vou contar sobre algumas coisas que eu sempre dizia e não fiz. Viver é isso.


EU VOU FAZER UM CURSO DE EXATAS

Até o 3° ano do ensino médio, eu pensava isso. Eu queria me desafiar a trabalhar com números. Humanas é área de “mulherzinha”. Ah, mas depois disso eu descobri o girl power e o empoderamento o qual sentia lendo e explicando assuntos de Humanas. Humanas definitivamente é o meu mundo. Ser mulher não é pra qualquer pessoa. Ser mulher é viver desafios todos os dias, independente da área de estudos ou lugar onde frequenta.

EU NUNCA VOU DANÇAR FUNK

Tudo bem que se você olhar meu celular não tem uma música de funk, mas se tocar por aí eu até me arrisco a dançar. Ano passado, eu estava afim de me exercitar mais em casa mesmo. Procurei umas coreografias no youtube e funk era o tipo de dança que eu mais me divertia. As coisas mudam, pessoas crescem e a cabeça se abre também.

EU NUNCA VOU SAIR DO VALE

Entendedores entenderão. Mas, sabe, uma hora você fica com o coração mais aberto e você “deixa acontecer na tu ral mente” e tudo bem se contradizer. A vida aqui é só uma pra tantos amores que podem ser vividos.

CABELO RUIVO NÃO COMBINA COMIGO

Eu não sou “branca” o suficiente pra ter um cabelo ruivo. Quer saber? Eu aprendi a amar meu cabelo ruivo. Achava tão bonito nas outras pessoas e me dei a chance de viver a fase red. Assim como outras coisas do meu corpo que aceitei e outras tentei mudar.

VOU TIRAR NOTAS BOAS EM TODOS OS SEMESTRES

Ainda não reprovei em nada. Eu me cobro bastante por fazer um curso de mercado tão elitista e com disciplinas que eu gosto. Porém, não significa que o curso seja fácil. Eu aprendi a lidar com derrotas de vez em quando porque nem tudo depende de mim. Já tirei uns 4 (valendo 10) pra uma prova que estudei muito e fiquei de boa!


É muito estranho sair por aí confessando as coisas, mas é uma atitude que vale muito a pena para notar que tudo bem a gente mudar por dentro e por fora, mudar nossas escolhas e caminhos. Eu me sinto mais leve. E agora sinto mais cuidado antes de prometer qualquer coisa. É claro que minha lista poderia ter muito mais coisas, mas agora é sua vez de refletir aí sobre as promessas que te fez bem quebrar. ❤

Comportamento, Pessoal

Bem-vindo, 2018 azul

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Olá, gaveteiros! Tudo bem com vocês?

Antes de continuar publicando aqui, eu gostaria de explicar a mudança visual no blog. O modelo antigo era com flores em preto e branco e, de alguma forma, aquilo representava pra mim coisas como: mistério, autossuficiência, amadurecimento, recomeço. Era como se a partir de 2017 eu fosse deixar tudo para trás e recomeçar.

Aquelas flores em preto e branco significaram muito pra mim, porém um novo ano chegou e isso me pede um novo sentido: o que explica o azul. Para 2018, eu quero liberdade. Eu quero me sentir mais livre das pessoas e mais confortável com as minhas próprias escolhas. Quero me sentir feliz sozinha – algo que fui esquecendo a sensação conforme fui fazendo mais amigos.

Então, eu quero me sentir mais responsável pelas barras que carrego, no sentido de conseguir resolvê-las. Quero expor mais sobre como me sinto, não esconder por medo da solidão e descobrir que só vai ficar quem realmente se importa (e tudo bem, porque ninguém é obrigado). Quero me sentir menos dependente de maquiagem e roupas para me sentir bonita e adequada.

Enfim, são muitos desejos para 2018 que se resumem em liberdade. E eu escolhi azul por ser minha cor preferida. Azul é a cor que me traz calmaria, paz e verdade. E faltam quatro dias para eu fazer vinte. Estou longe de me considerar adulta porque sequer tenho independência financeira. Mas é um tempo certo para eu direcionar quem vou me tornar em breve.

Ah, por coincidência, hoje faz 1 ano que fiz cirurgia e agora, finalmente, eu tenho total liberdade para fazer exercícios físicos mais pesados e até doar sangue! Obrigada, Deus (eu mesma duvidava se esse dia chegaria).

Bem-vindos ao meu 2018 azul. ❤

12 lições, Comportamento

Lição de janeiro: você não é obrigado a nada

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Olá, gaveteiros! Tudo bem com vocês? ❤

Queria começar 2018 com uma vibe diferente: compartilhando lições (até porque em 2017 eu aquietei meu coração e as crônicas de decepções amorosas ficaram mais difíceis de serem escritas, um abraço pela compreensão). E se tem uma coisa que eu tenho paixão é por aprender coisas da vida. Por isso começarei o projeto: 12 lições em 2018. Espero que coração que gostem!


Você conhece a sensação de um esforço desgastante para conseguir algo? Você não precisa disso. E isso, meu bem, vale para qualquer coisa da vida. Nos sentimos sobrecarregados quando priorizamos aquilo que não nos liberta e só pesa durante a caminhada. E o porquê? Quem sabe disso é apenas você. Vou contar um pouco sobre mim para que você entenda melhor o que eu quero dizer.

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VOCÊ NÃO É OBRIGADO A VESTIR UMA ARMADURA

Você não precisa se blindar de tudo e de todos. Acontece que, por exemplo, todas as vezes anteriores que eu me relacionei amorosamente, eu fui decepcionada de alguma forma. E se eu tivesse vestido uma armadura, eu não estaria namorando agora com alguém que cuida tão bem de mim.

As pessoas não são fórmulas prontas, elas são humanas. Não podemos limitar o comportamento delas espelhando apenas em comportamentos passados de outras. Então, aprenda que, por mais que doa, uma armadura não é a melhor roupa a vestir se o seu coração ainda sonha em encontrar o amor. Eu sugiro você vestir aquele jeans maravilhoso ou qualquer outra coisa que faça você se sentir o contatinho do rolê mais requisitado a ser chamado de mozão até na casa da sogra.

VOCÊ NÃO É OBRIGADO A ESTAR BEM O TEMPO TODO

Existem dias nos quais não está tudo bem. E a gente se veste de simpatia para disfarçar quando sai de casa. Mas, quando chega, e as luzes apagam: está tudo bem sentir um vazio. Está tudo bem você se permitir ser sincero com você mesmo e com quem estiver disposto a te entender e ajudar.

Sabe aquela história que se você contar tanto uma mentira ela pode se tornar verdade? Ela pode até parecer verdade por um tempo, porém, logo depois vai ser doloroso quando deixar de fazer sentido essa fantasia. Não adianta varrer para debaixo do tapete. É preciso admitir nossos momentos de fraqueza e procurarmos alguma solução. Não deveríamos fingir que estamos sempre bem e com a vida perfeita. Está tudo bem em estar mal às vezes.

VOCÊ NÃO É OBRIGADO A IR

Em algumas sextas ou qualquer outro dia aleatório da semana, é frustrante abrir os stories do instagram e notar que está “todo mundo” com algum rolê aparentemente mais divertido do que a nossa netflix e cobertor. E pode ser verdade que a nossa netflix faça muito mais o nosso perfil do que saideiras vazias.

Em 2017, eu acabei me tornando a arroba que não recusava convites para rolês. O que acontecia era que eu aceitava ir sem sequer estar animada o suficiente pra isso. E, muitas vezes, eu me sentia sozinha no meio de pessoas que não me divertiam tanto quanto eu criava expectativas. E ficava levemente arrependida por ter trocado minha caminha por um rolê chato. Eis que decidi: não sou obrigada a ir se eu não estiver afim.

VOCÊ NÃO É OBRIGADO A CONVI(VER) COM QUEM NÃO QUER

Já que tocamos no assunto instagram, sejamos mais profundos: eu entendi que nem todas as fotos que apareciam no meu feed faziam eu me sentir bem. Eu decidi deixar de seguir aqueles feeds maquiados demais e até as pessoas com quem eu não simpatizava. Deixei de lado o princípio de que seguir de volta é um gesto de educação.

Meu próximo passo é bloquear as pessoas que só estão me seguindo para marcar em sorteio. Me desculpem, mas isso acaba com alguns minutos do meu dia. Eu fico estressada com um monte de marcação em sorteios. Já pedi gentilmente para não fazerem e se continuarem, para meu próprio bem: deixar de seguir.

VOCÊ NÃO É OBRIGADO A SER SEMPRE O MESMO

Eu acredito que me tornei muito melhor em 2017. E eu ainda sou cheia de defeitos! Veja bem, em 2019 eu vou dizer o mesmo sobre quem me tornei em 2018. Ano passado, eu mudei meu cabelo umas três vezes, eu mudei minha área de estudos, eu mudei meus gostos musicais, eu mudei minhas principais amizades, eu mudei minha forma de liderar, eu mudei a minha escrita e um montão de outras coisas.

Eu mudei e algumas coisas foram sem querer, eu só mudei. E outras várias coisas ao meu redor mudaram também. E adaptar a mudanças não é tão simples. Às vezes dá saudade, nostalgia, tristeza e até depressão. Precisamos ver o lado positivo das mudanças. Por isso gosto tanto da frase: “if you not scared, than you’re not taking a chance”! Mudanças podem ser boas, confia em mim: você vai crescer com elas.


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QUE TEXTÃO! A verdade é que eu poderia não parar por aqui. Afinal, você não é obrigado a nada. E essas foram as principais faltas de obrigação que eu tenho aprendido até aqui. E vocês podem continuar nos comentários ou numa listinha aí com vocês como lembrete para se sentirem melhor quando foram exigidos demais.

Ah, e sobre a reciprocidade não ser uma obrigação, eu já escrevi aqui!

Enfim, um abraço de urso e até o próximo post! 😉

Comportamento, Crônica, Pessoal

Alerta: a ansiedade não está estampada

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Desde que comecei a gostar de escrever, criancinha mesmo, descobri que a minha melhor voz era essa: a escrita. Eu passava noites escrevendo o que eu sentia, coisas tão difíceis de admitir. Se fosse pessoalmente, talvez eu engolisse palavras entre um choro nervoso porque eu me emociono fácil mesmo. Mas, na grafia, são apenas palavras dramáticas que, com um dose de poesia, tomam forma em sonoridade até bonita.
Numa maior parte da vida, eu costumo ser mais ansiosa do que o normal. Quando eu coloco algo que eu devo fazer na cabeça: eu preciso fazer logo! Daí eu vou esquecendo que nem tudo depende apenas de mim. Eu vou me sentindo sufocada, agoniada pra hora passar mais depressa e em fim chegar o momento no qual eu vou fazer alguma coisa.
Eu me sinto hiperativa e não consigo dormir. Eu penso que deveria dormir pra acordar bem amanhã. Mas dormir se torna um pesadelo o qual não consigo realizar com a cabeça cheia de planos e eu penso no que vou fazer em cada minuto do dia seguinte. E nada pode dar errado. Se eu não consigo achar exatamente a blusa que eu decidi usar ou o ônibus atrasa: é como se todos os planos fossem em vão. De coisas simples a complicadas: a ansiedade não está estampada tanto assim para quem está de fora. Pareço plena esperando enquanto escrevo algum texto no celular e ninguém consegue perceber que eu estou transbordando, exceto até8 me ler.
Ontem foi um dia especial. Porque durante a semana toda eu fui alimentando uma ansiedade sem ter exatamente um porquê. Eu estava ansiosa e não sabia explicar. Então decidi culpar uma prova difícil da faculdade que acontecerá só semana que vem. E o acúmulo de preocupação virou uma bola de neve culminando em estresse. Eu odeio estar estressada. A pele não fica bonita, não tenho vontade de tirar fotos ou sair de casa, fica difícil me concentrar pra estudar, não consigo manter um bom coração, quem está ao redor percebe e o almejo é de sumir ou novamente me trancar chorando sozinha.
E durante essa semana exaustiva, eu também passei mal de tanto comer. E eu também odeio isso. Porque, depois que o transtorno passa e eu fico com uns quilos a mais, é insuportável ver uma balança. Mas não é só uma questão de números. As roupas que eu mais gosto deixam de me cair bem. E vem aquele medo, aquela voz maldosa, avisando que eu estou acima do meu peso de novo. Não é só questão de saúde física. A emocional fica abalada também porque se eu não me sinto bem por fora, por dentro fica difícil e vice-versa.
Na quinta, coloquei meu vestido confortável e nenhuma maquiagem porque eu não era obrigada a nada. Na quinta não. Na quinta todo o meu esforço seria para me manter sã. Não estava afim de me arrumar ainda que fosse pra um evento importante do curso. Mas eu fiz o esforço de sair de casa cedo porque não queria me arrepender de uma falta de dedicação a longo prazo.
E estava sendo um dia bom com meus amigos apesar do cansaço. Lembro que chegamos lá oito da matina e iria até umas oito da noite. Não seria a experiência mais legal do semestre, mas o que importava era que tínhamos um ao outro pra se distrair e apoiar nos breves intervalos. E eu sempre adoro ressaltar o quanto eu sou cercada de pessoas de bom coração.
Na última palestra, acabei me atrasando. As listas já tinham passado pelo meu lugar. E aconteceria se eu não as assinasse: eu não receberia certificado algum pelo tanto de horas que assisti. Fiquei desesperada! Eu não queria deixar pra assinar só no final. Talvez a lista sumisse sem meu nome. Ou talvez não me deixassem assinar depois. Eu só queria assinar logo, no mesmo minuto. E ficou difícil ficar tranquila, como se nada estivesse passando na minha cabeça. E eu estava inquieta. Estava nervosa. Porque eu só queria colocar logo meu nome lá e voltar a prestar atenção na palestra.
Até que uma mulher virou pra mim e brigou comigo. Até aí tudo bem se não fosse pelo olhar dela. Ela me olhou com tanto ódio que me desmontou e me fez sentir a pessoa mais errada do mundo. Mas eu sequer poderia chorar num evento cheio de pessoas adultas. Eu me senti horrível, uma criancinha com os olhos cheios de lágrimas. E, sabe, se talvez a ansiedade estivesse estampada na minha testa ela não teria sido tão rude comigo.
E o que eu mais odeio na ansiedade é o quanto eu fico sensível e vulnerável. Eu odeio o quanto eu me sinto culpada. E, como sempre, me disponho a procurar cinco coisas boas numa coisa ruim que me aconteceu na quinta:

  1. Passei o dia ao lado de pessoas que eu amo
  2. Deu tempo de recarregar minha carteirinha
  3. Treinei meu espanhol
  4. Consegui assinar uma das listas. Certificados: yaaay!
  5. Consegui chegar em casa em paz.

O que eu realmente gostaria que vocês guardassem dessa crônica é: sejam cuidadosos com as pessoas ao redor porque nunca conhecemos a verdade sobre os conflitos os quais elas enfrentam consigo mesmas.

E crise de ansiedade não espera por uma hora mais conveniente pra acontecer. Às vezes, se disfarça num sorriso nervoso e inquietação. Mas é muito além disso.

Comportamento, Crônica, Tutorial

Desde quando ciúme é bonitinho?

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Escrevi ouvindo Easy to Love You – Theory Of A Deadman

Algumas vezes, ouvi dizerem que quando se ama sente ciúme. Ah, sentir ciúme é tão romântico… O que? Ciúme pode até ser sexy, mas de romântico nada tem. Ciúme pode ser uma desculpa excitante pra expressar que se importa até demais. Demais – aí está o problema. Mas se importa demais com o outro ou com o lugar de si mesmo no outro? Ciúmes é egoísta. Está longe de ser amor.


E eu odeio sentir ciúme.

Eu odeio como sentir ciúme me torna despida de bondade. Eu odeio como ciúmes tira meu sono e meu senso de humor. Eu odeio como ciúme consegue ser pior do que TPM. Eu odeio e ponto. Não é engraçadinho. Eu sinto vontade de fugir e dizer “dane-se”. Queria deixar de me importar. Queria sumir pra ninguém ver como o ciúme me destrói ainda que eu não demonstre. Deus criou o amor e o diabo o destrói com ciúme.

E eu odeio como o ciúme faz parte de mim. É tão estranho. Começa de forma inofensiva. “Hum, com quem você estava ontem à noite? ”. É uma pergunta aparentemente despretensiosa cuja resposta vai ficar ecoando por horas enquanto abre caminho para a entrada de um sentimento ruim o qual se decodifica em: “era comigo com quem você deveria ter estado ontem à noite”. Deus, aproxima de mim esse cale-se antes que eu diga todas as coisas que vou provavelmente me arrepender de dizer após destruir mais uma relação.

Eu calo e por dentro eu ainda estou gritando com você. Por fora, tudo o que você vê é a força de vontade de permanecer calada: lágrimas atrás de lágrimas. Só me lembra que você ainda me ama antes de eu cogitar me precipitar em nunca mais voltar a falar com você. Eu juro como consigo sumir da sua vida muito mais rápido do que cheguei.


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CIÚME GOOGLE SIGNIFICADO PESQUISAR

ciúme
substantivo masculino
  1. 1.
    estado emocional complexo que envolve um sentimento penoso provocado em relação a uma pessoa de que se pretende o amor exclusivo; receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem; zelo (mais us. no pl.).
  2. 2.
    medo de perder alguma coisa.

E a pior parte é quem não consegue ver maldade numa sentimento tão destruidor que é ciúme. Não provoque ciúme porque também é horrível pra quem sente: bagunça nossa autoestima, altruísmo, confiança…

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Com o tempo, eu aprendi algumas lições:

Ninguém é obrigado a amar alguém.

Se alguém fala que te ama, abrace essa pessoa porque não existe nada nesse mundo que a obrigue a te amar. Ela te ama por que você é e pelo o que você significa. Ela te ama porque ela quer. Amor não se exige. Amor acontece.

Ninguém é obrigado a sentir ciúme também.

A melhor notícia que talvez você leia hoje é essa: você não precisa sentir ciúme. Ela também não. Ciúme não se trata de sentimentos bons.

Ninguém é obrigado a ficar na vida de alguém.

Se sentir ciúme lhe destrói de verdade, você não é obrigado a ficar na vida de outra pessoa que anda te fazendo mal. Não é que ela não mereça você; mas se você não está preparado sentimentalmente para segurar essa barra, não existe problema nenhum se blindar de um sentimento tão covarde indo embora.

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Você é livre para confiar em alguém.

Você não é obrigado a confiar em quem ama e vice-versa. Mas se você entende que existe reciprocidade no amor, você tem garantida a liberdade de confiar. Então restam duas opções: acreditar que a outra pessoa não te faria nenhum mal ou desconfiar de tudo isso e partir pra defesa e ir embora sem ao menos tentar de verdade. Eu ficaria com a primeira opção e você?


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Em suma: MAS pessoas NÃO são suas propriedades.

Sabe, eu costumo passar a imagem que eu sou uma garota forte e independente. Eu já passei por tantas coisas que me fizeram parecer mais assim. No entanto, se você me lê, você entende o quanto eu me importo com cada coisinha. E eu sempre fui de me importar muito e disfarçar. Eu entendia que sentir muito era errado. Eu pensava que sentir ciúmes era a pior coisa do mundo.

É um pouco verdade. Mas sentir ciúme faz parte de mim e eu me aceito assim mesmo. Sentir ciúme é tipo sentir alegria quando vejo um arco-íris: sou eu. E quem convive comigo sabe disso. “Olha, Blenda, um arco-íris” e isso já transformou meu dia num dia bom. Assim como quem convive comigo sabe que se disser “Blenda, essa semana não vou sair com você porque marquei com outra pessoa”. As pessoas que me amam jamais diriam isso pra mim, pelo menos não dessa forma.

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Na realidade, eu tive a sorte de juntar muitas pessoas boas ao longo da minha breve vida que realmente se importam comigo e por isso desenvolveram um jeitinho especial até para falar comigo e por elas eu transbordo de gratidão. (São esse tipo de gente do bem – leia-se: unicórnios mágicos – que vocês devem colecionar na vida!)

E como eu sempre que às vezes passo dos limites, tiro a paciência de qualquer pessoa mesmo, eu aprendi a lidar melhor com o meu ciúme inevitável. Então, quando eu sinto ciúme, a solução é sempre tentar transformar energias ruins em energias boas. Por exemplo: eu mando mensagem lembrando que amo, eu abraço mais forte quando vou me despedir, eu faço qualquer coisa pra pessoa não esquecer de mim e o quanto eu quero fazer parte dela.

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Entretanto, algumas vezes, eu não seguro e começo a chorar… E tudo bem também, eu não faço por mal, não faço por drama. Eu sou chorona e eu não me privo de sentir. Eu sinto muito. Mas sentir ciúme não é bonitinho. Eu prefiro sentir que amo do que sentir o nosso amor ameaçado. Demonstra que também quer ficar comigo e não me faz sentir o contrário.

 

Comportamento, Crônica

Século XXI – Mulheres “acessíveis”

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Andei questionando “o que seria uma mulher fácil?”.

Será mesmo que fazer sexo no primeiro encontro torna uma mulher fácil? Será que correr atrás quando o cara sequer te mandou mensagem no dia seguinte é ser “dada” demais? Será que convidar pra sair de novo é vacilo porque faz parecer mais acessível do que deveria?

Outro dia, estava conversando com uma amiga sobre isso: as mulheres do século XXI. Acessíveis demais ou bem resolvidas consigo mesmas? Eu não vejo o porquê se importar tanto com os preconceitos sociais se você se sente confortável para assumir seus desejos. Tudo bem que você pode ser criticada por isso ou desvalorizada até mesmo pelos caras com quem você saiu. A questão é que ser bem resolvida, objetiva e livre assusta de certa forma.

Mas o que venho te contar é que você não deveria se privar de viver sua filosofia de vida por interrogações anacrônicas. A mulher do século XXI pode ser o que ela quiser e, acima de tudo, é digna de respeito por isso. Se você não está fazendo mal a ninguém, não tem porquê se reprimir.

Ser acessível está perdendo seu significado pejorativo. Ser acessível é estar disposta a fazer aquilo o que você realmente quer. Agora, caso não queira, não precisa. E você não será nem mais nem menos mulher independente das suas escolhas. Entenda isso e apenas deixe ser.