Publicado em Crônica

O que eu sinto por você?

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Essa é uma das perguntas difíceis que você nunca me fez. Ainda bem. Já pensou eu me enrolando toda para responder? Eu nem saberia por onde começar… Na verdade, você quase não me pergunta nada e sequer me cobra. E ao passo que um relacionamento fechado torna uma pessoa da outra, você não faz de mim propriedade. E mesmo livre eu prefiro estar apertada dentro da tranquilidade do teu abraço.

Tudo bem que a portinha do meu coração estava quase fechando quando você decidiu entrar devagarinho. Estava quase fechando de tanta gente que passou por aqui e fez bagunça. Fez bagunça, me deixou confusa e foi embora sem sentir qualquer remorso. E por um pouquinho que eu não desisti de arriscar isso acontecer de novo.

E parece que você chegou mesmo na hora certa: quando eu já tinha me envolvido com pessoas tão diferentes de você pra ter a certeza de que eu não gostaria de cometer os mesmos erros outra vez.

É engraçado como dizem que o tempo desgasta e as coisas de sempre fazem cair numa rotina chata, sendo que tudo ainda parece tão mágico com você por perto, embora os costumes permaneçam os mesmos e o tempo passe cada vez mais depressa… Quando você está de olhos fechados no meu colo recebendo carinho, eu me questiono porquê não descobrimos isso antes e lembro mais uma vez que descobrimos isso no tempo certo.

Quero dizer, somos tão novos. Estamos no comecinho do curso. Prestes a iniciar a vida adulta e sonhando com os dias nos quais vamos trabalhar com aquilo que nós depositamos tantas energias positivas. E, sobretudo, estamos dividindo essa fase de expectativas juntos.

Eu acho tão bonita tua forma de ver a vida com simplicidade e dizer coisas bobas que te fazem sentir bem, do tipo “é tão ventilado aqui” e você desperta meu lado bobo de rir de todas as coisas. Eu acho bonita a forma como você me olha também e por isso eu não te cobro frases de amor prontas google pesquisar. Você me diz tanto sem dizer nada e quando tenta dizer se atrapalha todo. E eu poderia achar isso um defeito e ficar chateada, mas que nada… A verdade, ainda que eu pareça levar a sério, eu acho graça sobre você ficar perdido nas palavras.

Eu acabei de notar que fui falando tantas coisas e não falei justamente o que eu sinto por você. Dessa vez, eu não quero nomear aqui os sentimentos. Então vou deixar o texto fluir assim como o que eu senti por você na primeira vez, entre tantas vezes, a qual você me abraçou e por dentro eu reagi estranho feito borboletinhas no estômago e ri de nervoso mas você nem percebeu.

E, desde então, sentir se tornou menos complicado. E, mesmo antes de você criar coragem pra namorar comigo, eu já apostava que a gente já se correspondia: queria se ver quase todo dia. E nada mudou tanto assim do começo pra cá, embora eu sempre ressalte que ainda estamos no comecinho porque parece muito longe de acabar. E de lá pra cá eu também tomei uma coragem que eu não imaginava que poderia existir em mim um dia: ser tanto pra você.

Me permiti admitir isso e principalmente deixar você me conhecer como ninguém mais conhece tão bem. E você não correu e não corre mesmo quando eu abro caminho e digo que você é livre e eu conseguiria superar depois. Você toda vez encontra uma alternativa boba para me ganhar de volta e me faz arrepender de ter dito palavras tão duras. E daí  em diante já não quero te soltar mais (nem quando você vira pro outro lado quando está dormindo).

Você cuida do meu coração e segura minha mão como se estar apaixonado por alguém fosse a vulnerabilidade mais segura do mundo. E eu pensei que seria mais assustador estar no meu cronograma (leia-se: encontrar reciprocidade até os 21) por talvez não conseguir mais escrever as crônicas de sempre reclamando sobre o amor. E você me fez tomar mais uma dose de coragem que eu desconhecia para escrever o texto mais sincero sobre o amor romântico que eu sinto por alguém e dizer só “eu te amo” pareceria muito insuficiente comparado a tudo que eu gostaria de encontrar nomes para descrever pra você. Então deixei entrelinhas sentimentos que não precisam ser concretizados em grafias.

E a verdade é que ao passo que você me fez tomar forma de uma nova versão – ou, muito provavelmente, a minha antiga versão como se ninguém jamais tivesse maltratado meu coração – eu nunca precisei me despedir de parte de mim mesma para fazer parte de você. E eu nunca preciso trocar nada por você porque agora você parece estar em todos os lugares, em todas as coisas, em mim mesma, nas mais bonitas lembranças. O que eu sinto por você se resume nisso: nós.

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Alerta: a ansiedade não está estampada

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Desde que comecei a gostar de escrever, criancinha mesmo, descobri que a minha melhor voz era essa: a escrita. Eu passava noites escrevendo o que eu sentia, coisas tão difíceis de admitir. Se fosse pessoalmente, talvez eu engolisse palavras entre um choro nervoso porque eu me emociono fácil mesmo. Mas, na grafia, são apenas palavras dramáticas que, com um dose de poesia, tomam forma em sonoridade até bonita.
Numa maior parte da vida, eu costumo ser mais ansiosa do que o normal. Quando eu coloco algo que eu devo fazer na cabeça: eu preciso fazer logo! Daí eu vou esquecendo que nem tudo depende apenas de mim. Eu vou me sentindo sufocada, agoniada pra hora passar mais depressa e em fim chegar o momento no qual eu vou fazer alguma coisa.
Eu me sinto hiperativa e não consigo dormir. Eu penso que deveria dormir pra acordar bem amanhã. Mas dormir se torna um pesadelo o qual não consigo realizar com a cabeça cheia de planos e eu penso no que vou fazer em cada minuto do dia seguinte. E nada pode dar errado. Se eu não consigo achar exatamente a blusa que eu decidi usar ou o ônibus atrasa: é como se todos os planos fossem em vão. De coisas simples a complicadas: a ansiedade não está estampada tanto assim para quem está de fora. Pareço plena esperando enquanto escrevo algum texto no celular e ninguém consegue perceber que eu estou transbordando, exceto até8 me ler.
Ontem foi um dia especial. Porque durante a semana toda eu fui alimentando uma ansiedade sem ter exatamente um porquê. Eu estava ansiosa e não sabia explicar. Então decidi culpar uma prova difícil da faculdade que acontecerá só semana que vem. E o acúmulo de preocupação virou uma bola de neve culminando em estresse. Eu odeio estar estressada. A pele não fica bonita, não tenho vontade de tirar fotos ou sair de casa, fica difícil me concentrar pra estudar, não consigo manter um bom coração, quem está ao redor percebe e o almejo é de sumir ou novamente me trancar chorando sozinha.
E durante essa semana exaustiva, eu também passei mal de tanto comer. E eu também odeio isso. Porque, depois que o transtorno passa e eu fico com uns quilos a mais, é insuportável ver uma balança. Mas não é só uma questão de números. As roupas que eu mais gosto deixam de me cair bem. E vem aquele medo, aquela voz maldosa, avisando que eu estou acima do meu peso de novo. Não é só questão de saúde física. A emocional fica abalada também porque se eu não me sinto bem por fora, por dentro fica difícil e vice-versa.
Na quinta, coloquei meu vestido confortável e nenhuma maquiagem porque eu não era obrigada a nada. Na quinta não. Na quinta todo o meu esforço seria para me manter sã. Não estava afim de me arrumar ainda que fosse pra um evento importante do curso. Mas eu fiz o esforço de sair de casa cedo porque não queria me arrepender de uma falta de dedicação a longo prazo.
E estava sendo um dia bom com meus amigos apesar do cansaço. Lembro que chegamos lá oito da matina e iria até umas oito da noite. Não seria a experiência mais legal do semestre, mas o que importava era que tínhamos um ao outro pra se distrair e apoiar nos breves intervalos. E eu sempre adoro ressaltar o quanto eu sou cercada de pessoas de bom coração.
Na última palestra, acabei me atrasando. As listas já tinham passado pelo meu lugar. E aconteceria se eu não as assinasse: eu não receberia certificado algum pelo tanto de horas que assisti. Fiquei desesperada! Eu não queria deixar pra assinar só no final. Talvez a lista sumisse sem meu nome. Ou talvez não me deixassem assinar depois. Eu só queria assinar logo, no mesmo minuto. E ficou difícil ficar tranquila, como se nada estivesse passando na minha cabeça. E eu estava inquieta. Estava nervosa. Porque eu só queria colocar logo meu nome lá e voltar a prestar atenção na palestra.
Até que uma mulher virou pra mim e brigou comigo. Até aí tudo bem se não fosse pelo olhar dela. Ela me olhou com tanto ódio que me desmontou e me fez sentir a pessoa mais errada do mundo. Mas eu sequer poderia chorar num evento cheio de pessoas adultas. Eu me senti horrível, uma criancinha com os olhos cheios de lágrimas. E, sabe, se talvez a ansiedade estivesse estampada na minha testa ela não teria sido tão rude comigo.
E o que eu mais odeio na ansiedade é o quanto eu fico sensível e vulnerável. Eu odeio o quanto eu me sinto culpada. E, como sempre, me disponho a procurar cinco coisas boas numa coisa ruim que me aconteceu na quinta:

  1. Passei o dia ao lado de pessoas que eu amo
  2. Deu tempo de recarregar minha carteirinha
  3. Treinei meu espanhol
  4. Consegui assinar uma das listas. Certificados: yaaay!
  5. Consegui chegar em casa em paz.

O que eu realmente gostaria que vocês guardassem dessa crônica é: sejam cuidadosos com as pessoas ao redor porque nunca conhecemos a verdade sobre os conflitos os quais elas enfrentam consigo mesmas.

E crise de ansiedade não espera por uma hora mais conveniente pra acontecer. Às vezes, se disfarça num sorriso nervoso e inquietação. Mas é muito além disso.

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Viver não cabe no lattes

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Conhece aquela história “viver não cabe no lattes?”. Vem cá, senta aqui e escuta eu te contar. A gente passa por várias fases na vida, consequentemente vários chefões também.

Não faz muito tempo que eu saí da fase Enem e toda a coerção social e pressão psicológica pra entrar na faculdade. Entrei. E daí? E daí procurei por descobrir que a vida é muito mais que fases. Entende?

Somos seres tão complexos, tão plurais, tão sonhadores que não precisa ser uma coisa de cada vez. Era uma graduação que vocês queriam? Tomem. Mas a vida não se trata só de quantas coisas você é capaz de colocar num lattes. Um dia toda essa fase acaba e o que ficam são as lembranças e logo mais, talvez, nem isso…

Demorou um tempinho pra eu me acostumar com ideia de que não preciso viver numa bolha. A gente cria uma bolha pra se proteger do mundo, é verdade. Outra verdade é que o mundo não é feito só de coisas ruins. Seria você capaz de abrir seu duro coração agora?

Eu quero te dizer que coisas absurdas acontecem quando você se deixar guiar pelos sentimentos. Eu já perdi a conta de quantas vezes fui trouxa, de quantas vezes chorei prometendo a mim mesma que nunca mais seria ingênua outra vez assim como perdi a conta de quantas promessas e cara já quebrei. Acontece que isso faz parte.

Faz parte também deixar que pessoas entrem e deixem um pouco de si para tornar você melhor. E quando se tem luz, o amor aparece e brilha e irradia o sorriso que você dá sempre que ouve aquele bom dia especial.

Quem convive comigo sabe o quanto eu me cobro e vivo em constante competição comigo mesma. Às vezes, eu só preciso respirar! Então hoje estou tentando cumprir a promessa de que não irei me sentir culpada por não conseguir ler mais um texto para prova. Hoje não. Hoje quero ouvir minhas músicas de meditação para respirar fundo e escrever. É tudo o que eu preciso agora. Viver é sentir e viver não cabe no lattes.

 

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Desde quando ciúme é bonitinho?

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Escrevi ouvindo Easy to Love You – Theory Of A Deadman

Algumas vezes, ouvi dizerem que quando se ama sente ciúme. Ah, sentir ciúme é tão romântico… O que? Ciúme pode até ser sexy, mas de romântico nada tem. Ciúme pode ser uma desculpa excitante pra expressar que se importa até demais. Demais – aí está o problema. Mas se importa demais com o outro ou com o lugar de si mesmo no outro? Ciúmes é egoísta. Está longe de ser amor.


E eu odeio sentir ciúme.

Eu odeio como sentir ciúme me torna despida de bondade. Eu odeio como ciúmes tira meu sono e meu senso de humor. Eu odeio como ciúme consegue ser pior do que TPM. Eu odeio e ponto. Não é engraçadinho. Eu sinto vontade de fugir e dizer “dane-se”. Queria deixar de me importar. Queria sumir pra ninguém ver como o ciúme me destrói ainda que eu não demonstre. Deus criou o amor e o diabo o destrói com ciúme.

E eu odeio como o ciúme faz parte de mim. É tão estranho. Começa de forma inofensiva. “Hum, com quem você estava ontem à noite? ”. É uma pergunta aparentemente despretensiosa cuja resposta vai ficar ecoando por horas enquanto abre caminho para a entrada de um sentimento ruim o qual se decodifica em: “era comigo com quem você deveria ter estado ontem à noite”. Deus, aproxima de mim esse cale-se antes que eu diga todas as coisas que vou provavelmente me arrepender de dizer após destruir mais uma relação.

Eu calo e por dentro eu ainda estou gritando com você. Por fora, tudo o que você vê é a força de vontade de permanecer calada: lágrimas atrás de lágrimas. Só me lembra que você ainda me ama antes de eu cogitar me precipitar em nunca mais voltar a falar com você. Eu juro como consigo sumir da sua vida muito mais rápido do que cheguei.


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CIÚME GOOGLE SIGNIFICADO PESQUISAR

ciúme
substantivo masculino
  1. 1.
    estado emocional complexo que envolve um sentimento penoso provocado em relação a uma pessoa de que se pretende o amor exclusivo; receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem; zelo (mais us. no pl.).
  2. 2.
    medo de perder alguma coisa.

E a pior parte é quem não consegue ver maldade numa sentimento tão destruidor que é ciúme. Não provoque ciúme porque também é horrível pra quem sente: bagunça nossa autoestima, altruísmo, confiança…

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Com o tempo, eu aprendi algumas lições:

Ninguém é obrigado a amar alguém.

Se alguém fala que te ama, abrace essa pessoa porque não existe nada nesse mundo que a obrigue a te amar. Ela te ama por que você é e pelo o que você significa. Ela te ama porque ela quer. Amor não se exige. Amor acontece.

Ninguém é obrigado a sentir ciúme também.

A melhor notícia que talvez você leia hoje é essa: você não precisa sentir ciúme. Ela também não. Ciúme não se trata de sentimentos bons.

Ninguém é obrigado a ficar na vida de alguém.

Se sentir ciúme lhe destrói de verdade, você não é obrigado a ficar na vida de outra pessoa que anda te fazendo mal. Não é que ela não mereça você; mas se você não está preparado sentimentalmente para segurar essa barra, não existe problema nenhum se blindar de um sentimento tão covarde indo embora.

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Você é livre para confiar em alguém.

Você não é obrigado a confiar em quem ama e vice-versa. Mas se você entende que existe reciprocidade no amor, você tem garantida a liberdade de confiar. Então restam duas opções: acreditar que a outra pessoa não te faria nenhum mal ou desconfiar de tudo isso e partir pra defesa e ir embora sem ao menos tentar de verdade. Eu ficaria com a primeira opção e você?


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Em suma: MAS pessoas NÃO são suas propriedades.

Sabe, eu costumo passar a imagem que eu sou uma garota forte e independente. Eu já passei por tantas coisas que me fizeram parecer mais assim. No entanto, se você me lê, você entende o quanto eu me importo com cada coisinha. E eu sempre fui de me importar muito e disfarçar. Eu entendia que sentir muito era errado. Eu pensava que sentir ciúmes era a pior coisa do mundo.

É um pouco verdade. Mas sentir ciúme faz parte de mim e eu me aceito assim mesmo. Sentir ciúme é tipo sentir alegria quando vejo um arco-íris: sou eu. E quem convive comigo sabe disso. “Olha, Blenda, um arco-íris” e isso já transformou meu dia num dia bom. Assim como quem convive comigo sabe que se disser “Blenda, essa semana não vou sair com você porque marquei com outra pessoa”. As pessoas que me amam jamais diriam isso pra mim, pelo menos não dessa forma.

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Na realidade, eu tive a sorte de juntar muitas pessoas boas ao longo da minha breve vida que realmente se importam comigo e por isso desenvolveram um jeitinho especial até para falar comigo e por elas eu transbordo de gratidão. (São esse tipo de gente do bem – leia-se: unicórnios mágicos – que vocês devem colecionar na vida!)

E como eu sempre que às vezes passo dos limites, tiro a paciência de qualquer pessoa mesmo, eu aprendi a lidar melhor com o meu ciúme inevitável. Então, quando eu sinto ciúme, a solução é sempre tentar transformar energias ruins em energias boas. Por exemplo: eu mando mensagem lembrando que amo, eu abraço mais forte quando vou me despedir, eu faço qualquer coisa pra pessoa não esquecer de mim e o quanto eu quero fazer parte dela.

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Entretanto, algumas vezes, eu não seguro e começo a chorar… E tudo bem também, eu não faço por mal, não faço por drama. Eu sou chorona e eu não me privo de sentir. Eu sinto muito. Mas sentir ciúme não é bonitinho. Eu prefiro sentir que amo do que sentir o nosso amor ameaçado. Demonstra que também quer ficar comigo e não me faz sentir o contrário.

 

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Encontre sua luz

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Bom dia, gaveteiros! Afinal, por que não começar uma crônica já desejando que vocês tenham um dia bom?

Há um pouco mais de um mês, comecei a me consultar com o psicólogo para tentar compreender porquê tudo ao meu redor ainda que parecesse tão bonito não me livrava de pesadelos acordada sozinha com meus conflitos internos todas as noites quando não conseguia dormir.

Às vezes, parecia só mais uma insônia inocente. Eu não consigo dormir. Por quê? Eu estou ansiosa. Pelo o quê? Eu não estou bem… Acho que vou chorar de novo! Mas até quando? Uma hora isso deixou de me parecer uma sentença e eu fui procurar ajuda. É sempre muito complicado explicar para uma pessoa de mente (e coração) mais fechado como eu me sinto. Ela pode me fazer as perguntas que sequer consigo responder a mim mesma.

Eu estou morrendo de sono e tenho várias coisas para fazer amanhã. Mas eu não consigo dormir. Isso pode ser tudo: exceto normal, saudável ou aceitável. E começa por aí. Até que eu abri os olhos e percebi que tudo ao meu redor estava mais em ordem do que nunca: eu tinha tudo o que eu mais queria aos dezenove. Eu deveria estar feliz. Não estou.

Se não é a melhor fase da minha vida, não sei qual foi. Eu faço o curso que sou apaixonada desde li a primeira vez sobre, eu finalmente estou chegando no nível que inglês que eu sempre sonhava chegar para viajar e trabalhar com a língua, eu levo uma rotina tranquila e calorosa morando com minha vó, eu nunca tive tantos amigos amáveis comigo todos os dias e eu tenho um namorado que me faz sorrir toda vez que nos falamos e até quando estou só lembrando dele.

E eu sou muito grata por tudo o que eu tenho. E eu me sinto mal quando penso que não estou demonstrando gratidão o suficiente. Algumas vezes, eu me dou conta que não me expresso tão bem assim e eu vou me sentindo péssima procurando por alguma maneira de melhorar as coisas. Então, eu me sinto feliz por cada dia a mais ser uma nova chance para mostrar que me importo, mesmo com gestos tão simples como um abraço.

Quando tudo fica muito confuso na minha cabeça e ninguém consegue entender o quão insuficiente eu me sinto, eu decido então transformar essas energias em bondade. E não importa o quanto meu coração esteja doendo, eu faria de tudo para cuidar do seu agora. Te ver bem já me deixa muito melhor. Então, não precisa se preocupar tanto comigo.

E no final do diagnóstico, eu não descobri nada que tenha me surpreendido. O psicólogo falou enfim que eu sou uma pessoa triste, muito triste, por dentro. E quem me vê pelos corredores não tem a mínima noção disso. E principalmente que eu preciso desenvolver minha inteligência sentimental. Eu realmente levo uma vida muito boa, que, no entanto nem sempre foi assim e os traumas dela persistem em morar em mim como se eu ainda estivesse presa nela.

É engraçado como a maioria das pessoas não costuma medir as próprias palavras. Uma palavra errada dita pra mim e o meu dia, para não dramatizar dizendo “vida”, desmorona em questões de segundos. Porque eu sou frágil, frágil demais para não dizer ingênua demais. E logo não consigo filtrar o levar ou não em consideração. Considero tudo, sendo ou não edificantes pra ter um dia bom.

E depois de várias consultas, finalmente chegou a hora do tratamento. E buscar a luz própria não é tão complicado assim. Na verdade, se você procurar por não complicar nada e apenas sentir é tão fácil quanto abraço de mãe.

Primeiro, você fecha os olhos e tenta ver as coisas com o seu coração. E você tenta olhar só pra você. Olhar pra você com carinho. Olhar pra você considerando todas as coisas bonitas que você e dificilmente admite. E você tenta olhar os seus próprios machucados e você sabe que a luz dentro de você pode curá-los.

Então você se perdoa ainda que não tenha culpa alguma por eles. Você não tem culpa. Tudo o que você tem agora é perdão para seguir em frente. E perdão é luz. Perdoar é iluminar. E partir de agora, você está salvo para ter um dia melhor que o dia de ontem.

Você não precisa se sentir mal o tempo todo. Você não deveria se sentir culpado e muito menos normal por ficar triste tão fácil todos os dias. E você precisa gritar socorro quando sentir que está ficando pesado demais carregar seus erros passados. Coisas boas acontecem todos os dias em todos os lugares. É nelas que você merece fazer parte.

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O amor da minha vida não ficou

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Escrevi ouvindo Agora eu quero ir – Anavitória

O amor da minha vida não ficou. Foi embora. E quando isso aconteceu, o velho clichê: doeu tanto sentir meu peito apertando até deixar meu coração em pe da ci nhos. Era o amor da minha vida, eu tinha certeza disso! Quem?

Ela tinha o semblante entristecido e sonhador; um perfume que convidava para mergulhar nos seus cabelos castanhos; uma doce voz que me fazia descansar nas suas histórias sobre o dia. E quando eu lembro penso que poderia ter segurado mais nas suas mãos e dito: meu coração já é teu, não precisa ter medo. Mas quem tinha medo era eu.

Eu confiei que meus olhos nos dela fossem o suficiente para ela notar que eu já estava perdido nos seus planos, tentando me incluir de todos os jeitos mais desajeitados. Eu engolia as palavras porque acreditava que fazer de tudo por ela seria demais. Não quis assustar, não quis afastar com meus sentimentos precipitados.

Mas quem se precipitou foi ela: se desligou de mim sem tentar descobri o que ela mesma sentia. E quando isso aconteceu eu me desesperei. O amor da minha vida estava descansando já em outros braços que talvez fizessem versos mais bonitos do que os meus. Eu não era bom o suficiente?

E depois de um tempo, eu percebi que estava sozinho outra vez. E depois de muitas canções sobre o amor, descobri que amor era nada disso. Ela era só a garota dos meus sonhos, a primeira vista. Mas a verdade é que a garota dos meus sonhos nunca me deixaria pra trás sem que um adeus também lhe partisse o coração.

E tudo isso me faz refletir sobre o amor da minha vida que realmente não ficou porque ainda está. É de dentro pra fora e aqui mora um amor que me faz pensar que eu sou bom o suficiente para sonhar mais uma vez e acordar dentro de mim mesmo. Mas quiser dormir junto, tem espaço do lado esquerdo do no coração colchão.

 

 

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Mais um pesadelo

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Escrevi ouvindo Bloodstream – Stateless

As mágoas que florescem em meu peito eu não consigo explicar. Desde que descobri que a angústia chega sem aviso prévio, me permiti sentir. Afinal, não é como se eu tivesse outra escolha. É doloroso quando você me olha sem dizer nada. Desculpa pela minha necessidade constante em insistir em silêncio por ouvir o que você está pensando sobre mim.

Eu me sinto errada e deslocada na maior parte do tempo. Então, eu sinto vontade de chorar porque me machuca não ter nada a dizer. Eu fico calada. Não sei o que responder. Eu logo digo que estou bem, que não é nada. Eu digo porque me tortura perguntas além disso. Não importa saber porquê estou assim, nem eu sei o porquê. Só gostaria que você me olhasse nos olhos e desabafasse que apesar de tudo ainda me ama.

Desculpa por achar que tudo o que você manifesta ainda é pouco. Pra mim, nunca parece o suficiente. Eu sou inquieta. Eu olho meu rosto no espelho e tudo o que consigo enxergar de verdade são as marcas da insônia que não me deixa desligar, não me deixa sonhar, não me deixa esquecer dos meus problemas que, às vezes, parecem que são só eu.

Alguns dias são mais complicados que outros. Eu fico rolando de um lado pro outro na cama. Me conforta saber que você está bem. Não quero perturbar você com a carência do colo pra encontrar paz outra vez. Eu não quero levantar hoje. Por favor, não me peça pra sair de casa. Desculpa, eu não quero ajuda alguma. Eu me sinto sufocada com tanta preocupação. Eu só queria mesmo que você me abraçasse e dissesse que isso vai passar, que é só uma fase.

Eu andei fechada todos esses dias. Teu sorriso aberto me assusta um pouco. Você chega tentando destruir meus muros. Eu estou desmoronando junto. Não quero que você perceba a minha fragilidade. Eu só desejo que você segure minha mão para me lembrar que eu não estou sozinha como me sinto estar.

Se páginas de desculpas fossem o suficiente, eu te escrevia um livro. Você de maneira alguma deveria fazer esforço para entender minha complexidade. Não queira saber dos meus motivos. Talvez você não saiba lidar bem com ausências. Eu me sinto sem voz se pra você é tão imprescindível saber como eu me sinto. Eu me sinto menos mal com você comigo. Será que essa resposta te bastaria?

Essa é minha hora de partida. Carregar máscaras é cansativo demais. Portanto, estou desligando as luzes ao trancar o quarto para pensar. É tudo o que me resta. Pensar é o que me distrai de chorar por todas as ausências de coisas que eu gostaria de ter, ser ou sentir. Tenho perdido o orgulho e enterrado a honestidade. Me perdi no caminho. Não sei mais o que esperar. Não espero nada. Sem expectativas. Na verdade, só espero você. Só espero que você não se distancie tanto…

Te amar dói por não ser tudo o que você precisa, mas me cura por você ser minha única esperança do próximo dia. Então fica mesmo sem conhecer o porquê. Fica comigo no agora. É isso que nos importa. Entretanto, não se envolva tanto assim porque rosas têm espinhos. Talvez você se esqueça disso quando está comigo e por isso eu sorrio. Você não tem medo e isso me livra de mais um pesadelo.