Crônica

Uma dança com a depressão

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Sobre encontrar um ponto de luz: provavelmente foi a busca mais persistente de 2017. Entretanto, hoje, sozinha mais uma vez em casa, de luzes apagadas, está sendo outra noite sombria e dolorosa. Eu sinto meu coração apertado ao conseguir olhar mais para mim, porque, nesse exato momento, eu consigo apontar todos os defeitos que eu odeio e danço com eles a um compasso que me acelera à depressão.

E eu me sinto afogando nas minhas lágrimas e é como se não houvesse ninguém para me impedir de continuar. De fato, não há. Eu estou sozinha e isso não é novidade. Isso se trata de autodestruição. Eu fico sozinha e me torno minha pior inimiga. Começam com cogitações aparentemente inocentes – na realidade, perversas – sobre mim e outras pessoas. Depois, vêm uma onda de lembranças ruins que me levam a desconfiar que o futuro pode ser menos atormentado.

A maior tortura de estar sozinha é me sentir sozinha e não saber como pedir socorro. Eu estou gritando por dentro. Eu estou gritando comigo mesma. Eu tenho exigido de mim ficar bem só mais essa vez. Então, me desespero porque vai ficando difícil respirar e vou perdendo a vontade de insistir…

Eu odeio como me sinto infeliz e deixo isso transparecer claramente quando não sei disfarçar o quanto tantas coisas me incomodam. Eu odeio como sinto vontade de suplicar por coisas que estão longe do meu alcance. Eu odeio quando essas coisas são pessoas. E eu passo a me odiar também por me fazer tão mal sem querer (ou às vezes por querer mesmo e não conseguir admitir que isso é verdade porque o amor próprio e saúde mental estão em alta. Leia-se: moda).

Talvez isso explique porque eu me sinto tão dependente de outras pessoas: elas são cativantes com seus bons corações. Queria saber fazer o bem que elas fazem a mim. Eu me sinto extremamente ingrata por tomar caminhos errados para demonstrar como eu me importo e as amo. E eu me sinto cansada por sempre cometer os mesmos erros. Parece que o roteiro nunca mudou. Mesmo quando são outras pessoas, eu continuo a mesma: o drama da minha vida. Sinto como se já fosse parte da minha natureza ser tão descuidada ainda que tudo o que eu gostaria de fazer seja cuidar.

E por isso eu danço mais um final de semana com a minha depressão, como se não houvesse mais nada de útil a fazer. A verdade é que tem. Amanhã tem um debate importante na aula de Política e eu ainda não li nada. E eu falhei miseravelmente em manter a postura de garota estudiosa e responsável por ter me distraído com meus conflitos internos – que me tiram o foco e me dispersam em todas as cogitações (e se…?) que me desanimam de tentar continuar firme para o dia seguinte. Portanto, deixo de viver o presente e a previsão para o fim da noite é nada além de mais uma canção.

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Crônica

Uma dose de amor próprio

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Se existe uma dose a mais que não faz mal, essa dose é a do amor próprio. É inspirador quando eu conheço alguém que transborda amor por si próprio. Costumo achar que são as pessoas mais fortes que conheço. Isso porque elas desviam o tempo todo das armadilhas da pressão social e estão pouco aí para o que os outros pensam. Afinal, para elas, mais vale aquilo o que elas mesmas pensam de si.

Costumo dizer que amar é mergulhar e nunca é tão profundo que você não possa ir mais longe. Quando você mergulha, sem equipamentos, é gostoso fechar os olhos pra sentir melhor. Nada o que os olhos vêem é tão importantes comparado ao que você sente quando mergulha em si mesmo.

E, se puder, conheça além das suas curvas. Conheça suas ondas de energias. Conheça você além daquilo do que já te contaram. Descubra seus defeitos e permita se elogiar. Eu fico levemente chateada quando elogio alguém e recebo uma negação de tal elogio como retorno. Não seja essa pessoa. Apenas agradeça. Na geração do troco likes e troco elogios, te falar coisas boas pessoalmente não me custa nada e eu adoro fazer isso ainda sem esperar algo em troca. Aceita, é de coração.

Admiro quem consegue levantar cedo pra aproveitar bem o dia e tirar um tempo pra cuidar do corpo, por exemplo. Eu ainda não consigo fazer isso todos os dias. Tem dias que eu tenho a sensação de não ter feito nada produtivo e: tudo bem. Eu prefiro me perdoar. Ninguém é máquina e eu sou de humanas – eu uso essa desculpa sempre que falho.

Eu acho incrível pessoas que respiram tudo o que fazem, como aquelas pessoas que são completamente apaixonadas pelo trabalho ou estudo. Essas pessoas geralmente são as melhores no que fazem porque dedicam o que existe de mais especial nelas para realizar tarefas. É cativante essa vibe de ter a certeza que estou no caminho certo pra isso. Não é tão fácil. Afinal, nem tudo o que você ama pode te conduzir a riqueza financeira e grande parte da sociedade não sabe lidar muito bem com isso sem fazer críticas destrutivas…

E uma dose de amor próprio, às vezes, é um “dane-se” que precisa ser dito. Quem importa é você. Amor próprio é apontar pra felicidade e mergulhar. E quando se mergulha, os ouvidos estão indisponíveis demais pra quem não está no mesmo (a)mar que você.

Crônica

Ame ao próximo como a ti mesmo

 

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Pela manhã, eu estava lendo sobre relacionamentos líquidos e frase, cujo título proposto pela crônica, foi a parte que me chamou mais atenção. Em massa, nossa sociedade sente medo em amar o próximo como a si mesmo. Lembrando que tal frase pode assumir diferentes contextos e justificativas. Listemos:

Amar: amor é zona de perigo.

Quem ama não enxerga muito bem as armadilhas, como os pais que mimam os filhos. Amar afasta da racionalidade e do empirismo. Amar está em outra dimensão. Amar está acima das próprias vontades. Mas amar também pode ser escolha.

Vamos supor que você conhece alguém interessante num bar. Algumas risadas e você decide se pretende salvar o número dela ou não para progredir a relação depois. Talvez, a partir disso se abra o caminho para o amor: você a conhece melhor e quer entregar seu melhor também. Ela parece merecer porque já o tem. E lembre que foi você quem escolheu deixar amar como alternativa ainda que num gesto despreocupado como levar uma conversa adiante.

Ao próximo: é zona de conforto.

O próximo disfarça os defeitos numa conversa agradável e um sorriso bonito. O próximo, muitas vezes, te sussurra aquilo que você gosta de ouvir. Te envolve e te põe num pedestal que você faz de conta que é o seu lugar. Você esconde suas inseguranças porque parece mais certo confiar no que olhos do próximo vêem. Mas, daí, você está amando o que ele faz você sentir: prazer.

No entanto, se você for autossuficiente, amar o próximo é demais pra você: extrapola os limites da sua generosidade. Você ama porque nada do que ele diz te faz mudar de ideia sobre si mesmo. Mas você ama o esforço que ele faz pra você se sentir especial. Você ama como os defeitos dele não podem ser disfarçados numa conversa fiada. Você ama a sinceridade que te faz o conhecer melhor e você ama mesmo assim. Você deseja pra ele tudo de bom, inclusive você.

Como a ti mesmo: uma zona onde só você pode amar.

Você já se amou hoje? Quero ressaltar aqui que cada vez menos tenho conhecido pessoas que transbordam amor próprio e, em contra partida, nunca vi tanta gente como hoje vejo usando Tinder. Houve um tempo no qual eu baixei o aplicativo. Conheci pessoas de legais a fúteis. E eu percebi que eu não era obrigada a amar ninguém nem aceitar um amor de migalhas enquanto eu não amasse quem eu estava me tornando.

O amor próprio é o mais difícil porque conhecemos cada pedacinho do nosso corpo e às vezes odiamos cada defeitinho. Eu perdi muito tempo da minha vida – na verdade, a adolescência toda – criticando minhas estrias: coisa tão normal, comum e inofensiva. Como eu poderia permitir alguém conhecer algo que nem eu aceitava?

E depois, com a maturidade, eu vim descobrindo que o amor é aceitação. É quando eu olho no espelho e digo: está tudo bem. É quando eu adoeço e procuro logo um médico porque quero ficar melhor. É quando eu tiro um tempo só pra mim: pra fazer as unhas, cantar alto, fazer yoga, dançar ou mesmo dormir.


E quando se consegue juntar tudo isso e amar ao próximo como a ti mesmo: amar é menos complicado. Amar é escolha: você não cuida do coração de alguém porque parece conveniente, você cuida porque quer. E o próximo está por todos os lugares e se não deu certo com o primeiro: próximo. Como a si mesmo porque não adianta você aceitar e cuidar tanto de outro se não faz isso com si mesmo. Ninguém pode ter amar mais do que você mesmo. E isso é bonito demais quando começa a fazer sentido.

Crônica

O que eu sinto por você?

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Essa é uma das perguntas difíceis que você nunca me fez. Ainda bem. Já pensou eu me enrolando toda para responder? Eu nem saberia por onde começar… Na verdade, você quase não me pergunta nada e sequer me cobra. E ao passo que um relacionamento fechado torna uma pessoa da outra, você não faz de mim propriedade. E mesmo livre eu prefiro estar apertada dentro da tranquilidade do teu abraço.

Tudo bem que a portinha do meu coração estava quase fechando quando você decidiu entrar devagarinho. Estava quase fechando de tanta gente que passou por aqui e fez bagunça. Fez bagunça, me deixou confusa e foi embora sem sentir qualquer remorso. E por um pouquinho que eu não desisti de arriscar isso acontecer de novo.

E parece que você chegou mesmo na hora certa: quando eu já tinha me envolvido com pessoas tão diferentes de você pra ter a certeza de que eu não gostaria de cometer os mesmos erros outra vez.

É engraçado como dizem que o tempo desgasta e as coisas de sempre fazem cair numa rotina chata, sendo que tudo ainda parece tão mágico com você por perto, embora os costumes permaneçam os mesmos e o tempo passe cada vez mais depressa… Quando você está de olhos fechados no meu colo recebendo carinho, eu me questiono porquê não descobrimos isso antes e lembro mais uma vez que descobrimos isso no tempo certo.

Quero dizer, somos tão novos. Estamos no comecinho do curso. Prestes a iniciar a vida adulta e sonhando com os dias nos quais vamos trabalhar com aquilo que nós depositamos tantas energias positivas. E, sobretudo, estamos dividindo essa fase de expectativas juntos.

Eu acho tão bonita tua forma de ver a vida com simplicidade e dizer coisas bobas que te fazem sentir bem, do tipo “é tão ventilado aqui” e você desperta meu lado bobo de rir de todas as coisas. Eu acho bonita a forma como você me olha também e por isso eu não te cobro frases de amor prontas google pesquisar. Você me diz tanto sem dizer nada e quando tenta dizer se atrapalha todo. E eu poderia achar isso um defeito e ficar chateada, mas que nada… A verdade, ainda que eu pareça levar a sério, eu acho graça sobre você ficar perdido nas palavras.

Eu acabei de notar que fui falando tantas coisas e não falei justamente o que eu sinto por você. Dessa vez, eu não quero nomear aqui os sentimentos. Então vou deixar o texto fluir assim como o que eu senti por você na primeira vez, entre tantas vezes, a qual você me abraçou e por dentro eu reagi estranho feito borboletinhas no estômago e ri de nervoso mas você nem percebeu.

E, desde então, sentir se tornou menos complicado. E, mesmo antes de você criar coragem pra namorar comigo, eu já apostava que a gente já se correspondia: queria se ver quase todo dia. E nada mudou tanto assim do começo pra cá, embora eu sempre ressalte que ainda estamos no comecinho porque parece muito longe de acabar. E de lá pra cá eu também tomei uma coragem que eu não imaginava que poderia existir em mim um dia: ser tanto pra você.

Me permiti admitir isso e principalmente deixar você me conhecer como ninguém mais conhece tão bem. E você não correu e não corre mesmo quando eu abro caminho e digo que você é livre e eu conseguiria superar depois. Você toda vez encontra uma alternativa boba para me ganhar de volta e me faz arrepender de ter dito palavras tão duras. E daí  em diante já não quero te soltar mais (nem quando você vira pro outro lado quando está dormindo).

Você cuida do meu coração e segura minha mão como se estar apaixonado por alguém fosse a vulnerabilidade mais segura do mundo. E eu pensei que seria mais assustador estar no meu cronograma (leia-se: encontrar reciprocidade até os 21) por talvez não conseguir mais escrever as crônicas de sempre reclamando sobre o amor. E você me fez tomar mais uma dose de coragem que eu desconhecia para escrever o texto mais sincero sobre o amor romântico que eu sinto por alguém e dizer só “eu te amo” pareceria muito insuficiente comparado a tudo que eu gostaria de encontrar nomes para descrever pra você. Então deixei entrelinhas sentimentos que não precisam ser concretizados em grafias.

E a verdade é que ao passo que você me fez tomar forma de uma nova versão – ou, muito provavelmente, a minha antiga versão como se ninguém jamais tivesse maltratado meu coração – eu nunca precisei me despedir de parte de mim mesma para fazer parte de você. E eu nunca preciso trocar nada por você porque agora você parece estar em todos os lugares, em todas as coisas, em mim mesma, nas mais bonitas lembranças. O que eu sinto por você se resume nisso: nós.

Comportamento, Crônica, Pessoal

Alerta: a ansiedade não está estampada

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Desde que comecei a gostar de escrever, criancinha mesmo, descobri que a minha melhor voz era essa: a escrita. Eu passava noites escrevendo o que eu sentia, coisas tão difíceis de admitir. Se fosse pessoalmente, talvez eu engolisse palavras entre um choro nervoso porque eu me emociono fácil mesmo. Mas, na grafia, são apenas palavras dramáticas que, com um dose de poesia, tomam forma em sonoridade até bonita.
Numa maior parte da vida, eu costumo ser mais ansiosa do que o normal. Quando eu coloco algo que eu devo fazer na cabeça: eu preciso fazer logo! Daí eu vou esquecendo que nem tudo depende apenas de mim. Eu vou me sentindo sufocada, agoniada pra hora passar mais depressa e em fim chegar o momento no qual eu vou fazer alguma coisa.
Eu me sinto hiperativa e não consigo dormir. Eu penso que deveria dormir pra acordar bem amanhã. Mas dormir se torna um pesadelo o qual não consigo realizar com a cabeça cheia de planos e eu penso no que vou fazer em cada minuto do dia seguinte. E nada pode dar errado. Se eu não consigo achar exatamente a blusa que eu decidi usar ou o ônibus atrasa: é como se todos os planos fossem em vão. De coisas simples a complicadas: a ansiedade não está estampada tanto assim para quem está de fora. Pareço plena esperando enquanto escrevo algum texto no celular e ninguém consegue perceber que eu estou transbordando, exceto até8 me ler.
Ontem foi um dia especial. Porque durante a semana toda eu fui alimentando uma ansiedade sem ter exatamente um porquê. Eu estava ansiosa e não sabia explicar. Então decidi culpar uma prova difícil da faculdade que acontecerá só semana que vem. E o acúmulo de preocupação virou uma bola de neve culminando em estresse. Eu odeio estar estressada. A pele não fica bonita, não tenho vontade de tirar fotos ou sair de casa, fica difícil me concentrar pra estudar, não consigo manter um bom coração, quem está ao redor percebe e o almejo é de sumir ou novamente me trancar chorando sozinha.
E durante essa semana exaustiva, eu também passei mal de tanto comer. E eu também odeio isso. Porque, depois que o transtorno passa e eu fico com uns quilos a mais, é insuportável ver uma balança. Mas não é só uma questão de números. As roupas que eu mais gosto deixam de me cair bem. E vem aquele medo, aquela voz maldosa, avisando que eu estou acima do meu peso de novo. Não é só questão de saúde física. A emocional fica abalada também porque se eu não me sinto bem por fora, por dentro fica difícil e vice-versa.
Na quinta, coloquei meu vestido confortável e nenhuma maquiagem porque eu não era obrigada a nada. Na quinta não. Na quinta todo o meu esforço seria para me manter sã. Não estava afim de me arrumar ainda que fosse pra um evento importante do curso. Mas eu fiz o esforço de sair de casa cedo porque não queria me arrepender de uma falta de dedicação a longo prazo.
E estava sendo um dia bom com meus amigos apesar do cansaço. Lembro que chegamos lá oito da matina e iria até umas oito da noite. Não seria a experiência mais legal do semestre, mas o que importava era que tínhamos um ao outro pra se distrair e apoiar nos breves intervalos. E eu sempre adoro ressaltar o quanto eu sou cercada de pessoas de bom coração.
Na última palestra, acabei me atrasando. As listas já tinham passado pelo meu lugar. E aconteceria se eu não as assinasse: eu não receberia certificado algum pelo tanto de horas que assisti. Fiquei desesperada! Eu não queria deixar pra assinar só no final. Talvez a lista sumisse sem meu nome. Ou talvez não me deixassem assinar depois. Eu só queria assinar logo, no mesmo minuto. E ficou difícil ficar tranquila, como se nada estivesse passando na minha cabeça. E eu estava inquieta. Estava nervosa. Porque eu só queria colocar logo meu nome lá e voltar a prestar atenção na palestra.
Até que uma mulher virou pra mim e brigou comigo. Até aí tudo bem se não fosse pelo olhar dela. Ela me olhou com tanto ódio que me desmontou e me fez sentir a pessoa mais errada do mundo. Mas eu sequer poderia chorar num evento cheio de pessoas adultas. Eu me senti horrível, uma criancinha com os olhos cheios de lágrimas. E, sabe, se talvez a ansiedade estivesse estampada na minha testa ela não teria sido tão rude comigo.
E o que eu mais odeio na ansiedade é o quanto eu fico sensível e vulnerável. Eu odeio o quanto eu me sinto culpada. E, como sempre, me disponho a procurar cinco coisas boas numa coisa ruim que me aconteceu na quinta:

  1. Passei o dia ao lado de pessoas que eu amo
  2. Deu tempo de recarregar minha carteirinha
  3. Treinei meu espanhol
  4. Consegui assinar uma das listas. Certificados: yaaay!
  5. Consegui chegar em casa em paz.

O que eu realmente gostaria que vocês guardassem dessa crônica é: sejam cuidadosos com as pessoas ao redor porque nunca conhecemos a verdade sobre os conflitos os quais elas enfrentam consigo mesmas.

E crise de ansiedade não espera por uma hora mais conveniente pra acontecer. Às vezes, se disfarça num sorriso nervoso e inquietação. Mas é muito além disso.

Crônica

Viver não cabe no lattes

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Conhece aquela história “viver não cabe no lattes?”. Vem cá, senta aqui e escuta eu te contar. A gente passa por várias fases na vida, consequentemente vários chefões também.

Não faz muito tempo que eu saí da fase Enem e toda a coerção social e pressão psicológica pra entrar na faculdade. Entrei. E daí? E daí procurei por descobrir que a vida é muito mais que fases. Entende?

Somos seres tão complexos, tão plurais, tão sonhadores que não precisa ser uma coisa de cada vez. Era uma graduação que vocês queriam? Tomem. Mas a vida não se trata só de quantas coisas você é capaz de colocar num lattes. Um dia toda essa fase acaba e o que ficam são as lembranças e logo mais, talvez, nem isso…

Demorou um tempinho pra eu me acostumar com ideia de que não preciso viver numa bolha. A gente cria uma bolha pra se proteger do mundo, é verdade. Outra verdade é que o mundo não é feito só de coisas ruins. Seria você capaz de abrir seu duro coração agora?

Eu quero te dizer que coisas absurdas acontecem quando você se deixar guiar pelos sentimentos. Eu já perdi a conta de quantas vezes fui trouxa, de quantas vezes chorei prometendo a mim mesma que nunca mais seria ingênua outra vez assim como perdi a conta de quantas promessas e cara já quebrei. Acontece que isso faz parte.

Faz parte também deixar que pessoas entrem e deixem um pouco de si para tornar você melhor. E quando se tem luz, o amor aparece e brilha e irradia o sorriso que você dá sempre que ouve aquele bom dia especial.

Quem convive comigo sabe o quanto eu me cobro e vivo em constante competição comigo mesma. Às vezes, eu só preciso respirar! Então hoje estou tentando cumprir a promessa de que não irei me sentir culpada por não conseguir ler mais um texto para prova. Hoje não. Hoje quero ouvir minhas músicas de meditação para respirar fundo e escrever. É tudo o que eu preciso agora. Viver é sentir e viver não cabe no lattes.

 

Comportamento, Crônica, Tutorial

Desde quando ciúme é bonitinho?

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Escrevi ouvindo Easy to Love You – Theory Of A Deadman

Algumas vezes, ouvi dizerem que quando se ama sente ciúme. Ah, sentir ciúme é tão romântico… O que? Ciúme pode até ser sexy, mas de romântico nada tem. Ciúme pode ser uma desculpa excitante pra expressar que se importa até demais. Demais – aí está o problema. Mas se importa demais com o outro ou com o lugar de si mesmo no outro? Ciúmes é egoísta. Está longe de ser amor.


E eu odeio sentir ciúme.

Eu odeio como sentir ciúme me torna despida de bondade. Eu odeio como ciúmes tira meu sono e meu senso de humor. Eu odeio como ciúme consegue ser pior do que TPM. Eu odeio e ponto. Não é engraçadinho. Eu sinto vontade de fugir e dizer “dane-se”. Queria deixar de me importar. Queria sumir pra ninguém ver como o ciúme me destrói ainda que eu não demonstre. Deus criou o amor e o diabo o destrói com ciúme.

E eu odeio como o ciúme faz parte de mim. É tão estranho. Começa de forma inofensiva. “Hum, com quem você estava ontem à noite? ”. É uma pergunta aparentemente despretensiosa cuja resposta vai ficar ecoando por horas enquanto abre caminho para a entrada de um sentimento ruim o qual se decodifica em: “era comigo com quem você deveria ter estado ontem à noite”. Deus, aproxima de mim esse cale-se antes que eu diga todas as coisas que vou provavelmente me arrepender de dizer após destruir mais uma relação.

Eu calo e por dentro eu ainda estou gritando com você. Por fora, tudo o que você vê é a força de vontade de permanecer calada: lágrimas atrás de lágrimas. Só me lembra que você ainda me ama antes de eu cogitar me precipitar em nunca mais voltar a falar com você. Eu juro como consigo sumir da sua vida muito mais rápido do que cheguei.


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CIÚME GOOGLE SIGNIFICADO PESQUISAR

ciúme
substantivo masculino
  1. 1.
    estado emocional complexo que envolve um sentimento penoso provocado em relação a uma pessoa de que se pretende o amor exclusivo; receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem; zelo (mais us. no pl.).
  2. 2.
    medo de perder alguma coisa.

E a pior parte é quem não consegue ver maldade numa sentimento tão destruidor que é ciúme. Não provoque ciúme porque também é horrível pra quem sente: bagunça nossa autoestima, altruísmo, confiança…

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Com o tempo, eu aprendi algumas lições:

Ninguém é obrigado a amar alguém.

Se alguém fala que te ama, abrace essa pessoa porque não existe nada nesse mundo que a obrigue a te amar. Ela te ama por que você é e pelo o que você significa. Ela te ama porque ela quer. Amor não se exige. Amor acontece.

Ninguém é obrigado a sentir ciúme também.

A melhor notícia que talvez você leia hoje é essa: você não precisa sentir ciúme. Ela também não. Ciúme não se trata de sentimentos bons.

Ninguém é obrigado a ficar na vida de alguém.

Se sentir ciúme lhe destrói de verdade, você não é obrigado a ficar na vida de outra pessoa que anda te fazendo mal. Não é que ela não mereça você; mas se você não está preparado sentimentalmente para segurar essa barra, não existe problema nenhum se blindar de um sentimento tão covarde indo embora.

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Você é livre para confiar em alguém.

Você não é obrigado a confiar em quem ama e vice-versa. Mas se você entende que existe reciprocidade no amor, você tem garantida a liberdade de confiar. Então restam duas opções: acreditar que a outra pessoa não te faria nenhum mal ou desconfiar de tudo isso e partir pra defesa e ir embora sem ao menos tentar de verdade. Eu ficaria com a primeira opção e você?


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Em suma: MAS pessoas NÃO são suas propriedades.

Sabe, eu costumo passar a imagem que eu sou uma garota forte e independente. Eu já passei por tantas coisas que me fizeram parecer mais assim. No entanto, se você me lê, você entende o quanto eu me importo com cada coisinha. E eu sempre fui de me importar muito e disfarçar. Eu entendia que sentir muito era errado. Eu pensava que sentir ciúmes era a pior coisa do mundo.

É um pouco verdade. Mas sentir ciúme faz parte de mim e eu me aceito assim mesmo. Sentir ciúme é tipo sentir alegria quando vejo um arco-íris: sou eu. E quem convive comigo sabe disso. “Olha, Blenda, um arco-íris” e isso já transformou meu dia num dia bom. Assim como quem convive comigo sabe que se disser “Blenda, essa semana não vou sair com você porque marquei com outra pessoa”. As pessoas que me amam jamais diriam isso pra mim, pelo menos não dessa forma.

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Na realidade, eu tive a sorte de juntar muitas pessoas boas ao longo da minha breve vida que realmente se importam comigo e por isso desenvolveram um jeitinho especial até para falar comigo e por elas eu transbordo de gratidão. (São esse tipo de gente do bem – leia-se: unicórnios mágicos – que vocês devem colecionar na vida!)

E como eu sempre que às vezes passo dos limites, tiro a paciência de qualquer pessoa mesmo, eu aprendi a lidar melhor com o meu ciúme inevitável. Então, quando eu sinto ciúme, a solução é sempre tentar transformar energias ruins em energias boas. Por exemplo: eu mando mensagem lembrando que amo, eu abraço mais forte quando vou me despedir, eu faço qualquer coisa pra pessoa não esquecer de mim e o quanto eu quero fazer parte dela.

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Entretanto, algumas vezes, eu não seguro e começo a chorar… E tudo bem também, eu não faço por mal, não faço por drama. Eu sou chorona e eu não me privo de sentir. Eu sinto muito. Mas sentir ciúme não é bonitinho. Eu prefiro sentir que amo do que sentir o nosso amor ameaçado. Demonstra que também quer ficar comigo e não me faz sentir o contrário.