Publicado em Crônica

Máquina de decepção

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Escrevi ouvindo Pumped Up Kicks

Andei achando graça do quanto que eu crio expectativas. No entanto, desde que aceitei de bom coração o meu papel de trouxa, eu não me privo de seguir todo o roteiro.

Em suma, o que acontece: eu conheço alguém. “Nossa, é o amor da minha vida, eu aposto”. Daí, eu vou sonhando sozinha sobre todas as coisas que poderíamos ser e fazer. Eu esqueço que não depende só de mim. Eu faço planos mesmo assim porque não adianta quantas vezes não seja como eu queria, eu não desisto.

Algumas pessoas preferem esconder o que sentem e são até pessimistas demais. Mal conheceu e já pensa que não vai dar certo. Pula pra outra. Eu só pulo no mesmo lugar até avisarem que meu tempo no playground esgotou, logo eu – a máquina de decepção, vulgo a máquina de brinquedos que coleciona os ursinhos que ninguém consegue pegar fácil e desiste.

O que quero dizer é que eu andei escrevendo sobre todo o roteiro da história que eu imaginava que você faria comigo. Eu não vou mentir que eu já deixei de dormir de tanto que pensei em você dias antes de você me deixar. Eu não te queria por querer e isso parece estranho de dizer porque você nem fez nada por me merecer. Eu te quis de graça, só porque algo me fez acreditar que você seria capaz sonhar comigo.

Eu pensei em nós tomarmos sorvete no próximo final de semana, de assistir um filme de depois dormirmos juntos no meio dele, de você me telefonar quando parecesse ter sumido quando na verdade só estava na aula, em ir na sua casa conhecer teus cachorros, da gente ter um lugar nosso e com um jardim cheio de flores e hortaliças pros nossos coelhos, da gente pegando estrada pra qualquer lugar, da gente não querer olhar pra mais ninguém por se sentir em paz no olhar do outro.

Poxa, você não quis nada disso. O que eu posso fazer agora?

Ser a minha melhor companhia. Eu me cansei de você, como quem cansa de um cd riscado. A gente espera que ele toque como promete, mas vacila. A gente tira do som, tenta limpar, mas não adianta porque o defeito é menos superficial do que parece. Então, ele sempre vai travar no mesmo trecho. Ele não vai acompanhar o nosso ritmo. É hora de trocar o cd ou simplesmente me despedir de você.

Publicado em Crônica

Para a @

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Ei, eu comecei a escrever essa crônica um tanto sem rumo. Eu pausei uma série no Netflix e estou com meu café do lado – o pão de queijo acabou – ah, e ouvindo música, é claro! Over My Head. Por que escrever no meio dessa baguncinha? Porque existem tantas coisas acontecendo… Coisas boas!

Eu sei, eu não costumo contar por aqui coisas boas porque, quando elas acontecem, eu fico ocupada demais VIVENDO. Isso já aconteceu com você? Eu quero dizer: ficar longe das redes sociais, não ficar pensando numa só pessoa o dia todo, chegar em casa e querer assistir série ou dormir sem compromisso, cozinhar pra você mesmo… Caramba! Fazia tempo que eu não sabia o que era isso.

O meu café é geralmente horrível, mas eu detesto o de microondas. Fui pro fogão. Odeio ir pro fogão. Quando eu vou, é uma prova de amor. Estou me amando. Entenda assim. Eu estava sentindo falta de uma rotina corrida, de conhecer pessoas novas e de me soltar. Se você não me conhece, eu vou explicar melhor.

Acontece que eu estou na semana do calouro, exatamente no curso que eu sonhava! Eu tenho conhecido tantas pessoas, suas histórias, seus sorrisos que têm o mesmo motivo do meu. Está sendo tão incrível. Quero dizer, tudo tem sido muito legal. Há algum tempo, eu estava triste e chateada com tudo, comigo. Agora, parece que o Universo decidiu me tirar desse castigo.

Sabe, é maravilhoso quando você consegue deixar pra trás os problemas e conseguir dizer “bom dia” pra quem você sequer conhece. É tão reconfortante abraçar quem você acabou de conhecer e mesmo assim já sente carinho simplesmente por viver o momento e tanto faz o que já aconteceu ou vai acontecer.

Para a @

Às vezes, falam que eu sou sensível demais. É bem verídico. Meu coração já perdeu a conta de em quantos pedaços ficou. É porque meu coração é de Humanas e sempre existe uma brecha pra uma segunda chance. Sinto dizer, meu coração não vai parar por você. Eu vou amar outra vez, eu vou arriscar tudo de novo; porque eu sou assim e aprendi a aceitar que não há nada de errado em eu ser eu mesma, em me doar por quem eu amo.

Queria muito que você lesse isso e talvez isso nunca chegue até você, mas eu precisava desabafar que sinceramente eu não entendo porque você virou as costas quando tudo o que eu queria era te fazer bem. No entanto, a minha vida está seguindo. Eu não te esqueci nem vou. Você, de forma efêmera fez parte de mim, e eu estou partindo de você porque já não faz sentido ficar. Não se insiste no “amor”, não se cobra, acontece de graça. Eu ando encantada por quem eu estou me tornando: mais corajosa, mais confiante, mais comunicativa e mais feliz. Portanto acho mesmo que estar do meu lado era o seu lugar errado.

Publicado em Crônica

Pra quando você estiver bad

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Oi, alguém já disse que você é uma pessoa maravilhosa hoje? Quero dizer, você é perfeita. Você não precisa mudar um fio de cabelo sequer. Você está no ponto certo. Você é tão amável que eu poderia chamar você de estrogonofe. Você não precisa olhar no espelho hoje. Você precisa olhar para o céu estrelado que faz hoje – ele, sim, mostra quem você é de verdade.

Às vezes, parte de você é escuridão e quase ninguém nota quem mais você é. Você brilha como as estrelas que vê. As pessoas deveriam observar mais os teus olhos do que o teu esteriótipo. E não precisa se sentir insegura e se culpar por seus defeitos. Eles fazem de você única. Aliás, quem conseguir ver além do que os olhos enxergam, vão achá-los bobagens. O amor não vê cor, textura, sexo, nada disso. O amor vê as estrelas que existem em você.

Publicado em Crônica

O roteiro eu sei de cor

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Escrevi ouvindo Million Reasons – Lady Gaga (QUE HINO!)

Eu já deveria ter me aceitado. A questão não é tão fácil. Eu já deveria ter aprendido a conviver com a tristezas que acompanham a dor de ser quem eu sou. Eu guardo tantas coisas no coração que poderiam ser escritas e verdades seriam expostas a quem quisesse ler. A verdade é que eu ando pelas sombras, escondida das luzes que revelariam o que eu tenho medo de mostrar – os meus sentimentos.

Mas, ultimamente – não que seja novidade – as coisas ficaram fora do lugar. Tudo parece caótico, cenário onde entram os meus pensamentos confusos e curiosos que atormentam meu sono com um “e se?”. Eu sinto que estou me machucando. Eu vejo isso quando as lágrimas escorrem. Quando eu preciso encarar o espelho, percebo que há várias coisas erradas em mim e não comigo. Eu não sou errada, talvez eu esteja errada.

Eu ando me perguntando por que tudo na minha vida parece ter um final infeliz. Eu sempre começo algo como se fosse a primeira oportunidade e única e dou tudo de mim; o destino, por sua vez, avisa “dessa vez não, baby” e eu penso “de novo não!”. Algo, de dentro de mim, aconselha “tenta só mais uma vez” e eu vou lá arriscando minha insônia  e ansiedade de novo.

Pra ser sincera, os meus problemas não são do tipo que se resolveriam com aspirina ou uma conta bancária. Eles têm nome e sobrenome, eles me levam numa conversa maravilhosa e eu pago esses romantismos todos com a minha própria estabilidade emocional e era uma vez eu sorrindo por estar amando alguém. Era. Não é mais. E os problemas batem à minha porta de novo e eu não consigo ser uma anfitriã ruim e correspondo aos piores romances que eu poderia contar.

Eu já deveria ter aprendido que não conheço a dose certa do amor. Eu deveria ter me conformado que excessos fazem mal e carências me sufocam ainda mais. Eu já deveria ter limpado o estrago do choro, mas como que faz isso se existem fragmentos do meu coração bagunçando a minha razão? Esse é o impasse: a gente não vê o coração. E para quem me ver sorrir de mim mesma: é disfarce; porque eu estou cansada de contar a mesma história de sempre e ouvir interjeições de dó. Só mudam os personagens, o roteiro eu sei de cor.

Publicado em Comportamento, Crônica

O padrão perfeito

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Escrevi ouvindo Shape Of You – Ed Sheeran

Uma das coisas que parei de insistir foi parar de tentar agradar todo mundo. Isso é impossível!

Quando algum grupo não gostava de mim, eu ficava procurando resolver meus vários defeitos. O que acontece é que só é defeito dependendo da perspectiva. Por exemplo, eu sou muito espontânea. Algumas pessoas gostam disso, outras não. Eu sou só uma, não posso ser duas (caso contrário, deixaria de ser eu). Humanamente, é impossível agradar a todo mundo.

Mas eu cresci achando que eu deveria ser uma pessoa “melhor”. Com isso, eu imaginava que eu sempre era a problemática em questão. A partir do momento que eu encarei meus conflitos internos, eu percebi que nunca ficaria em paz enquanto eu me preocupasse tanto em me encaixar num padrão.

Aliás, ainda existe padrão?

Ainda há pouco, eu estava ouvindo uma playlist de funk e agora estou na playlist de românticas internacionais.

Enfim, a gente precisa se aceitar mais e admitir ser único. Existem pessoas que vão nos abraçar e nos dizer o quanto somos especiais. Conheço algumas que me acham até “fofa” quando estou explodindo de estresse. Elas me vêem com óculos cor-de-rosa e isso é tão amável. E eu conheço outras que nunca tiveram oportunidade de me conhecer de verdade e não gostam de mim. Também existem as que conheceram e não gostaram. Isso é absolutamente normal; eu também detesto um montão de gente. Tudo bem assim, se colocarmos o respeito em primeiro lugar.

Se não fosse me incomodar, eu tatuaria “me dá um chance de te fazer sorrir” na minha testa para que quem nem me conhecesse tivesse a oportunidade 0800 de perceber que eu posso ser gente boa. No entanto, fica o mistério no ar. Todo mundo tem o seu. Eu, na verdade, costumo ser um livro bem fechado. Você só leria se tivesse muita curiosidade e soubesse persuadir. Porém, eu adoro contar histórias.

Acho bobagem imaginarmos que poderia existir um padrão perfeito. Eu lembro que quando eu era mais nova, eu idolatrava tantas garotas e até queria ser amiga delas. O que aconteceu é que elas nem me queriam por perto. Depois de um tempo, eu percebi que a gente merece ficar perto é de quem gosta da gente e, por essas pessoas, vale a pena fazer um esforço para fazê-las mais felizes.

Publicado em Comportamento, Crônica, Diário

Transbordando

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Olá, gaveteiros. Como vocês estão?

Se algum de vocês conversassem com a Blenda de 2015 e a contasse que ela deixaria de ter vergonha de assinar as próprias crônicas – se escondendo atrás do seu pseudônimo – e escolheria o curso que sonhava sem medo de ser feliz, ela não acreditaria! Ela bateria o pé e diria “claro que não“, achando muita graça.

Eu não sei explicar exatamente o que aconteceu no caminho. Foram tantos baixos que eu cansei. Eu queria conhecer os altos também. Eu colocava limites sobre mim mesma e eles deixaram de fazer sentido quando eu me dei asas para me conhecer melhor.

(E agora nem as fronteiras serão meus limites “R.I pra não chorar!” hahsuahs).

O que eu quero dizer é que eu ainda estou me adaptando a essas mudanças internas e exteriorizando sem perceber. É como se eu me sentisse livre, completamente livre para correr atrás dos sonhos que há um tempo eu nem sabiam que existiam dentro de mim e que seriam mais possíveis agora.

Às vezes, numa situação de insatisfação, é preciso arriscar. É preciso ter coragem. É preciso autoconfiança. É imprescindível abrir os braços às oportunidades e se aceitar como suficiente para fazer bom proveito delas. Não é justo sermos menos do que queremos ser. A gente precisa viajar no mundo da lua, de vez em quando, e redescobrir a criança que não tinha medo do mundo e acreditava que poderia fazer dele o que quisesse.

Eu não ando escrevendo com tanta frequência. Talvez eu esteja na fase de preferir ouvir e ler mais. Aliás, eu adoro ouvir histórias. Estou num momento de encarar que eu tenho muito a aprender, não só com livros ou aulas, mas com as pessoas. Estou me doando mais desde diálogos corriqueiros às discussões mais profundas.

Eu não quero escrever por escrever. Eu quero escrever para mudar – e, se eu for boa o suficiente, melhorar – o dia de quem me lê e eu mesma, claro. O blog, os meus leitores, significam muito pra mim e se não for para escrever com todo o meu sentimento, eu posso desaparecer por alguns dias, mas eu volto quando estiver transbordando! ❤

Enfim, só para não pensarem que eu não me importo – ou coisa do tipo – eu vou contando para vocês sobre minha nova fase (não só universitária, como a Blenda que está amadurecendo) e, para quem gosta de Instagram, ficarei pertinho de vocês pelo @cronicasdagaveta. Um abraço de urso e até o próximo post! 😉

Publicado em Crônica

Mergulhe

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Escrevi ouvindo Better – Kodaline

Conversa comigo sem segredos, olhando nos meus olhos (ou para você mesmo). Começa me contando um pouco sobre você, sobre a parte que ninguém vê e você finge não se importar tanto. Quero que saiba que, para mim, não adianta disfarçar. Tuas inseguranças não me são estranhas. Elas são tão tuas quanto minhas, quanto nossas, quanto de todo mundo.

Se você quiser segurar uma mão para desafiar o mundo, eu tenho duas. Você não precisa viver sob condições das amarras imaginárias que te atormentam quando você apenas queria fechar os olhos e ter uma boa noite de sono. Até quando você pretende colecionar essas insônias? Viver parece um pesadelo e, na maioria das vezes, só é preciso sonhar. Comece fechando os olhos.

Mergulhe dentro de si. Seja só você mesmo. Se perca e naufrague se for preciso. Ninguém encontra aquilo que nunca perdeu. Tudo bem assim.

Por que você demonstra não sentir? Isso te torna menos sensível ou é apenas uma armadura? Por que você não retorna as ligações? Parece que você quer se esconder de todo mundo que ainda se importa. Por que você mente que tem tarefas pra fazer mais tarde? Você prefere não sair pra enganar sobre não saber como socializar ou o que dizer?! Eu não preciso que você me conte a piada do ano para que eu queria te ouvir. Só fala comigo. Isso é suficiente.

Você tem uma péssima impressão das pessoas. Nem todas estão aqui para te criticar ou te fazer colocar os pés no chão. Você conta que não tem sonhos porque já é realizado ou para se sentir menos frustrado? Você precisa parar de fugir de si mesmo. Você pode abraçar o mundo inteiro se quiser. Você pode fazer qualquer coisa. Mas, primeiro, nada disso vai fazer sentido se você não começar a ser você.