Crônica

Fermata

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O amor com você foi diferente de tudo, de todos os outros e de todas as outras. Eu poderia jurar que não era acaso. Você precisava ser aquela pessoa especial demais durante a minha fase mais vulnerável. Eu só esperava encontrar alguém que me fizesse acreditar no amor outra vez. E teu amor foi tão importante e continua até hoje me lembrando que todo final pode ser um convite para recomeçar.

Naquela noite, você disse que não sabia mais como enrolar e depois disso a gente não precisou mais disfarçar a graça e esconder a vontade de juntar as almas. Eu podia imaginar assim, pateticamente poético, o nosso beijo e o que vinha depois disso. Mas você também estava vulnerável. A tua ex-namorada tinha te largado na semana passada. Eu me permiti ser profunda para você afogar suas mágoas.

Eu não sei porque te amei tanto. Eu nem sei porque eu chorei no dia seguinte, que você disse que eu era incrível mas não era como tua ex. Eu nem sei. Era supérfluo. Era efemero.  E, depois de você, eu nunca mais consegui ser a mesma. Eu nunca mais consegui cometer o mesmo erro. Eu nunca mais confiei de verdade. Nunca mais me joguei, mas até arrisquei jogar. E, depois de você, eu precisei de uma longa pausa.

Eu não desisti do amor. Mas teu amor deixou um efeito colateral. E, por alguns meses, eu andei confusa e procurei me preencher em romances vazios que me lembrassem um pouco você. Me perdi. Desisti. Prometi que não procuraria mais ninguém até ficar bem, até perdoar o mundo inteiro pelo que você fez comigo. Porque ninguém mais precisaria se sentir machucado pela dor que você me deixou.

Crônica

Que dure enquanto seja livre

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Escrevi ouvindo I Feel It Coming - The Weeknd

Você me diz que admira a minha mente criativa, a minha energia para realizar os meus projetos pessoais e até os sentimentos que eu deixo escapar sem querer – e que são responsáveis pela mudança repentina de cor das minhas bochechas. Você diz que admira tudo isso. Você diz que eu sou jovem e tenho a vida toda pela frente. Você diz que essa vida ao teu lado seria perfeita, que está de acordo com todos os meus planos.

Não quero arriscar, sabe?

Eu concordo com a maioria das coisas que você me disse. Acho tua maneira de me ver a mais gentil. Há um bom tempo que alguém não me lia como verso de poesia. Mas eu sou aquela poesia parnasiana que algumas pessoas podem detestar. Sou perfeccionista e prefiro rimas ricas do que interpretações democráticas. Não quero ser de todo mundo. Quero ser lida por quem sente curiosidade e vai se dedicar mais que alguns minutos para decifrar. Olha eu, de novo, metaforizando minha forma de ver as coisas.

Prazer. Esse é o meu mundo.

Não acredito em vida perfeita. Não acredito que passaremos uns 365 dias sem brigar. Não acredito que você conseguiria passar um mês sem reclamar. Quando te encontro, quero te ganhar. Quero ganhar tua atenção, teu carinho e tuas palavras mais bonitas. É óbvio que você só conhece a melhor parte. Thanks God que você não trabalha comigo. Ainda bem que eu me mantenho offline durante a TPM. Eu sei que ouvir sobre meu comportamento temperamental pode te fazer rir até perder o ar. É engraçado quando não tem ninguém no cenário.

É que eu quero ir com calma. É de paciência que precisamos.

Não quero ninguém jurando que me ama mais que tudo. Não quero um anel de compromisso. Talvez amor livre faça mais o meu perfil agora. Não quero dizer sim tem pensar em todas as outras alternativas. Não quero pressa. Não quero pressão. Não quero prisão.

É que eu não quero a ideia de ter uma vida a dois… Já parou para pensar que seria mais interessante duas vidas e duas pessoas juntas apoiando uma a outra? Tipo cada um com seus sonhos mesmo – e eles nem precisam ser iguais ou depender do outro. Cada um correndo atrás da própria carreira. E um ali pra dar colo quando o dia do outro for uma merda.

Imagina: tem uma passagem baratíssima para África do Sul e notícia nem tão boa é que não está nas suas férias ainda. E você pode me incentivar tranquilamente: pode ir. Não perde essa. Vou sentir sua falta, então não esquece de ligar de vez em quando…

Amor livre me encanta. Não é uma questão de ser eterno enquanto dure. Isso me traz lembrança de intensidade demais. Demais para um relacionamento. Tudo o que é demais aprisiona. Então, que dure enquanto for livre.

Crônica

É como se você não tivesse passado por aqui

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É como se você não tivesse passado por aqui. Não têm suas roupas, desaprendi seu número e arquivei as fotos. É melhor que não procurem por mim nos últimos meses, porque seria como se nada eu tivesse vivido. Ao seu lado, eu estava apenas existindo sem qualquer protagonismo.

Você ocupou cada espaço. Mas não como quem preenche. Foi como um inquilino espaçoso que tirou toda me energia e me deixou apenas um sofá para passar a noite quando eu não te servia bem na cama. Eu sei que eu não tinha a casa mais bonita. As paredes ainda estavam cinzas. Comprei minhas cores favoritas e te convidei para pintar comigo. Mas você não entendeu que azul me trazia alegria assim como a chuva me aquecia o coração. Você deixou as tintas acumularem poeira e sujou o meu lar com suas palavras mal ditas…

Tentei fazer suas malas. Tentei ir te tirando aos poucos de mim. Tentei. Até que me dei conta de que parecia ser eu quem estava atrapalhando a sua estadia. Tinham suas coisas, tinham seu perfume, tinha você. Eu já não me encontrava. Apenas me perdia mais e mais na sua bagunça. Eu sabia que não ficaria tudo bem no dia seguinte depois de tantas outras mentiras.

Eu já não pertencia àquele lugar. Aquele lugar onde eu limpei até os móveis e te esperei chegar na porta. Aquela porta onde eu disse que você era bem-vindo. A porta a qual você nunca mais precisou de mim para abrir. Você ganhou a chave enquanto eu perdi a liberdade depois de você desfazer as malas no quarto. Aquele quarto onde te pedi para ficar à vontade. O mesmo quarto onde eu perdi a vontade de te amar mas continuei fazendo por medo de te decepcionar.

E agora é como se você não tivesse passado pelo meu coração. Não têm suas roupas, desaprendi seu número e eu arquivei as nossas fotos… E eu precisei apontar outra direção para eu reestruturar o meu lar. Dessa vez, as paredes são brancas. Dizem que branco é a mistura de todas as cores. Não é como se estive vazio ou sem cor. É como se fosse uma nova chance para eu finalmente tirar a poeira das tintas que você achou horríveis. Agora não tem mais você para reclamar. E eu acho que eu consigo pintar a minha nova casa sozinha.

 

Comportamento, Crônica

O hétero top

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Hoje, eu tirei umas horas para ler um blog de um autor ativista contra heterofobia. Isso mesmo que você leu. Eu admito que foi divertido. Homens pensam muitas merdas, em grande parte do tempo, e por medo de apanhar ou por sensatez: mentem. O problema é que eles não são bons com roteiro. Se enrolam e a gente descobre a verdade.

Não é do meu feitio falar mal das pessoas, mas acho que homens merecem essa exceção. Que tal? Não detesto homens, tenho até amigos que são. Mas, pelo fato de eu conviver bastante com homens, talvez eu os prefira como amigos mesmo. Amigos são menos emocionados e acabam sendo mais engraçados simplesmente por serem mais sinceros.

Ah, mas tudo bem, confesso: já tive vários primeiros encontros com homens (e pouquíssimos segundos ou terceiros).

Fiquei pensando sobre como nós mulheres também não somos transparentes. Assim como a Mulher Maravilha vai à guerra em nome do amor, a gente faz de conta que tudo é em nome do amor. Nem tudo é sobre sentimento. Atração depende de aspectos físicos também, porra. O sexo, em pleno século XXI, já não rola apenas por amor. Homens, entendam.

Apesar de eu estar buscando me posicionar mais escrevendo sobre isso, particularmente eu sempre tenho medo de magoar e me passo por omissa. Talvez seja uma coisa que eu queira mudar e todas as grandes mudanças na minha vida começam com uma escrita. Por isso, eu vou contar sobre o meu último encontro mais hetero para falar aqui sobre as coisas que eu poderia ter dito e guardei para hoje.

A gente se conheceu pela internet (espero mesmo que você tenha desistido de ler meu blog!). E ele veio com todas aquelas palavras bonitas que todo escritor adoraria ouvir (ai, eu fui tão boba e cai direitinho!). E eu fui com toda minha cordialidade (carisma e bom humor para conquistar umas risadinhas!). Marcamos o date.

Pessoalmente ele era diferente. Eu fiquei surpresa. Ele era bonito! Eu não sabia se eu não tinha notado isso antes porque fiquei distraída com as cantadas certas ou, sei lá, as fotos eram ruins. Eu gostei do que vi. Quando eu vou para um encontro, eu não tenho a real pretensão de pegar e essas coisas, mas eu, definitivamente, queria depois do que vi.

Eu não senti a grande necessidade de querer parecer interessante porque, afinal, ele já sabia quase tudo o que eu poderia falar. O deixei falar. Ele falava com tanta propriedade (droga, estou lembrando só das coisas boas, né?) sobre arte e tudo o que me encanta. Tomamos uma cerveja e esse foi meu sinal verde: pode avançar o quanto você quiser.

Dia seguinte: distância. Ele simplesmente deixou de se mostrar interessante e interessado. E isso é o que mais odeio nos relacionamentos líquidos.

Por que você aparece do nada e me diz tudo o que eu queria/precisava ouvir? Por que minha amizade não era suficiente se você ria pra caramba das piadas que eu fazia? Por que você insistiu por um segundo beijo se nossas horas estavam contadas para você? Por que você estragou tudo se poderíamos ter ficado na primeira ou na segunda questão?

Odeio isso de conquistar e ir embora sem qualquer responsabilidade sentimental. Em parte a culpa é do meu jeito de me portar como flexível e dura sobre essas coisas (estou me esforçando para justificar porque errar comigo parece tão confortáveç). Eu me faço de forte. Não é que não dói. É que eu não vou dar atenção pro que eu estou sentindo. Vou fazer mil coisas até esquecer do teu beijo maravilhoso. Esqueci.

Não te disse: volta aqui, a gente ainda não terminou.

Talvez, pra você, a gente nem tivesse começado nada. Então, eu deixo pra lá.

A verdade mesmo é que você nem era um cara incrível. Não era um cara pra mim. Além de um tanto falso, também era emocionado (eu explico esse termo em outro post). E eu lembro das suas sutis críticas sobre eu não ter me arrumado o bastante. Ué, você tava de bermuda e eu nem falei nada…

Por que mulheres precisam cumprir mais itens na checklist heterossexual? Você quer um emprego ou um relacionamento? Se for a segunda opção: pega a primeira roupa do armário e vai fundo.

É aquele ditado, né: não gostou da roupa, tira. Brincadeira à parte, eu não me “arrumo” esteticamente para encontros. Dá trabalho e eu também prefiro que prestem atenção em mim do que na maquiagem (afinal, a maioria dos homens nem sabe a diferença entre rímel e delineador).

Eu não gosto de parecer uma obra de arte. Nem mesmo busco perfeccionismo na minha própria arte. Eu gosto de mostrar verdade. Ser eu mesma tem sido a coisa mais importante pra mim. E talvez falar mais de forma mais pontual seja o próximo passo. Pensar em não magoar é válido, mas deixar me decepcionarem não é justo.

Mulheres, entendam: não precisa sentir medo de perder o cara no primeiro encontro por dizerem como realmente se sentem. Eu disse pra ele que me sentia caidinha. Ele se fez de desentendido, mesmo as iniciativas terem partido dele. E ele não era homem pra mim. Ele é legal pra caramba quando quer dar uns pegas. E quando não quer: é só mais um hétero top. Não vale a pena pensar duas vezes. Você precisa dizer o que sente e acabar ou começar de vez a relação que você quer de verdade.

Héteros top são homens que sentem a necessidade de mostrar masculinidade. Isso os leva a demonstrar, à médio prazo fica mais perceptível, um comportamento mais imaturo. São homens que na verdade têm bastantes conflitos internos. Se você não for uma psicóloga, pensa duas vezes se vai encarar. Cuidado porque eles costumam fazer de tudo para te pegar. Eles gostam de ostentar números pros amigos. Regra geral, é isso. Infelizmente, até eu já caí nessa armadilha, mas aposto que você vai conseguir ser mais esperta do que eu!

Comportamento, Crônica

Minimalismo: quantas coisas você acredita que precisa?

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A ficha caiu: você está vivendo em função das coisas. Você gasta seu tempo, sua energia, sua vida por numerosas coisas. Ter tantas coisas pode significar, para você, sucesso. A questão é que, mesmo depois de pagas, as coisas continuam tendo um preço – para mantê-las ali bem-cuidadas – até que uma hora deixam de preencher a sua ilusória vitrine de conquistas. As coisas deixam de ser troféus e passam ser apenas “coisas”, como deveriam desde o início.

E por isso você, talvez, você sinta a necessidade de ter mais coisas. As que você tinha perderam o valor, não apenas monetário, mas o sentido de tê-las e todo o significado que pareciam ter quando você as conquistou. E esse ciclo se repete. Você acumula muitas coisas ao longo da vida. E no final aquela montanha de coisas não compensa vazio algum.

O minimalismo é sobre ter o mínimo de coisas possível para viver bem. Minimalismo é sobre ter coisas duráveis para não precisar ir tão cedo atrás de novas coisas. Minimalismo é sobre usar tempo e energia para aquilo que mais deveria importar: momentos.

Uma foto de viagem pode trazer uma lembrança boa não pelo tanto que você gastou financeiramente com o hotel que ficou e as roupas que usou. Essa fotografia deveria significar o momento em si: o quanto você estava feliz, as pessoas com quem dividiu as emoções, o quanto você aprendeu e evoluiu com a experiência.

Coisas custam dinheiro. Quando mais coisas, menos dinheiro. Menos dinheiro para o que pode acabar tendo valor de verdade. E quanto mais dinheiro você precisa: mais energia você precisa gastar para tê-lo e trocá-lo por tantas coisas.

Se você está triste e precisa comprar alguma coisa, como um bolo de chocolate, para alivar o que sente: algo continua errado. O gostinho de doce passa e a causa da tristeza continua ali esperando ser lembrada outra vez. Coisas têm muito menos valor do que atribuímos a elas.

Quer outro exemplo?

Você tem um monte de roupas e não acha “nem uma” para sair hoje à noite. Você sente que precisa de uma roupa. Não é só uma roupa, é a minha autoestima. É também como as pessoas vão te ver. “Mas essa roupa de novo?”. A gente se importa mais com as faláceas do que com a consciência de como o consumo afeta o meio ambiente. Mas, afinal por que você precisa dessa roupa?

Lembra que o minimalismo é sobre ter o suficiente do que você precisa para viver bem? Podem ter inúmeras respostas sobre “porquê”. E eu vou citar um exemplo bem interessante: preciso de roupas novas porque engordei e estou me sentindo mal com as roupas antigas. Ter roupas novas não vai fazer a pessoa emagrecer, entende?

Minimalismo não é sobre como você deve gastar seu dinheiro. É sobre pensar de forma crítica porquê você trabalha tanto. O que eu quero conquistar com o meu trabalho: coisas ou momentos? Será que eu deveria desacelerar? Será que não está na hora de eu pagar aquele curso que eu sempre quis fazer? Será que eu posso fazer a diferença em alguma ONG? E por aí vai.

Questões internas surgem e a busca pelo autoconhecimento também como caminho para verdadeira realização pessoal de viver todos os dias bem e não apenas guardar uma vida para se viver bem no final nas contas. É menos sobre como as pessoas falam e mais como você se ouve. Menos comprar e mais viver. Mais o agora do que outro momento. O presente como presente. Menos ter e mais ser.

Comportamento, Pessoal

O f*da-se que você liga

Em maio, faz cinco meses que eu iniciei na musculação. E eu me sinto feliz em ver que meu corpo está se redesenhando e isso significa muito mais do que números e formatos.

O menor peso que eu já consegui, depois do meu vigésimo aniversário, foi 58kg. Hoje, eu peso mais de 64kg. Ser saudável e praticar exercícios não é sobre pesar menos ou mais. Tem a ver com aceitação do próprio corpo e encarar novos limites. Meu formato de corpo é “grande”. Genética. Eu não vou fazer sacrifícios para vestir um 38 de novo se eu me sinto muito mais confortável usando 40/42.

Não sei o que um corpo significa para você. Não sei como você o usa. Não sei como você cuida dele. Tampouco faço ideia se você já parou para pensar sobre isso hoje. Convivo com pessoas que conseguem ligar o f*da-se para essas questões. E existe diferença entre ligar o foda-se para você mesmo e ligar o f*da-se para sociedade.

Eu admiro pessoas que simplesmente não se importam com os padrões impostos pela sociedade, sabe? Admiro meninas que colocam a pele à mostra e são bem-resolvidas com o próprio corpo, por exemplo. Por outro lado, sempre fico assustada quando algum amigo meu resolve almoçar um hambúrguer num fast food – o que eu vulgarmente chamo de suicídio lento porque aquilo claramente faz super mal pra saúde.

Já parou para pensar que o seu corpo é a coisa material mais importante que você tem?

O seu corpo é o que te mantem de pé, literalmente. F*da-se se é moda ser fitness agora. Ainda bem que não existem só modas ruins. Ser fitness não é sobre comer alface. Ser fitness não é sobre acordar cinco da manhã. Ser fitness não é “tá pago” todos os dias nos stories. É muito mais para si, por si do que exposição. O formato do corpo é consequência de uma constância nos hábitos. É mais do que uma hashtag, é um estilo de vida. E é menos complicado e doloroso do que parece.

Desde que tive problemas com gastrite, lá em 2016, eu cortei algumas coisas da minha alimentação. Com o tempo, fui fazendo trocas saudáveis: pão por tapioca, por exemplo. Garrafinha fora de casa para lembrar de tomar dois litros diariamente. Aderi batata doce nos lanches no supermercado. E assim fui adaptando aos poucos a minha alimentação. Às vezes, eu ainda como biscoitos e outras besteiras. Às vezes. O ideal é encontrar um equilíbrio e não viver de dietas: senão você vive meio infeliz.

Mas, enfim, por que significa tanto pra mim esse estilo de vida?

Primeiro, por saúde. Eu amo ter saúde. Amo ter energia. Eu adoeço, porém é mais difícil do que antes. Eu adoro poder dar meu máximo no dia. Minha rotina é bem pesada. Praticamente três turnos. Além disso, cuidar da minha saúde, é importante pra eu conseguir continuar doando sangue. Uma doação salva até quatro vidas.

Segundo que eu adoro ficar cada vez mais forte. Eu gosto de me virar sozinha: carregar coisas e tal. Meu desempenho na corrida tem melhorado porque estou fortalecendo as pernas. Ficar forte me permite ultrapassar para redefinir meus limites, sabe? Isso me faz sentir mais emponderada como feminista.

Eu poderia dizer estética, mas essa nem é uma prioridade e ainda nem tá tão visível assim. Então, acho que, por enquanto, essas são as principais coisas.

Eu lembro que nas primeiras vezes na academia, eu era super tímida. Toda flácida, mole e frouxa. Tinha vergonha de treinar na frente do espelho e quando tinha muita gente. Tinha medo de olharem para mim, meu corpo e até os pesos leves que eu escolhia! Até que eu decidi ligar o f*da-se porque ninguém começa sendo f*oda! Todo mundo ali tá em construção. Mas ligar o f*da-se pro meu corpo e voltar pra casa, e ficar mais distante dos meus objetivos, nem pensar. Entendeu a diferença?

 

Comportamento, Crônica

Fracassos sentimentais

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Escrevi ouvindo Broken Angel (Acoustic) – Boyce Avenue

Esse vai ser um daqueles textos onde eu pretendo vomitar tudo o que eu estou sentindo. Novos ciclos não precisam começar com um ano novo, né?

Preciso admitir: eu cresci e, principalmente, ainda estou crescendo. Parece que está florescendo e não tem tudo a mesma cor. Não é mais tudo sobre o amor. Talvez tudo continue sendo sobre amar e sobre fazer com amor, mas não é mais sobre procurar por ele, entende? Não é como se eu me sentisse perdida e uma outra pessoa fosse a resposta certa para algumas questões internas.

Eu passei a adolescência toda escrevendo sobre como eu me sentia e sobre amores da minha vida. Romantizava – e admito que me pego fazendo isso ainda, às vezes – meu conto de fadas antes de dormir. Mas agora outras coisas importam. Eu faço muito mais da vida do que simplesmente me apaixonar e, entre nós, eu ainda não me apaixonei nem uma vezinha neste ano e isso é a coisa mais estranha que já não me aconteceu.

Como assim? Eu vivia apaixonada!

Beleza. Sabe quando você prova tantas sobremesas no mundo? E aí uma hora você engorda e evita comer mais ou simplesmente perde a graça. Minha relação com outras pessoas têm sido isso: a coisa mais normal do mundo. O coração não acelera. Eu nem sorrio tanto. O beijo nem é de tirar o fôlego. Até tem conversa, carinho, piadinhas e para aí. Um romance meia boca demais pra mim. Pode até ser doce, mas não vale a pena.

E, paralelo a isso, eu tenho feito tantas coisas. O aplicativo da academia notificou que o meu rendimento está “incrível”. Tenho trabalhado duas vezes mais. Tenho lido mais sobre o estilo de vida minimalista. Estou fazendo planos para meu mochilão. Estou aprendendo francês. Eu sempre tive medo de misturar as coisas porque eu achava que se eu começasse a escrever coisas menos sentimentais: eu perderia a arte na escrita. Será?

O novo ciclo será mais sobre as coisas que eu gosto de ler. Não quero forçar a barra com textos dramáticos sobre fracassos sentimentais. E, com certeza, eu vou continuar escrevendo com o coração: não importa sobre o quê. É que o amor romântico não tem mais sido tão presente na minha vida. E agora parece uma boa hora para mudar e crescer na escrita também.

Mas, antes, eu vou deixar a bagunça sentimental que acumulei no bloco de notas nessa semana (porque mesmo com mil coisas para fazer, eu não perco essa mania de sentir muito mesmo quando não sinto nada por isso).

“É que, quando eu fecho os olhos para lembrar, ainda sinto o teu cheiro. E se eu tentar te tocar, nos meus braços eu te sinto. Estou ouvindo o teu respirar. Estou sentindo o meu estômago revirar e ao mesmo passo a calma me tirando para dançar. Ansiedade, desespero, desejo de te beijar. Teu silêncio é escuridão. Estou me perdendo para te encontrar. Nenhuma palavra, nenhum arrependimento. Cartas na mesa e as roupas no chão. Tira tudo. Retira tudo aquilo que você disse. Reitera que me ama. Recompõe meu coração. Confessa que ainda existe chama. Ou mente de vez: promete que não vai embora depois da transa. É que, quando eu fecho os olhos para lembrar, ainda sinto o teu cheiro. Mas a verdade é que eu não sinto, todos os dias, saudade do teu beijo. O álcool subiu. Vim naquele lugar onde te conheci. Aquele bar onde você fez o inferno dar a bênção ao nosso fica. Já beijei muitos outros caras, mas nenhum é como você. Cartas na mesa e a dignidade no chão. Não me leva a mal por não te amar e só querer ir pra cama de novo. Não me leva a mal por gostar de você, mas não como você merece. E eu sinto muito por sentir pouco demais, mas o suficiente para pensar nas palavras certas para te convencer de que vale a pena se entregar a mim mais uma vez. Mesmo que eu não segure tua mão na rua: pode se jogar quando não estiver ninguém olhando. Eu sei que os teus amigos vão julgar por se submeter ao papel de coadjuvante de novo. Então vai ser o nosso segredo. Tira tudo. Retira tudo aquilo que você disse. Reitera que me ama. O álcool subiu. Vim naquele lugar onde te conheci. Aquele bar onde eu disse sim e comecei a namorar com você. E se eu tentar te tocar, nos meus braços eu te sinto dançando comigo para comemorar.”

– para a última pessoa que fiz de conta amar