Publicado em Crônica

Insônia

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Escrevi Kiss Me – Ed Sheeran

De uma noite pro dia, a minha insônia ganhou um novo nome. Não era como se eu não conseguisse dormir. Era como se eu esquecesse que para sonhar precisava fechar os olhos. Porque, ainda que eu estivesse tentando pensar em qualquer coisa, todas as coisas significavam um pouco você.

E não importa o quanto eu me cubra, a minha saudade se confunde com o frio o qual sinto quando lembro da nossa distância. É difícil me despedir de alguém que eu nem preciso estar tocando para sentir tão intrínseco a mim. Eu não quero me entregar ao mistério de descansar em algum sonho que não seja com você.

Eu queria ter alguma chance para te contar que não sou boa em confessar o que eu sinto. Se você algum dia, porventura, me perguntasse qual o sentimento que eu escolheria sentir pra sempre, a resposta nem caberia a mim dizer porque o meu coração deixa tão clara a felicidade quando está encontrando com o seu. A verdade é que o meu sentimento favorito é você e eu não sei explicar de outra forma.

E viro de um lado pro outro. Eu desisto. Eu abro a janela. Algo me diz que eu não vou conseguir passar mais uma noite sem pelo menos te ouvir dizer alguma coisa, qualquer coisa, porque todas as coisas valem a pena se existimos nelas.

Publicado em Crônica

Próxima sexta

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Escrevi ouvindo I touch myselfie  – Divinyls

Você me olha e sorri e é tão complicado adivinhar o que você está pensando. Não sei se você acha graça de mim ou comigo. Por mim, estaria tudo bem se você estivesse demonstrando se divertir só para que eu me sentisse mais especial do que o de costume.

Sabe, eu não sou alguém que se deixa levar por palavras. Eu não sou do tipo que confia em promessas. Eu prefiro ler o que os gestos me dizem e algo me diz que os teus falam mais do que realmente fazem. E ao mesmo passo que você parece próximo demais se distancia um pouco sempre que eu crio coragem de te perguntar o que vai fazer na próxima sexta.

Talvez, com essa minha postura paradoxal de boa moça, que apronta todas, você não me leve a sério; ou só leve a sério as minhas brincadeiras sobre não dar tanta importância assim. A verdade é que eu sempre fico esperando você me tirar da rotina e fazer eu voltar pra casa por um caminho diferente ou só mesmo com o calor do teu abraço por perto.

E antes de fechar os olhos pra dormir, eu lembro da minha música preferida que canta sobre coisas do coração e minha imaginação fértil me leva a contar as estrelas que é o tempo pra eu finalmente te encontrar na “próxima sexta” que só Deus sabe se um dia será. Provavelmente, eu deveria guardar as minhas inseguranças no bolso para te perguntar do que você tanto anda sorrindo ou te sugerir pular logo essa enrolação e descobrir quantas estrelas você me daria para fechar os olhos e perder a conta.

Publicado em Crônica

The One Got Away

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The One Got Away é uma daquelas músicas que marcaram a minha adolescência. Eu era uma garota tímida, fechada que não conseguia fazer amigos com facilidade. Eu era confusa sobre onde era o meu lugar no mundo. Eu me sentia estranha mesmo que em família. Eu era cercada por incertezas e medos sobre tudo, sobre mim.

Então, foi a minha fase mais incompreendida de todas porque nem eu conseguia entender porque eu não parecia boa o suficiente nada. Foi nesse período que eu me apeguei às canções sobre rejeição e arrependimentos, que descreviam tão bem o que eu imaginava passar todos os dias. É sufocante quando você sente que não pode confiar seus pensamentos obscuros a ninguém e libertador quando uma música te compreende melhor do que qualquer outra pessoa no mundo.

Sabe, foi na adolescência que eu me perdi e me sentia insegura em qualquer lugar com qualquer pessoa. E só é possível superar isso quando a gente decide que a gente pode ser quem quiser e onde quiser. Não importa se você se sentir perdido agora, é só uma questão de organizar um pouco o seu próximo destino. Você não precisa ficar aí pra sempre.

E essa canção, em especial, de alguma forma ainda me faz sofrer um pouco, porque junto com ela vêm algumas lembranças ruins; como das vezes que eu passei os intervalos no banheiro sozinha, chorando, lendo as pichações cheias de erros gramaticais por não tem nem um amigo na escola. Depois de um tempo, eu percebi que ficar sozinha não é, necessariamente, ruim; mas uma boa companhia enche a vida de cores e sentidos e tudo isso pode começar com um “Oi, eu sou a Blenda. Qual o seu nome?”. Parece tão simples, não é? E é!

Talvez isso explique porque eu faço tanta questão de falar com as pessoas que passam pela minha vida. É horrível se sentir sozinha! Eu jamais desejaria que alguém se sentisse assim. É como se você sentisse que ninguém se importa de verdade e na realidade preferissem a sua ausência. Eu queria poder abraçar todas as pessoas que já passaram por isso um dia e ser a melhor amiga de todas que estão passando. Vejo tanta gente falando sobre os “porquês” e se esquecendo que não fazer nada também pode te fazer um porquê da tristeza de alguém e você sequer cogita sobre.

Publicado em Comportamento, Pessoal

Metamorfoses

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Olá, gaveteiros!! Faz um tempinho que não faço posts mais pessoais. Vou deixar meu eu lírico um pouco de lado para conversar com vocês. Estou ouvindo Kid Abelha, cura para minhas decepções. Eu estou bastante chateada por estar gripada e tenho um textão chato pra ler e resumir.

Enfim, como que vocês andam? ❤

Não vou mentir: mesmo com alguns textos chatos, a graduação tem sido maravilhosa – na medida do possível – em todos os aspectos. Mas, especificamente, nesses últimos dias, eu tenho me sentido um pouco estranha. Okay, é comum que eu me apaixone toda semana, porém quando isso não acontece, é como se eu sentisse um “vazio”.

Eu fico procurando por coisas e pessoas pra ficar apaixonadinha o tempo todo. É como se fossem o combustível das minhas crônicas. Porém, andei pensando que é uma fase a ser aproveitada: estar de boa com todo mundo e comigo, o que é bastante raro. Porque, olha, embora os efeitos sejam bons, é uma droga estar apaixonada de verdade. É sério!

Quero dizer, é interessante ter sempre uma nova história para contar, qualquer mensagem parecer novidade, ter encontrinhos, conhecer alguém de outra perspectiva e outras coisinhas. Mas, parando por aí, o resto não é nada legal. Ah, eu preciso seguir mais a filosofia de Aristóteles e encontrar o equilíbrio na vida. Eu sou muito intensa, 8 ou 80. Isso faz mal, na maioria das vezes.

Eu entendo que eu vivo falando de sentimentos e não tenho ideia se isso parece ser sufocante pra quem escuta ou lê. Mas a gente costuma notificar aquilo o que vivemos, não é? E eu percebo que em quase tudo que eu faço eu sou movida pelo o que estou sentindo. Começando pelo próprio blog e o meu curso. Porque, pra mim, não existe motivação em ser racional com relação a fim. Não me convence pensar daqui 30 anos se eu estou sujeita a metamorfoses até lá.

Ser racional é pensar muito no que o agora reflete no futuro e não faz sentindo pensar em futuro se eu não tenho ideia de quanto tempo falta para chegar lá. Eu me baseio mais em um “você só vive uma vez” e ponto: .

E eu me permito sentir o que eu preciso sentir porque isso, pra mim, é viver. Eu me permito descobrir com meus próprios olhos e correr riscos pra aprender alguma coisa nova e me reinventar no meio de um possível caos. Eu sei que talvez seria bom seguir mais os conselhos dos mais sábios. Contudo, cada vida é uma vida diferente da outra. Me deixa tentar e me deixa ser eu mesma manifestando o que se passa no meu coração. Isso importa pra mim. Não me peça pra ser menos, pra mudar de assunto, pra não ser tanto como eu prefiro ser.

 

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Processo seletivo para relacionamento

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Escrevi ouvindo How To Save a Life – The Fray

Outro dia, jogando conversa fora no RU, chegamos na pauta “critérios de processo seletivo para relacionamento”. Eu simplesmente não consegui pensar em nada a tempo e preferi dizer “eu não tenho critérios”.

O que quis dizer, é que eu espero me apaixonar pelos valores e amar de olhos fechados. Sendo assim, sem importância de posicionamento político, nível de intelectualidade, aspectos físicos, gênero e até religião. Nada disso é tão relevante se equilibrado com o bom humor, o altruísmo, a abertura para falar sobre qualquer assunto (e tem que responder na hora sim, sem joguinhos!) e, principalmente, fazer eu me sentir a garota mais sortuda de todas – porque, geralmente, eu costumo me sentir mais triste quando estou me interessando por alguém, pelas incertezas da reciprocidade.

No entanto, é mais complexo do que parece. Algumas vezes, saí com pessoas e faltou alguma coisa que me fez não ir adiante. Não é como se eu soubesse explicar o quê. Não é como se elas fossem defeituosas. Eu sigo pensando que elas só não eram perfeitas pra mim. E o perfeito é relativo.

Eu cheguei numa fase na qual fujo dos rótulos, das receitas, das exatas. Porque, sabe, com o tempo eu fui percebendo que quanto mais eu me encontro, mais amadureço as ideias e menos cobro das outras pessoas ao meu redor; porque eu vou me sentindo completa – embora eu seja uma das pessoas mais carentes que eu conheço. Chegou a hora que eu prefiro não dizer quem eu sou e o que eu quero e deixar nas mãos do destino revelar a verdade que, muitas vezes, é misteriosa até pra mim.

Logo, eu fico sem critério algum de seleção pra candidatar a alguém o meu coração. Pra mim, não faz o menor sentido eliminar as pessoas dificultando ainda mais esse acesso. As portas estarão abertas pra quem se garantir encontrar a chave que eu provavelmente perdi em algum lugar porque eu vivo esquecendo das coisas.

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Quanto custa ser gentil?

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Escrevi ouvindo Lucky – Jason Mraz

Se você me perguntasse o que faz eu me apaixonar pelas pessoas, sem dúvidas, eu responderia: a gentileza delas.

Talvez isso explique eu ter considerado o Natan como um dos meus melhores amigos logo nos primeiros dias com ele. Em tudo o que ele fazia, eu sentia gentileza. Lembro até hoje do dia que eu pedi pra ir ao banheiro e, nesse intervalo, o professor conduziu a turma pro auditório e, se fosse qualquer outra pessoa, teria ido sem se importar. Mas, ele esperou ali no corredor, segurando minha mochila. Achei isso a coisa mais incrível do mundo.

Sabe, com o tempo, eu quis ser mais como o Natan. Todo mundo o adorava. Ele tinha suas malícias, mas seus gestos eram castos e ele não pedia nada em troca, justamente porque não custa nada ser gentil. E de todas as outras pessoas que passaram pela minha vida, as que eu tentei manter foram as que eu mais me apaixonei. É delicioso ter por perto quem você gostaria de aprender e parecer mais todos os dias.

Nem sempre eu tive um coração tão aberto ou sorri para desconhecidos. No entanto, chegou uma fase que eu me questionei “por que não ser assim?”. Se eu posso te ajudar, me pede, por favor! Se você está triste e só quer vomitar suas dores… Desabafa comigo. A gentileza está nas coisas mais simples da vida. Eu mal consigo explicar o que eu sinto ao poder melhorar o dia de alguém!

Na verdade, gentileza custa um pouquinho sim: tempo! Vocês já perceberam o quanto que as pessoas dramatizam o tempo. Tudo querem justificar com o tempo! “Ah, porque você não faz o curso que você tanto quer” “Ah, eu não tenho tempo…” “Poxa, você fala que sente saudade, mas não me procura” “Poxa, mas eu não tenho tempo” “Nossa, você é tão inteligente, me ajuda com essa tarefa” “Não vai dar, ando sem tempo”. Estou cansada dessas desculpas!

Preciso dizer: culpar o tempo é desculpa, sim!

Se você vive em função de um relógio, você não está vivendo nem por você nem por mais ninguém. Você está vivendo em função de um tempo que não pode controlar. Relógios contam horas, minutos, segundos; não a sua vida. Aliás, não seria estranho se você soubesse quanto tempo ela ainda vai durar? O que você faria agora? QUEM você seria agora? A gente pensa tanto em futuro, investindo as incertezas e idealizando uma vida que talvez não possamos alcançar.

O que quero dizer é que o seu tempo não deveria te custar caro se for para ser gentil com alguém. Algumas pessoas só precisam de um abraço ou quem sabe um elogio para se sentirem especiais. Imagina quantos problemas e catástrofes seriam evitadas se fôssemos mais gentis um com outro… Se você conhecesse os poderes da gentileza, não desperdiçaria mais o seu tempo contando que não o tem. Você tem a vida toda!

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Leia quando estiver tudo dando errado

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Ei, deixa eu te contar que você não precisa ficar de mal por tudo. O ônibus atrasou? Ótimo, sobra tempo pra mais uma música. Ih, estão espalhando boatos sobre você? “Fale bem ou fale mal…”. Poxa, o almoço de hoje estava ruim? Isso quer dizer que você já teve oportunidade de almoços melhores, quem sabe amanhã seja uma delas.

Eita, você já parou pra pensar que nem tudo depende da gente? Quero dizer, estamos num mundo onde uma coisa conecta a outra e somos apenas um para ter controle de tudo. Existem problemas que somos incapazes de resolver. Fica de boa então e deixa nas mãos do Universo.

Mas, olha, existem coisas que a gente pode evitar. Não quer se atrasar? Saia bem mais cedo de casa. Não quer ouvir os boatos? Ah, desculpa, mas a gente não tem como limitar a “liberdade de expressão” de todo mundo, use fones de ouvido e ignora. Não quer sofrer com a probabilidade de um almoço ruim? Aprenda a cozinhar.

Eu ouço as pessoas reclamando quase o tempo todo e isso me sufoca! Eu detesto quando alguém tenta diminuir a minha “good vibes”. Não é que eu queira maquiar a realidade, mas é que TODOS OS DIAS coisas boas acontecem e a maioria nem ganha atenção, entende? Por isso que deixei de assistir jornais televisivos. Parece que sociedade pede por bombeamento de informações trágicas. Eu prefiro enaltecer as notícias boas que seleciono pra ler.

Eu sei que o mundo é mais que isso, que tem seu lado perverso, que o homem é o lobo do próprio homem. Não é novidade pra mim que unicórnios mágicos não existem. Mas, qual o problema de eu tentar aliviar as dores que sinto em relação a excessiva racionalidade humana ao preferir ouvir Katy Perry a Lana? Foi só um exemplo!

Sabe, a gente não precisa ser concreto em todos os nossos exemplos. Está tudo bem em ser abstrato, subjetivo e incompreendido. É lindo sonhar, viver em paz e em harmonia com a vida mesmo quando não anda legal e fazer mais o que se ama. Isso sim é sair da zona de conforto: está tudo dando errado, mas você prefere sorrir e buscar o melhor do que estagnar reclamando do que não deu certo.