Crônica

O meu coração ficou em paz com você

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Escrevi ouvindo Milky Chance – Where Is My Mind

Queria te mostrar, de um jeito especial, que eu me importo com isso. E agora pedir desculpas por chamar os nossos sentimentos de “isso”. Eu me importo e te emprestaria os meus olhos para você ver como você fica mais linda todos os dias. Cresci ouvindo Legião Urbana e ainda não aprendi ainda quais são as palavras que nunca são ditas.

Deve ser mais fácil ser criativo quando se é artista, mas com você eu só consigo ser amador. Seu amador. Amar você. Mas, se tenho toda a tua atenção por alguns segundos, eu já me enrolo todo. Acabo esquecendo dos passos que pesquisei no google sobre como te conquistar (de mansinho que é para não assustar) e fico torcendo para o meu improviso te parecer o suficiente.

Te ouviria cantar mesmo se você fosse desafinada porque tua voz me causa sinestesia de um doce que não se vê e apenas se tem sorte por conseguir escutar quase todos os dias.  Eu sou um cara de muita sorte por ter você! Não acordaria de mal com a vida às sete da manhã se fosse você me chamando, aposto que não. Também aposto que iria para a cama mais cedo se lá tivesse você me esperando. E dormiria pensando sobre como eu gostaria que o teu abraço fosse o mais infinito possível.

Por você, eu aceitaria o papel de trouxa e seria cafona de vez em quando. Eu marcaria você nas publicações bregas sobre “amor da minha vida” se isso te fizesse sorrir. Eu me disponibilizaria a usar rosa todos os dias se essa fosse a tua cor preferida. Eu faria tanto por você que nem sei dizer. Por isso muito não digo. E o meu silêncio enquanto te admiro, com os olhos, significa que o meu coração ficou em paz quando encontrou você.

Comportamento, Crônica

Os opostos se distraem?

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Escrevi ouvindo Milky Chance – Cocoon

A gente pode não saber a fórmula secreta para dar certo (por um tempo), mas a verdade é que a gente sabe muito bem a fórmula para durar menos do que gostaríamos. Vamos lá, concorda comigo (ou não, você quem sabe…)!

OS OPOSTOS SE ATRAEM

Pelos céus, por que tem gente romantiza tanto o oposto? É como se a gente não se gostasse. Ou, então, é como se a gente tivesse tempo livre demais para se buscar vários caminhos para “fazer dar certo” e encontrar o final feliz. Sou dessas que prefere atalhos. E você?

Não estou falando aqui sobre ela gosta de rosa e ele gosta de azul. O oposto que estou questionando é: ela é vegetariana e ele adora churrasco. Entendeu? Tem tudo pra dar errado! Eles têm tudo para discutir quando forem escolher um lugar para almoçar no domingo. “Pequenas” diferenças fazem toda diferença. São pequenas discussões aqui e ali que levam ao vai se foder! término.

Sabem por que eu estou dando conselhos amorosos? Não quero que vocês, meus amados leitores, cometam os meus erros. Sim, eu errei bastante. Eu me apaixonei demais. Demais mesmo, praticamente todos os dias. Meu coração não era difícil e ficou em pedacinhos tantas vezes por semana que agora eu me tornei essa pessoa meio calculista e indiferente sobre o amor romântico. É meio frustante me doar menos do que eu gostaria por medo de ficar vulnerável outra vez.

Então, eu decidi: por algumas pessoas (a maioria delas) não vale a pena. Não vale a pena dormir mais tarde para enrolar dando boa noite. Não vale a pena sair de casa e passar quase uma hora no trânsito para ter um encontro meio sei lá. Não vale a pena escrever sobre. Não vale a pena apresentar aos amigos. Não vale a pena meu beijo, meu cuidado, o meu amor. E, se não vale a pena, a resposta é não. Não quero mais ficar com você.

“Blenda, eu vou fazê-lo parar de comer carne!”. Será que ELE quer deixar de ir pro churrasco com os amigos?

É meio egoísta querer que o outro se adapte a gente. Parece sacrifício se adaptar também. Vale a pena na única hipótese de os dois estarem dispostos. Dispostos sem medir esforços, sem um jogar na cara do outro o que tem feito e do que tem aberto mão – nos poupe desses falatórios dramáticos e ridículos. Amor não precisa de balança. Quem é você pra julgar que é demais ou de menos o que o outro tem feito?

São opostos? Okay. Mas estão dispostos? Vai fundo. ❤

Agora se você é uma pessoa prática como eu, pensa comigo:

Eu me esforço para ser gente boa (não só com a crush, mas com todo mundo); estudo pra caramba pra ter um futuro legal trabalhando com o que eu gosto; não tenho preguiça para fazer exercícios físicos para conseguir meu emprego desse ano; cuido do meu corpo me alimentando bem; estou sempre lendo sobre os assuntos que gosto de conversar para não falar coisas nada ver; faço carinho nos animais; etc.

Você acha que eu mereço ficar com uma pessoa que, no mínimo, não tenta ser um pouco assim como eu sou?

Desculpa, eu demorei uns vinte anos para chegar na minha melhor versão e, sinceramente, eu amo a pessoa que eu sou para aceitar um oposto me tirando o foco. Não quero alguém me distraindo. Quero alguém pra segurar minha mão e dizer: vamos juntos e não “ah, hoje não…”.

Talvez seja também a minha concepção de namoro. É tipo coisa séria, sabe? O tipo de relação que as pessoas querem que dure por toda vida e, se não faltar amor, pode durar até muitos anos mesmo. É tipo passar muito tempo da vida do lado. E, claro, para isso o outro precisa incentivar as metas e sonhos. Ser o oposto pode atrapalhar tudo isso. É por isso que se é oposto demais já não me atrai.

Você também merece uma pessoa sensacional igual você. E se você não se acha incrível o bastante, eu tenho o tutorial certo para você. Clique aqui e seja feliz!

 

Crônica

Espero que você desista de mim

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Escrevi ouvindo Chet Faker - I'm Into You

Me convidou para tomar um chá na sua casa no fim da tarde. Eu sabia que não era isso o que você queria tomar de verdade. Você encontrou um pretexto quase perfeito. Mas nós sabemos que eu não sou boba nem nada. Eu disse a verdade: minha semana está uma loucura! Mas não era tão verdade assim… Sim, eu tinha muitas coisas para fazer. Entretanto, eu arrumaria um jeito de tirar um tempo para você se eu te quisesse mesmo.

Desculpa. Odeio ser direta dando foras, especialmente se a outra pessoa nunca me fez algum mal. Mas eu acho que você entendeu. E eu tenho certeza de que você não sofreu nada com isso. Você provavelmente tinha um plano b ou talvez o plano b fosse eu. Depois que eu descobri que não era única para você, eu dei pra trás. Meu coração voltou pro dia que nem te conhecia. Voltei pro dia que não sentia nada por você. E decidi não avançar nem um outro passo.

Você realmente pensou que eu não me importaria com isso? Você acha mesmo que tudo bem eu ser só mais uma delas? Sério, pensa bem… Não é que eu me ache melhor que todas as pessoas que você chama para transar toda semana. É que eu acho que mereço muito mais do que você está me oferecendo. Pra você pode ser fácil ter orgasmos sem amor, mas isso não é uma opção pra mim.

Sinto muito, sem desculpa. Eu, de verdade, sinto muito. Não vejo graça em sexo sem compromisso. Não encontro sentimentos em beijos vazios. Não perco meu tempo com quem não me acorda com uma mensagem de carinho. Eu não demoro onde não pode ser recíproco. Eu apenas enrolo até você desistir aos pouquinhos. Não é o jeito mais certo de fazer isso, mas é o único jeito que eu consigo sem magoar alguém. Eu sei que você vai ficar bem. Porque eu não te significava nada demais e tudo bem também. Sem mágoas.

Comportamento, Crônica

A gente se apaixona depois de adulto?

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Escrevi ouvindo Flume & Chet Faker - Drop the Game

É sério: eu não sei se a gente se apaixona depois de adulto. Quando eu era mais novinha e estava curtindo alguém (leia-se apaixonada), eu lembro que colocava a outra pessoa num pedestal. Eu não conseguir ver qualquer defeito. Era uma sensação muito boa saber que existia alguém assim no mundo e ao mesmo tempo angustiante por me imaginar muito longe de alcançar.

Mas, depois que cresci mais alguns centímetros, eu não consegui ver mais ninguém dessa forma. Não sei se sou eu ou se é presente que chega para todos os capricornianos no vigésimo aniversário. Essa é uma fase que a gente se esforça por um monte de coisas: ser bem-visto na sociedade, dar algum orgulho aos pais, conquistar um bom emprego. E é tão desgastante esse esforço todo que a gente abre mão de se esforçar por “amor” romântico.

“Bora se ver hoje?” “Bora.” Beleza.”

“Bora se ver hoje?” “Não vai dar.” “Beleza.”

Me tornei muito prática com relacionamentos. Tão prática que não enrolo tanto para tirar a camisa e partir para a próxima etapa. Mas compromisso tem sido uma coisa que me assusta. A ideia de aceitar um “contrato” que deixa subentendido: você é a pessoa mais incrível de todas e eu quero beijar só você. Eu tenho medo de não conseguir corresponder essa expectativa. E talvez fosse mais fácil ter coragem para assumir essa responsabilidade se eu ficasse um pouco apaixonada.

Ficar apaixonada seria como deixar a razão de lado. Eu planejo tudo na minha vida, trabalho com rotina e prazos. E o amor é tipo de coisa que bagunça tudo isso. Eu também já não consigo ver alguém com toda bondade do mundo. Eu sempre acabo encontrando defeitos. Eu sempre consigo me irritar com alguma coisa e ficar achando que a relação não vai durar muito. E, mesmo assim, eu continuo lá até dar tudo errado porque não custa tentar. Não mais. Eu posso até ficar triste quando tudo desmoronar, mas não vai durar mais de dois dias porque é como se eu já estivesse esperando por isso.

Adultos se apaixonam mesmo? Ou, sei lá, decidem namorar para facilitar a rotina do sexo? Ou, então, para resolverem burocracias da vida adulta juntos? Ou é por uma questão econômica: dividir contas? Ou adultos namoram por motivos mais fúteis, como para não se sentirem sozinhos? Realmente não sei. Mas eu vou escrever sobre isso… Assim que eu descobrir.

Comportamento, Crônica

Não seja trouxa

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Escrevi ouvindo Chet Faker - Gold

Nunca pensei que daria este conselho, mas: não seja trouxa. Isso! Não. Seja. Trouxa. Eu sei que já disse algumas vezes que você deveria seguir o seu coração. Mas quantas vezes o seu coração já te implorou para terminar a noite num bar para reclamar sobre o amor? De uma vez por todas, pelo bem da sua saúde física e mental, não seja trouxa.

Não me vem com essa história de “tudo por amor”. Não é romântico, é ser trouxa. Sabe aqueles casais que vão e voltam o tempo todo. Fofo, né? “Apesar de tudo, continuam juntos!”. Fofo porra nenhuma. E se nesse vai ela se foi porque sofreu alguma violência e voltou só porque ele pediu uma simples desculpa esfarrapada?

O que quero dizer é que nos relacionamentos acontecem coisas absurdas que a gente não fica sabendo porque nem tudo se mostra nos stories. Sabe aquela foto bonitinha deles dois? A legenda foi com uma declaração enorme, awn… A gente não sabe o porquê. Podem ser milhares de possibilidades. Pode, sim, ser amor, mas pode ser ele tentando se redimir por alguma burrada que a fez chorar. Já pensou nisso?

Quando um casal vinte decide separar, as pessoas tem essa mania feia de querer “dar forças” para eles voltarem.

Vamos

parar

com

isso?

E se for você quem anda se esforçando demais por um “final feliz”: não seja trouxa. Quando éramos garotinhas, ouvimos histórias sobre como eles sofreram para ficarem juntos, mas o que importa é o final porque o final foi feliz. Desculpa por te acordar desse sonho: aqui é vida real e finais, na verdade, costumam ser a parte mais dolorosa. Se não tá legal agora, no final vai ficar bem pior. A sorte é que todo final pode ser um recomeço.

Não seja trouxa, não vale a pena. A vida já é cheia de problemas que a gente sequer pode evitar. Beba água e evite pedras nos rins. Estude ao máximo e evite o desemprego. Vá caminhar e evite o sedentarismo. Termina com ele e vai ser feliz. Continue encalhada, mas evite o embuste. Se você precisava ler essas coisas hoje, espero ter feito a minha parte. Por último e mais uma vez porque é sempre bom lembrar: não seja trouxa.

 

Comportamento, Crônica, Pessoal

O mundo de dentro

 

 

Escrevi ouvindo Jesse Ruben - This Is Why I Need You

É verdade que: quanto mais conhecemos o mundo de fora, mais descobrimos o mundo de dentro? O risco vale a pena. Muitas coisas valem a pena no final das contas. Colocar as vulnerabilidades à mostra não é para qualquer um. Demorei dois anos para colocar minha barriga de fora outra vez. Mais exposta do que isso: impossível. Tá na internet agora. Odeio quando me perguntam o que é isso. De uma vez por todas, decidi responder.

Em janeiro de 2017, eu fiz uma cirurgia para tirar a vesícula. A cicatriz ficou. Eu não gosto de falar sobre isso porque lembro dos piores dias da minha vida. Mas eu não quero mais me sentir insegura com o meu corpo. O meu corpo é o meu lar. O meu corpo conta a minha história. O meu corpo sou eu. Eu tenho vinte um anos agora e minhas preocupações não se resumem mais em tentar agradar alguém.

Então, queria falar sobre mim. Eu tenho vinte um anos e eu sempre senti que essa idade era importante. Eu sempre guardei boas expectativas para essa fase. E eu acho que estou indo no caminho certo. Ontem, eu me tornei doadora de sangue, há um bom tempo que eu leio o rótulo dos produtos para ter certeza de que não foram testados em animais e o meu dia favorito da semana é quando faço trabalho voluntário ensinando Língua Portuguesa para estrangeiros. Sabe, isso faz eu me sentir um ser humano melhor. Ser gentil é de graça.

Logo, eu venho pensando sobre como eu tenho ficado cada vez mais exigente para me relacionar com as pessoas. Sabe quando passa a fase da curiosidade? Daí, você já conhece o roteiro do beijo, do sexo e do término… E, por isso, já não parece tão interessante assim se jogar nos braços de um estranho. E, cada vez mais, eu tenho procurando ficar com pessoas de bom coração (mas, entre nós, está meio difícil de encontrar, né?!).

Já parou para pensar que a gente se esforça para ser gente boa? Ser gente boa é difícil pra caramba, principalmente depois da vigésima decepção. E a gente continua tentando… Não seria nada justo aceitar alguém que não se esforça feito a gente. Eu nunca tive grande sorte para encontrar o amor. Deve ser por isso que eu tenho buscado me encontrar. Tô indo para academia todos os dias dessa vez, acredita?

Eu nunca fui tão sincera e tão amorosa. É tão bom doar o que a gente tem de melhor pro mundo. Isso me lembra que vinte e um era a idade que eu queria escrever meu livro. Enquanto não acontece, eu continuo escrevendo como uma artista amadora aqui. Acho que o importante é a gente não guardar a parte boa pra gente e compartilhar de alguma maneira com o mundo.

Mostrar minha cicatriz foi como mostrar que eu sou muito mais do que um corpo perfeitamente humano: imperfeito. E se você conseguir respeitar o mundo de fora – aquele que qualquer pessoa pode ver – talvez você tenha a chance de conhecer o meu mundo de dentro que acaba sendo o mais bonito; porém, sem paciência para curiosos e sem espaço para visitas passageiras. Mas prometo que o coração é aberto para quem estiver disposto a desfazer as malas.

Crônica

Você e você

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Escrevi ouvindo The 1975 - Love It If We Made It

A gente posta foto. Sei lá, é como se a gente achasse que precisasse postar. A gente pensa que precisa de elogios. A gente sente que precisa de atenção. É como se fôssemos meio vazios, meio vadios. Só não estamos mais desocupados porque estamos ocupados demais tentando ocupar espaço na vida do outro. Isso não nos torna mais inteiros. Ter alguém não preenche, só disfarça os dias cinzas de preto e branco.

Outro dia, contei para uma garota sobre como eu faço as coisas sozinha. Ela achou que parecia ser solitário. Solitário me parece ela preferir ficar em casa – quando tem um filme que ela acha foda em cartaz – porque ainda se importa com o que as pessoas podem achar sobre ela ir ao cinema sozinha. Parece solitário demais pensar que precisamos de alguém. Não concorda comigo?

Você já parou para pensar em quem você é quando está sozinha? Tipo quando você tira suas roupas e seu corpo não é aquele que você postou na internet, com uma pose estranha, porque o seu corpo é um corpo perfeitamente humano. Tipo quando você está em silêncio: o quanto você se sente feliz? É uma sensação péssima, não é? A gente se acostuma com o outro. A gente passa boa parte da vida tentando se encaixar em lugares e pessoas.

Se ninguém te contou isso antes, talvez eu precise te avisar que as pessoas não duram para sempre na maioria das vezes. “Eu te amo” não é contrato e sexo não é prova de amor.

Eu costumava depender muito das pessoas para me sentir bem. Eu achava que precisava delas. Mas, quando a gente cai na realidade, a única coisa que a gente precisa é aprender a voar. E não se voa de mãos dadas. Ninguém pode fazer mais tanto por nós. A gente não precisa de ninguém. Na verdade, a gente precisa de um pouco de arte para tornar a vida mais fácil. E a gente precisa se encontrar, se impressionar. Os outros são só os outros. O holofote da sua vida precisa estar em você.

Eu sei, é um saco estar sozinha. Eu morro de preguiça para cozinhar só pra mim. Mas o cheirinho da comida ficando pronta… A barriguinha dobrando. Posso repetir porque não tem mais ninguém. É uma delícia depois que começa! Depois que você está lá na sala do cinema: é você e o filme e nada mais importa. E quando você volta para casa: é você e você. Você podendo ser e fazer o que quiser, independente, mais confiante. Ser o amor da sua vida é caminho de ida sem volta, vou logo avisando.