Crônica

Carta aos navegantes

Caros navegantes, o mar é uma delícia. Naufragar é o risco de quem viaja pelo desconhecido. Vocês estão preparados para se aventurar?

Se eu pudesse voltar no tempo, talvez nos meus quatorze anos que foi quando meu coração acelerou por alguém pela primeira vez, eu teria dado o seguinte conselho àquela garotinha apaixonada metida a durona: independe de qualquer coisa, se vai doer ou parecer assustador, seja sincera sobre os seus sentimentos.

Eu sempre fui dessas que fingia que estava tudo bem. Um encontro desmarcado de última hora quando já tinha saído de casa, um beijo que não fazia sentido depois que a noite acabava, as mãos soltas nas ruas, as desculpas esfarrapadas, os términos que nem tiveram um início de verdade, o amor no armário, ser parte de uma entre outros que dividia a cama e várias outras bizarrices que eu fazia de conta que não me magoavam. É óbvio que eu ficava mal. Chorava. Até que prometia que viraria a página outra vez. Mas explicar o que eu tava sentindo? Jamais.

Ser honesta parecia me custar muito. Não queria parecer boba demais, muito menos frágil! Não queria também fazer alguém me ver como um peso. Não queria colocar meu coração a jogo sob os cuidados de alguém. Não sabia o que era relacionamento de verdade. Estava perdida, sem saber o que procurar. Onde eu poderia encontrar, afinal, alguém na mesma vibração que a minha? Ninguém parecia assim na era tinder, tempo de relacionamentos líquidos e casal em perfeita sintonia na timeline. Uma linha do tempo que, mesmo sem nenhum defeito aparente, se rompia e ninguém entendia o “porquê”.

Eu só sei dizer que me saia mal, me ferrava mesmo, por me apaixonar e tal e não ir além. Não era por falta de declaração. Acho que começava errado desde o início, quando eu não queria assustar e dizia que tanto faz ser sério ou não, que o tempo iria dizer o que seria. Mas eu sou ansiosa demais para deixar os sentimentos serem levados pelo tempo. Eu não preciso de tanto tempo assim para sentir. Eu preciso de segurança para me jogar no que sinto, preciso que seja sério sim, recíproco de verdade e intenso como deve ser.

Fiquei uns meses sem me relacionar, depois de uma sucessão de tragédias amorosas sobre traições e desapego emocional. Fiquei um tempo sozinha para me conhecer de verdade e entender que era melhor ficar sozinha, dançando na minha, do que entre os tropeços de uma pessoa que não sabia como me amar. Foi ótimo. Mas foi dolorido também. Mas depois foi ótimo. Sou grata a mim mesma por me permitir passar um tempo comigo. Por ter lido tantos livros que me fizeram crescer emocional e intelectualmente. Por ter descoberto meu corpo nas danças que eu tanto criticava. Por ter encontrado minha beleza no espelho. Por ter encontrado paz interior entendendo espiritismo e essas coisas que fazem bem pra alma.

Estava pronta. Eu sabia disso, mas precisava ir com calma. Estava pronta porque sabia que mesmo depois de qualquer pé-na-bunda, ainda existiria ali uma companhia que abraçaria a pessoa que eu me tornei. Essa companhia poderia ser eu mesma, ou minha mãe, ou algum amigo. Porque quando a gente precisa de um abraço amoroso, a gente não precisa correr atrás de qualquer ficante. Estava pronta para descobrir o que eu realmente queria. Tive algumas tentativas que me causaram desconforto. Então a ficha caiu: é isso, eu finalmente descobri que eu me sinto uma mulher incrível, eu não quero um cara me faça sentir menos que isso. Aprendi a dizer não, a dar pé-na-bunda também de quem merecia e, principalmente ser sincera.

Redescobri a fidelidade. Entendi que amor livre não faz meu tipo, mas respeito quem escolhe assim. Entendi que eu não me sinto mais uma adolescente no amor. Detesto suspense. Detesto tudo que me cause uma certa ansiedade. Quero verdade. Quero sentir segurança. Quero que seja especial. Quero que seja eterno no sentido de valer a pena fazer planos, juntar os livros na estante, colocar uma aliança no dedo e mostrar pro mundo todinho o tanto que encontramos a pessoa que faz a gente querer acordar sendo uma pessoa melhor todos os dias.

E se eu tivesse sido sincera sobre tudo isso antes, teria evitado muitos problemas, muitas noites mal-dormidas. Teria sido mais feliz, mais decidida. Mas tudo tem seu tempo e eu aprendi, me entendi, me abracei, me amei e me abri de novo pro amor. Só assim as coisas começaram a ir bem. E eu posso, em fim, mostrar pro mundo o tanto que eu tô caidinha de amor pelo cara mais sincero e gentil que conheci no Tinder (porque, afinal, toda regra tem sua exceção).

Crônica

Carta aberta ao Bauman

Esta é uma carta para Bauman.

Segui aquele seu conselho, sabe? Estou usando mais as minhas redes sociais. Tenho me esforçado para construir uma imagem que as pessoas tenham vontade de seguir.

Depois de, praticamente, um ano distante do instagram, eu percebi que perdi aquele engajamento todo. Perdi seguidores. O algoritmo não perdoou minha ausência. Meus posts parecem ultrapassados. Fiquei para trás. É como se qualquer coisa que eu fosse postar agora, por mais que eu tenha demorado horas para produzir, não fosse tão legal assim. Minhas publicações nem chegam nas pessoas e quando chegam: passam sem causar qualquer impacto.

Paciência. Ou desistir. Vou escolher paciência dessa vez.

A verdade é que eu detesto as redes sociais. Detesto mais ainda aquelas pessoas que forçam um brilho, uma fama, uma simpatia que nem combinam com elas. Talvez porque eu prefira os tons mais sombrios e a realidade mais crua. Ver tanta cor, tanto filtro, vozes e músicas rolando infinitamente na timeline, sem um tempo para respirar e pensar se eu quero mesmo consumir aquilo, me deixa pra baixo.

Algumas vezes, eu me sinto para baixo por não saber administrar as emoções resultantes do meu acesso excessivo. Eram cinco minutos que se transformaram numa tarde inteira. E, de repente, um vazio. Sou apenas mais um segundo na timeline de alguém também? Por que me sinto tão mal por isso? Por que quero tanto me conectar com desconhecidos se sequer meus amigos eu consigo responder no mesmo dia no whatsapp?

Isso não é pra mim. Não sou uma pessoa inteiramente dos números. Humanas por formação, mas que, na verdade, detesta muitas pessoas, lugares apertados, caixinhas de ninchos e coleções. Por mais que eu faça de conta que meus conteúdos são educacionais, eu sequer respiro livros! Passo mais tempo vendo polêmicas de celebridades do que me atualizando no noticiário internacional. É isso mesmo. Humana demais para ser engessada. Humana demais para exigir tanto de mim.

Estou tentando ir com calma. Faz parte do sistema. Se eu não estiver no facebook, no youtube, no instagram, como as pessoas vão saber que eu existo? Como eu poderia mostrar meu trabalho sem uma oportunidade no mundo real? Como eu poderia abrir mão de uma infinidade de possibilidades online? Eu vou engolir tudo isso. Eu vou ocupar meu espaço, fazer meu trabalho e evitar navegar nas horas vagas. Horas vagas são para serem vagas e não turbilhadas de uma ansiedade que é querer estar sempre presente. O tempo todo. A toda hora. Sem perder nenhuma notificação. Porque é certo que a vida de ninguém vai parar porque eu ainda não respondi aquilo ali. Então, por que eu deveria me torturar atualizando a rede até alguém notar que eu estou por ali?

Crônica

Stop! A vida parou?

“Stop! A vida parou ou foi o automóvel?”

Não sei te dizer, Carlos… O mundo anda meio estranho. No supermercado, um olha com desconfiança para o outro, como se estivéssemos todos doentes. As pessoas perderam empregos, sabe. Já deve ter passado mais de dois meses que eu não sei mais o que é colocar um uniforme. Na rua, os cachorros ficam confusos. Sempre lembro deles quando sobra comida no prato. É o máximo de socialização que se pode fazer aqui no bairro.

Parece que estamos todos tentando nos distrair. O mundo, que era tão acelerado, de repente precisa de um tempo pra gente descobrir como se curar. As pessoas salvam umas as outras se isolando. E dessa vez não foi um grande feito da humanidade. Não foi a velocidade da tecnologia. Não foi nada disso que fez a gente ficar em casa! E não se sabe quanto tempo vai durar. Existem famílias passando fome. Existem hospitais superlotados. Pessoas estão morrendo. Enquanto isso, também existem diversas divergências no Congresso. Políticos que não parecem gente como a gente… Deve ser porque não são mesmo.

O que vemos agora é que até as igrejas fecharam e os laços familiares nunca foram tão importantes. A gente passa o dia todo com as mesmas pessoas. A gente se preocupa sempre ao sair e entrar em casa. E é o momento que a gente precisa lidar com a própria companhia e conversar com os nossos pensamentos. Não estamos no automático. Não existem mil coisas para fazer correndo. Sobra tempo. Tempo demais. E tem gente que preferiria correr de si mesmo e outros que estão começando a se conhecer agora.

Só que a vida não parou de verdade, sabe? É só uma impressão. Um susto com a realidade. A vida existe, independente daquilo que a gente tá fazendo. A vida não era exatamente quem a gente era lá fora nem o que a gente tinha. A vida continua sem tudo aquilo. Porque o importante mesmo é que a gente continua existindo mesmo se tudo não funciona direito lá fora. A gente continua tendo valor quando se encontra e encontra coisas novas para fazer a gente ser mais a gente. A vida existe como um presente enquanto muitos estão ficando nas lembranças. O respirar, o abraço, a luz do dia é o que faz a vida ter tanto valor. E a gente nem deveria adoecer para começar a entender isso.

Crônica

Demora para gente se acostumar que a vida lá fora não existe mais?

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O alarme toca. Mais uma vez, a gente esqueceu de desativar ontem à noite. Tocou no automático. E parece que a gente levantou no automático também. Quanto tempo demora para gente se acostumar que a vida lá fora não existe mais? É que a água do chuveiro está caindo há uns minutos e a pressa perdeu o sentido. Pelo menos, por enquanto, o mundo parou e só a gente que ficou girando até cair na real que o automático faz mal.

Perdi o emprego. O semestre na faculdade ficou congelado. E toda galera da academia fica treinando em casa assistindo as lives.

O trabalho fazia eu me sentir boa o bastante. Boa o bastante para não precisar pedir dinheiro aos meus pais. Boa o bastante para não ser substituída facilmente. Boa o bastante para as pessoas admirarem o que eu fazia. Mas, antes de ontem, eu li que as pandemias funcionam como um terceiro exército: não importa de que lado você está, você sai perdendo se você não consegue dar uns passos para trás e desacelerar.

Eu perdi aquele sentimento de liberdade de sair cedo de casa e fazer meu próprio dia e ter a minha rotina.

A faculdade parou e agora não vou mais ter o gostinho de me formar com vinte e dois aninhos. Sei lá quando eu vou me formar. E, na verdade, uma pausa foi legal para desacumular matérias. Fiquei pensando em várias coisas. Ansiedade. Insônia. Numa noite dessas, eu sonhei que falava francês. No dia seguinte, abri umas aulas no youtube e continuei achando o idioma mais complicado do mundo. No quiero por ahora.

E, sabe, depois que eu comecei a dançar na academia, eu nunca mais senti falta de sair para bares e festas. Não sentia vontade de colocar álcool no meu corpo para me sentir mais leve. Eu gostava do ambiente escuro, as luzes neon e um monte de gente sóbria pingando de suor do meu lado. Não era a sala mais cheirosa do shopping, mas era a mais deliciosa de entrar porque fazia eu me sentir gostosa no meu próprio corpo e feliz pela liberdade que era rebolar sem ninguém olhar (porque eu estava aprendendo, fazendo por mim, pela minha saúde física e mental, bem longe de impressionar alguém).

E tudo parou.

E pela primeira vez, desde que eu entrei na faculdade, eu desacelerei: fiquei sem hora para acordar, sem previsão de fazer mais dinheiro, sem a motivação das provas para estudar até tarde, com muita vontade, e ficou tudo bagunçado na minha cabeça. Na primeira semana, eu senti que estava apenas existindo sem grandes sonhos e até o BBB parecia mais interessante do que minha própria vida.

Até que, finalmente, eu fui acordando para viver o momento. Fiz yoga por uns dias, testei dança do ventre, tentei correr mais, voltei a tocar violino e me apaixonei por música de novo, estudei umas coisas que nem terminei (mas tudo bem, pelo menos a preguiça não foi maior do que a vontade de começar), testei umas receitas de bolo e aprendi a fazer feijão tropeiro nordestino, comecei a ler a bíblia quase todos os dias e um monte de outras coisas.

A verdade é que, ao mesmo tempo que o mundo lá fora parece curioso e cheio de coisas, aqui dentro tem um monte de coisas que a gente esqueceu de dar valor por culpar a falta de tempo. Faziam uns quatro anos que o meu violino estava esquecido em cima do guarda-roupa, por exemplo. Eu já nem lembrava mais do tanto de coisa que eu gostava de fazer e do tanto que meu corpo me possibilitava tentar coisas novas.

O mundo desacelerou lá fora. E um dia de cada vez ensina que todos os dias são importantes e que, talvez, a gente não vai ter tanto tempo assim, pra gente, tão cedo. Uma hora, tudo vai voltar a girar e girar de pressa. Pode ser que, nas primeiras semanas, aquilo faça um bem danado pra gente. A gente vai se sentir uma pecinha importante pro mundo outra vez. Mas talvez nem demore tanto pra gente sentir saudade de tudo isso. É tempo de paz e a paz existe aqui dentro quando a gente aprende o sentido de desacelerar se existe guerra lá fora.

 

Crônica, Pessoal

Te escreveria mil textos até você ter certeza disso

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Aquela noite foi uma noite perfeita. Quando eu disse pro meu pai que eu queria apresentar uma pessoa pra ele. E foi tão bonito como tudo pareceu planejado mesmo não sendo. Eu poderia jurar que tinha encontrado a pessoa certa pra mim.  E você me contou sobre ficarmos juntos para sempre. E eu nunca encontrei tanta verdade em alguém como encontro em você. E, então, eu me dei conta de que eu tinha muita sorte. Muita sorte mesmo por ter você.

E, depois disso, eu tive a certeza que queria fazer o nosso relacionamento ser especial e ser tudo o que você espera numa pessoa que vai ficar para sempre.

Eu tenho sorte de poder segurar são mão e te encher de beijinhos durante o caminho. Tenho sorte por você gostar e querer mais do que isso comigo. Eu tenho sorte por você ter tido paciência e procurado me entender desde o começo, quando eu não parecia tão interessada em conversar e você ficou insistindo de um jeito tão atencioso e gentil. Eu tenho sorte por você sempre tentar me fazer sentir segura sobre a gente. Espero que você perceba logo que eu vou tentar fazer o mesmo.

Na verdade, se hoje não fosse uma segunda-feira e o meu maior medo de fazer dívidas, eu estaria indo agora  mesmo atrás de uns anéis de compromisso pra todo mundo saber que eu já encontrei o meu amor. *Imagina eu contando sobre a gente, toda feliz, igual eu conto pras pessoas sobre o meu curso e todas as outras que eu me empolgo pra falar.* Eu acho que teria coragem de fazer uma dívida por você se fosse pra gente começar a ficar para sempre.

É porque eu sinto que te amo e que qualquer coisa pode se resolver no final se existe amor.

Eu sinto que, quando você tiver insônia, eu posso te colocar no colo e bagunçar o seu cabelo até você ficar com sono. Eu sinto que, quando você se chatear, eu posso correr pra te abraçar até passar um pouco pra gente conversar e se desculpar. Eu sinto que posso fazer você se sentir seguro comigo e fazer você sorrir sempre que você me ver.

Eu quero muito isso: o para sempre com você. Acho que esse é o sentido quando a gente coloca um relacionamento diante da nossa fé. Quero pensar que vai durar pra sempre. A gente nunca espera que o amor acabe. Eu espero que nem o meu nem o seu. Queria muito ter a chance de te mostrar sobre as coisas que você ainda não sabe e talvez você vá se apaixonar um pouquinho, como aquelas músicas que te disse que aprendi, há uns anos, no violão.

A nossa história pode ser diferente de todas as outras. Uma história que ninguém vai entender direito o que a gente tá fazendo da vida. Pela idade que a gente tem e pelo nosso tempo junto. Mas eu não preciso de muito tempo pra ter certeza de que existem pessoas que passam anos procurando por uma coisa que eu tive a sorte de encontrar tão cedo e tão perto. E quem duvidar disso é porque nunca viu o que acontece quando a gente pega no sono junto (e a gente pensa como seria se as pessoas vissem e começa a rir).

Eu te amo muito.

Te escreveria mil textos até você ter certeza disso.

Acho que eu poderia te falar um monte coisa, mas sempre achei que as palavras ficariam mais bonitas quando fossem escritas porque não sou tão boa falando como você é. E isso é uma das coisas que fazem eu me apaixonar por você.

Eu prometo pra você que ontem foi o melhor domingo de todos porque nós ficamos juntos. Eu fiquei muito feliz por você ter acordado tão cedo e visto o sol nascer comigo, do outro lado da cidade, pra me dar todo apoio na minha primeira corrida, que eu falei que era importante pra mim e você levou bem a sério. Fiquei feliz de ter visto você do lado da minha mãe. Pelo nosso café da manhã juntos. Por minha primeira vez fazendo crepioca ter sido com você e a sua mãe aparecer bem na hora de salvá-la da panela. Por a gente ter passado cada minuto possível junto até eu ir trabalhar. E por a gente ter se encontrado a noite e ter sido maravilhoso antes de dormir.

Por mim, eu faria muitos outros dias assim com você. E passaria todos os meus dias com você. Você é especial demais pra mim e a pessoa com quem eu quero passar cada hora quando fico livre do trabalho e da faculdade. Você era o freio que eu precisava na minha ansiedade de me cobrar tanto nessas coisas e pensar mais sobre as coisas do amor, que são as coisas que realmente fazem a gente sentir gratidão pela oportunidade de viver todos os dias.

E até colocaria na capa do facebook: Daniel, volta pra mim. Se fosse um cafona fofo suficiente pra você voltar pra mim todas as vezes necessárias pra gente ser feliz junto de novo. Mas eu acho que é mais eficaz fazer uma lista de porquinhos da índia para te fazer sorrir e me dar mais uma chance hoje.

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Já pensou eu chegar em casa e ver nosso bebê assim? O que significa isso, Daniel? Calma, amor. Não é coca dessa vez.

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Mãos pro alto, mocinho.

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Falta tompero!

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Papai, tira isso de mim.

Comportamento, Crônica

Sobre comprar online

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Um dos melhores gostinhos da vida adulta, pra mim, é comprar online. Eu lembro que sempre tive medo disso: da mercadoria não chegar e pagar um absurdo no frete. Até que eu decidi que queria comprar um celular. Se eu quisesse pagar um preço mais justo, eu precisava comprar de outro estado. E, assim, se iniciou a carreira de pagadora de boletos. Afinal, Deus me livre usar cartão de crédito, parcelar alguma coisa e trabalhar para pagar juros.

As compras online preencheram um certo vazio que fica quando a gente cresce e para de ganhar presentes. A gente começa a trabalhar pra ter as nossas coisas. E é ótimo poder ir na loja e escolher. Tem lojas que eu realmente faço questão de ir, como a Quem Disse Berenice que tem um atendimento incrível e me inspira  a ser uma boa atendente no meu trabalho. Os funcionários de lá empolgam a gente com elogios e entendem muito sobre o que vendem. Mas tem outras lojas que eu preferia evitar o contato humano. Comprar online é a solução.

Eu passo horas escolhendo produtos. Coloco no carrinho. Tiro do carrinho. Pesquiso mais um pouco. Gostei. Vou fechar a compra. Economizei um monte. Quase nunca preciso pagar frente. Aprendi até a comprar roupas pela internet. E não tem fila no final: é só abrir o aplicativo do banco no celular e mágica é feita. O dinheiro sai da conta e, daqui uns dias ou semanas, a felicidade bate na porta. Seu presente chegou.

Tem vezes, que é difícil acordar cedo na segunda-feira e lembrar que a semana vai ser puxada. Ou então trabalhar em pleno feriado ou domingo. Então, receber uma caixinha no trabalho é o tipo de coisa que deixa de ter um preço e passa a ter muito valor pra mim. Fico toda empolgada quando vejo o cara da transportadora procurando por Blenda. É uma das coisas mais prazerosas deixar a assinatura lá e recolher minha encomenda.

A cada dois meses, eu me dou esse presente. Meu sonho de adulta estabilizada na carreira é assinar aquelas caixas que vêm presentes temáticos surpresa, sabe? Acho uma boa motivação pra continuar estudando pra ter um trabalho que me permita ter uma maior margem de conforto financeiro pra receber a felicidade em casa todo mês. Que tal?

Crônica, Pessoal

Não sei como termina mas sei como começa

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Eu vou com calma dessa vez. Deve ser esse o segredo dos relacionamentos que duram mais do que algumas semanas. Não quero ser intensa demais outra vez e me jogar num relacionamento com uma pessoa que eu acabei de conhecer só por distração. Melhor ir com calma, né? A não ser que ele cante uma música do Charlie Brown Jr pra mim. Aí sim eu posso mudar de ideia, perder o juízo e fazer um plano pra gente cair num compromisso.

Logo na primeira vez que a gente marcou de se conhecer, eu poderia jurar que não existiam mais chances de dar em alguma coisa. A gente tinha tudo para dar errado. Você marcou de chegar atrasado e eu odeio esperar (!). Mas eu estou na minha semana espiritualizada e prometi no último passe que não seria mais a pessoa que perderia a paciência por qualquer coisinha… Então, não vou estressar. Pelo menos, não de primeira. Vou sentar em algum lugar e olhar a timeline do facebook pra continuar de bom humor até você chegar.

Na verdade, eu nem sei porquê a gente improvisou isso. Acabei de sair de duas aulas de dança seguidas. Eu juro pra você que vou recusar qualquer abraço saindo daqui. Não queria que fosse essa a primeira impressão. Mas quer saber? Eu também pensei que a gente não teria nada a perder. Até porque, se você for o cara certo, você vai gostar de me conhecer de verdade, sem as altas expectativas sobre como as mulheres costumam se vestir no primeiro encontro. Eu aposto que, se você for esperto o bastante, vai descobrir cedo demais que eu não sou como elas.

Ah, e foi até fácil esquecer do seu atraso quando vi você todo bobo perdido no shopping como se eu não estivesse no local combinado. Achei fofo.

Eu estava mesmo suada. Mas você foi se aproximando. Você foi se aproximando e eu nem lembro mais sobre as coisas que eu falei. Não ensaiei nenhuma palavra. Tudo saiu meio sem querer. Até o beijo (que não tinha como disfarçar que eu queria tanto quanto você, então já era, eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer, ops ele*). Queria poder ter te abraçado mais naquela noite. Mas não dava. Não queria que você guardasse meu suor na sua camisa ou eu morreria de vergonha por isso. Não queria que você percebesse que eu sou tímida. Espero que você fique distraído com o meu humor que, na maior parte do tempo, é muito bom e pode te fazer sorrir.

E eu senti muito pelas as borboletas rolaram no finalzinho da noite. Mas, logo, você me disse que minha casa ficava no caminho da sua. Você era tão educado e gente boa que, pela primeira vez, pareceu tudo bem alguém me deixar em casa. Era minha chance de passar mais um tempinho com você, né? Nunca tinha feito isso. Porque isso significava que minha família poderia descobrir que talvez eu estivesse namorando escondido. Eu levaria o maior sermão se eu contasse que beijei um desconhecido na frente de casa. Então, deixei você ter a chance de se passar por meu namorado, embora não tivessem passado muitas horas desde que a gente tinha se conhecido.

Mas, confesso: eu poderia jurar que a gente não corria o risco de namorar naquela noite. Não fica ninguém fora de casa depois das nove. E a gente deu azar. Ou sorte. Porque depois disso foi fácil falar sobre você todos os dias seguintes pra minha mãe.

Droga, desde onze de novembro de 2019 já estávamos namorando, você querendo ou não. Acho que eu já queria. E eu já apostava que isso poderia acontecer. Eu tinha a certeza de que a gente se encontraria de novo. Eu tinha a certeza de que você não era como os outros, que a gente estava procurando pela mesma coisa. Então, eu poderia abrir meu coração para você. Era só uma questão de tempo (e um áudio no whatsapp) pra deixar eu acontecer. Se não é eu, quem vai fazer você feliz?

A gente precisou só de duas semanas para ter certeza. Deixei minha teoria sobre tempo e espaço de engavetada e admiti que estava apaixonada mesmo e, por mim, te veria todos-os-dias-a-partir-de-agora. Tudo intenso demais. E não parece que estamos fazendo três meses. Eu nunca gostei tanto de sentir alguém como gosto de sentir você, com todos os sentidos. É difícil te ver e não querer fazer as pazes. É difícil não te perdoar se eu sinto o teu abraço. Eu espero que você sinta o mesmo e que seja sempre mais fácil recomeçar um com o outro do que soltar as mãos e mudar de caminho.

Eu me apaixonei por esses teus detalhes (que você jura pra mim que ninguém nunca disse!).

Acho bonitinho como você toca violão, mas eu nem entendo muito de violão. Eu entendo de música, mas fico tão distraída que não sei prestar atenção se o som saiu direitinho. Fico prestando atenção na expressão do teu rostinho e nas mãozinhas (que foram uma das primeiras coisas que amei em você). Eu fico caidinha sobre como arte não parece bobagem pra você e como você fala com tanto carinho sobre isso. Eu sabia que a gente tinha chances de dar certo quando descobri que você também gostava de trilha-sonora-romântica-de-novela-das-nove-dos-anos-dois-mil-e-alguma-coisa (leia-se: James Blunt).

Eu também acho bonitinho os traços que você tem e que um dia eu vou adorar ter terminado de desenhar. Talvez, eu esteja demorando esse tempo todo porque eu me distraio, se penso em você, e nunca consigo terminar o que eu tô fazendo. No final, eu acabo te enviando várias mensagens e perco até a hora de dormir. As orelhas, a barba (que você até tirou mais pra eu ter mais espaço pra beijar sua bochecha) e esses olhos que são profundos sempre como se estivessem tentando dizer alguma coisa. Esquisito isso, né? É a impressão que eu tenho. Deve ser por isso que eu sempre te pergunto o que foi? quando você fica olhando demais.

E eu acho que a minha vida fica mais legal quando eu tento te impressionar. Quando eu te mostro meus novos passos de dança. Quando eu entro numa loja adulta pra te fazer uma surpresa no nosso final de semana. Quando eu te beijo e penso baixinho o tanto que eu espero que não seja nada parecido com qualquer-coisa-que-você-já-viveu-antes. E sobre tudo o que eu faço pra não ser tão óbvia assim e, apesar disso, torcendo para te fazer a pessoa mais segura do mundo sobre o que eu sinto por você.

Os finais de tarde nunca foram sem graça com você. Horas no sofá. Eu queria te conhecer melhor. Eu fico apaixonada sobre como você faz de tudo pra me ouvir, mesmo quando eu te ligo sem avisar. Eu admiro como você consegue organizar o que vai dizer. Mesmo a gente não fazendo nada, é fácil sentir que eu te amo. É fácil perceber que você tem um bom coração quando eu vejo que você é um ótimo filho e irmão.

Isso é tudo bonito.

Mesmo que a gente tenha se desentendido tantas vezes no começo, desistir da gente não parecia o caminho mais fácil pra gente seguir feliz. Eu ainda queria muito você na minha vida. E eu gostava do nosso começo que foi todo improvisado. Mas eu também sabia que precisava desfazer algumas coisas e me refazer para você não sentir qualquer medo sobre se apaixonar por mim.

Numa tarde, você me contou sobre o que estava pensando e que estava difícil me encaixar nos teus planos, no teu futuro. E eu percebi que você não gostou. Você não gostou das coisas que não faziam sentido. Então, eu voltei atrás um passo para tentar me apresentar de novo. Dessa vez, mostrar quem eu sou de verdade. Eu procurei formas de te mostrar como eu me sinto e o que eu penso sobre a vida, sobre as pessoas e sobre a gente. Você merecia isso. Merecia ver que, na verdade, eu sou uma pessoa sensível que procura o amor pra se distrair da vida adulta.

Foi então que eu me dei conta de que eu não precisava fazer graça o tempo inteiro. E a gente começou a fazer mais sentido junto. Espero que você lembre desse dia que foi o dia que eu disse que mudaria não só por você, mas por mim também que tanto queria viver isso (e seria muito especial se fosse com você). Você já preenchia espaço demais pra eu soltar sua mão sem tentar de verdade. Procurei te ouvir mais. Demonstrar mais. Buscar palavras todos os dias para diminuir a distância entre a gente e sobre o que a gente sente.

Eu sou feliz por ter você comigo. Por você assistir os filmes de adolescentes que eu gosto. Por você sempre me chamar de amor como se a gente já tivesse há tanto tempo junto. Por você fazer questão de ter fotos comigo. Por você me encher de beijos fazendo a competição ficar acirrada sobre quem é o mais carinhoso da relação. Por você passar calor de noite porque eu não consigo dormir com a central de ar o tempo todo. Por você fazer eu me sentir tão especial. Por sempre me querer. Por ter insistido tanto quanto eu.

E, desde que a gente se conheceu, eu tenho me apaixonado mais por você todos os dias. Não sei muito bem o que isso significa. Não sei se quer dizer se vai acabar daqui a pouco, daqui uns anos ou no altar. Amor vagabundo, intenso ou muita pressa. Não sei como termina mas sei como começa. Obrigada por realizar meu sonho adolescente de ser a minha canção do Charlie Brown Jr. Eu te amo. A vontade de te ver já é maior que tudo e não existem distâncias no meu novo mundo (mentira!) se não morasse tão longe te veria todos os dias, sim.

*Se você leu esse texto com a minha voz, é sintoma de que você já está com saudade de mim. Se eu fosse você, enchia meu whatsapp de mensagens e corações do lado. Beijos.*